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A atenção em saúde mental infantojuvenil demanda a inclusão das famílias como parte fundamental no processo de cuidado. No cotidiano do Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSij) de Araruama/RJ, observou-se que muitos familiares e responsáveis por crianças e adolescentes em acompanhamento no serviço apresentavam sobrecarga emocional, dificuldades no manejo das demandas cotidianas e ausência de espaços voltados à escuta de suas próprias necessidades.
Diante desse contexto, foi implementado, a partir do primeiro semestre de 2025, o Grupo da Família, com o objetivo de oferecer um espaço de acolhimento, escuta qualificada e fortalecimento emocional aos cuidadores, contribuindo para o cuidado em saúde mental de forma ampliada.
A proposta do grupo fundamenta-se na compreensão de que o sofrimento psíquico não se restringe ao indivíduo, mas atravessa as relações familiares e o território, sendo necessário incluir os cuidadores como sujeitos do cuidado. Além disso, a iniciativa busca fortalecer o vínculo entre as famílias e o serviço, promovendo corresponsabilização e maior engajamento no acompanhamento dos usuários.
Os encontros são realizados semanalmente, com participação de pais, mães, avós, tios e outros cuidadores, sendo conduzidos por uma psicóloga e uma assistente social, com apoio eventual da equipe multiprofissional. A condução baseia-se na escuta qualificada, no acolhimento e na valorização do protagonismo dos participantes, por meio de rodas de conversa, dinâmicas reflexivas e vivências psicoeducativas.
A experiência se justifica pela necessidade de ampliar as estratégias de cuidado em saúde mental infantojuvenil, considerando a família como elemento central no processo terapêutico. Ao oferecer um espaço coletivo de troca e apoio, o grupo contribui para a redução da sensação de isolamento dos cuidadores, fortalecimento de vínculos e construção compartilhada de estratégias de enfrentamento.
Assim, o Grupo da Família configura-se como um dispositivo de cuidado que articula clínica e saúde coletiva, promovendo um espaço de escuta, acolhimento e produção de cuidado em liberdade, alinhado aos princípios do Sistema Único de Saúde.
No contexto do CAPSij, observou-se que familiares de crianças e adolescentes em acompanhamento apresentavam sobrecarga emocional, dificuldades no manejo do cuidado e pouca inserção em espaços de escuta voltados às suas próprias demandas. Essa lacuna impactava o vínculo com o serviço e o acompanhamento dos usuários, evidenciando a necessidade de estratégias que incluíssem os cuidadores como sujeitos do cuidado em saúde mental.
A implementação do Grupo da Família tem produzido efeitos significativos no fortalecimento do vínculo entre os cuidadores e o CAPSij, ampliando o espaço de escuta e acolhimento no serviço.
Observa-se maior engajamento das famílias no acompanhamento das crianças e adolescentes, além da redução da sensação de isolamento e sobrecarga emocional.
Os participantes passaram a compartilhar experiências com mais abertura, reconhecendo-se nas vivências uns dos outros e construindo uma rede de apoio baseada na troca e no acolhimento. Relatos indicam mudanças no manejo familiar, com melhora na comunicação e na relação com os usuários.
Como inovação, destaca-se a consolidação do grupo como dispositivo coletivo de cuidado, que integra clínica e saúde coletiva, valorizando o protagonismo das famílias. Como lição aprendida, evidencia-se que a inclusão ativa dos cuidadores no processo terapêutico potencializa os resultados do cuidado em saúde mental.
Recomenda-se que a implementação de grupos de familiares em serviços de saúde mental considere a criação de um espaço acolhedor, baseado na escuta qualificada e na valorização das experiências dos participantes. É fundamental garantir regularidade dos encontros, condução por equipe multiprofissional e flexibilidade metodológica, permitindo que o grupo se adapte às demandas trazidas pelos cuidadores.
Destaca-se a importância de promover um ambiente horizontal, que favoreça o protagonismo das famílias e a construção coletiva de estratégias de cuidado. Além disso, é essencial reconhecer o território e as singularidades dos participantes, fortalecendo vínculos e redes de apoio.
A experiência demonstra que a inclusão ativa dos cuidadores potencializa o cuidado em saúde mental, sendo uma estratégia viável e replicável em diferentes contextos do SUS.
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