CONTEXTUALIZAÇÃO: O Brasil enfrenta há anos a chamada “guerra às drogas”, uma cruzada orientada pelo proibicionismo que tende a enxergar de forma reducionista o/a indivíduo/a que faz uso abusivo de psicoativos. De uma forma que entende que essa pessoa não é dotada de nenhuma outra necessidade, sequer é ouvida ou tem possibilidade de fala. Assim como as/os demais usuárias/os atendidas/os nos CAPS, que em um passado não tão distante eram tidas/os como as/os perturbadoras/es da normalidade e dessa forma eram isoladas/os do convívio em sociedade.
OBJETIVO GERAL: Promover o cuidado através da ótica da redução de danos à população em situação de rua que faz uso abusivo de psicoativos no município de Iguaba Grande/RJ.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS: Acolher os usuários em situação de rua em uso abusivo de psicoativos;
Debater questões diversas, objetivas e subjetivas – ligadas à trajetória de vida e aos direitos básicos;
Fornecer espaço coletivo e individualizado de atendimento;
Ofertar atendimento de qualidade, humanizado e horizontalizado;
Implicar intersetorialmente as demais políticas públicas no cuidado dessas/es usuárias/os;
Introduzir a prática de Redução de Danos.
JUSTIFICATIVA: O grupo de “Redução de Danos, Produção de Vida” foi pensado em face da urgência em ofertar à população em situação de rua, que faz uso abusivo de psicoativos do município de Iguaba Grande – RJ, um atendimento de qualidade e especializado em saúde mental.
CONCLUSÃO: Pensar o cuidado em saúde mental da população em situação de rua através da perspectiva de redução de danos, num contexto de uma cidade do interior, com seus conceitos de moralidade e juízo de valor é, acima de tudo, um ato revolucionário e que exige coragem tanto de quem oferece o atendimento, quanto de quem é atendida/o. É nadar na contramão da coisificação, marginalização e desumanização dessa população que é tão potente e crítica ao contexto em que está inserida. Exige olho no olho, destruir as ideias impostas, e estar disposto a construir uma nova linha de cuidado mediada pela esperança de uma sociabilidade menos hostil. No desafio diário de fazer valer o direito e tendo como norte a produção de vida, o grupo tem acontecido e impactado grandiosamente todas/os as/os envolvidas/os. Cada avanço alcançado, é a certeza de que as saídas coletivas são o caminho para a manutenção de uma política de saúde mental que valoriza e produz vida.
O grupo se apresenta como uma estratégia de cuidado através de um espaço democrático, para a construção de uma nova linha de intervenção técnica através da comunicação, reflexão, reivindicação e descontração da realidade de sofrimento em que essa população marginalizada está inserida, uma vez que diariamente encontram barreiras de acesso aos direitos básicos.
Resultados Quantitativos: Dados quantitativos sobre público atendido, a incidência das substâncias usadas, raça e gênero;
Acesso das/os usuárias/os aos cuidados de saúde básica em atendimento na UBS de referência;
Resultados Qualitativos: Resgate de autoestima;
Reflexão sobre a relação estabelecida com a substância psicoativa e para o que ela é usada para tamponar;
Desconstrução da relação de hierarquia socialmente construída entre profissional e usuária/o – resulta numa troca rica de saberes e vivências;
Reconstrução da autonomia de decisão, fala e protagonismo social;
Implicação na vida – planos, projetos, metas.
Recomendamos que a construção, elaboração e avaliação sejam realizadas em conjunto com as/os usuárias/os atendidas/os, colocando-as/os como protagonistas do seu próprio cuidado. Com intervenções a serem executadas tanto no espaço físico do CAPS, quanto no território por meio de rodas de conversa, dinâmicas com foco no debate de direito à cidade e aos direitos básicos, assim como cine debate, matriciamento dos casos na Unidade Básica de Saúde, resgate da autoestima, oficina de memórias, karaokê e passeios.
Rua Nossa Senhora de Fátima, 123 - Centro, Iguaba Grande - RJ, Brasil
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