favor seguir as recomendações abaixo:
A presente experiência descreve a implementação da oficina terapêutica de teatro no CAPS II de São Pedro da Aldeia/RJ, culminando na apresentação da peça “O Camaleão”, de Ruth Rocha, adaptada pela teatróloga Perla Duarte, realizada em outubro de 2025. A iniciativa surgiu da necessidade de ampliar estratégias de cuidado em saúde mental que promovam expressão, autonomia, pertencimento social e reabilitação psicossocial. A oficina foi estruturada como espaço contínuo de construção coletiva, escuta e criatividade, fortalecendo vínculos e promovendo inserção social.autonomia; promover inserção social; reduzir estigmas; incentivar convivência; integrar cuidado clínico com cultura.
A implementação da oficina terapêutica de teatro no CAPS II de São Pedro da Aldeia/RJ foi motivada pela identificação de uma lacuna nas estratégias de cuidado ofertadas aos usuários, especialmente no que se refere a práticas que promovam, de forma mais efetiva, a expressão subjetiva, o fortalecimento da autonomia e a ampliação da inserção social. Observou-se que, embora o serviço ofertasse atendimentos individuais e atividades coletivas, havia a necessidade de incorporar dispositivos terapêuticos mais dinâmicos, criativos e culturalmente significativos, capazes de mobilizar o protagonismo dos usuários e favorecer processos de reabilitação psicossocial mais amplos.
Além disso, constatou-se a presença de usuários com dificuldades de comunicação, baixa autoestima, isolamento social e fragilidade nos vínculos interpessoais, o que impactava diretamente na adesão ao tratamento e na construção de projetos de vida mais autônomos. Tal cenário evidenciou a importância de desenvolver estratégias que ultrapassassem o modelo tradicional de cuidado, promovendo experiências que possibilitassem a expressão de emoções, a construção coletiva e o reconhecimento de potencialidades.
Dessa forma, a oficina de teatro emergiu como uma oportunidade de qualificar o cuidado ofertado no serviço, ao integrar a arte como ferramenta terapêutica potente. A proposta buscou não apenas ampliar o repertório de intervenções do CAPS, mas também fortalecer os princípios da atenção psicossocial, como o cuidado em liberdade, a valorização da singularidade e a promoção da cidadania.
Assim, o problema identificado — relacionado à limitação de espaços de expressão e inserção social — transformou-se em uma oportunidade de inovação no cuidado, resultando na criação de um dispositivo terapêutico que potencializa a escuta, o vínculo, a criatividade e a participação ativa dos usuários no processo de cuidado.
Houve fortalecimento de vínculos, aumento da participação em atividades, melhora da autoestima, redução do isolamento social e ampliação do protagonismo dos usuários. A apresentação pública contribuiu para redução do estigma e valorização dos participantes.
1.Comece pelo sentido, não pela técnica
Antes de pensar no formato da oficina, pergunte: qual necessidade do serviço essa prática atende?
As oficinas devem surgir de demandas reais dos usuários (expressão, pertencimento, escuta), e não apenas como atividade para “preencher agenda”.
2. Aposte na construção coletiva
Evite formatos engessados.
Permita que os usuários participem das decisões: nome do grupo, temas, formato dos encontros, produções finais.
Isso fortalece vínculo, autonomia e protagonismo.
3. Entenda a oficina como cuidado, não como recreação
Oficinas terapêuticas não são passatempo.
Elas são dispositivos de cuidado dentro da lógica da reabilitação psicossocial, promovendo:
expressão subjetiva
elaboração de sofrimento
construção de identidade
inserção social
4. Garanta continuidade e regularidade
Mais importante que “eventos pontuais” é a constância.
Defina dia e horário fixos e mantenha a oficina como parte do calendário do serviço — isso cria pertencimento e compromisso.
5. Integre com o Projeto Terapêutico Singular (PTS)
A participação nas oficinas deve estar articulada ao PTS do usuário.
Evite inserções aleatórias — a oficina precisa fazer sentido dentro do cuidado de cada pessoa.
6. Valorize os resultados (processo e produto)
Tanto o processo quanto o resultado final são importantes:
processo → vínculos, expressão, escuta
produto → apresentações, livros, exposições
Dar visibilidade (como peça teatral ou lançamento de livro) fortalece autoestima e reconhecimento social.
7. Promova inserção no território
Sempre que possível, leve a produção para fora do CAPS:
apresentações em espaços culturais
participação em eventos municipais
exposições públicas
Isso rompe estigmas e amplia a cidadania dos usuários.
8. Invista na parceria interdisciplinar
Inclua diferentes profissionais e, se possível, parceiros externos (artistas, educadores, cultura).
A diversidade de olhares enriquece a prática.
9. Crie um ambiente seguro e acolhedor
Respeite o tempo de cada participante.
Nem todos vão querer se expor no início — e tudo bem.
O vínculo vem antes da produção.
10. Registre e sistematize a experiência
Documente o processo:
registros dos encontros
falas dos usuários
produções realizadas
Isso permite:
avaliação da prática
replicação em outros serviços
participação em editais e publicações
11. Comece com o que você tem
Não espere estrutura ideal.
Uma sala, papel e escuta qualificada já são suficientes para começar.
O essencial é o vínculo e a intencionalidade terapêutica.
12. Acredite na potência do cuidado em liberdade
Essas práticas mostram que o cuidado em saúde mental vai além da medicação —
ele passa pela arte, pela palavra, pelo encontro e pela construção de sentido.
CADASTRO
ATUALIZAÇÃO