O Brasil deve registrar 78.610 novos casos de câncer de mama e 19.310 de câncer do colo do útero por ano no triênio 2026–2028, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Juntas, as duas doenças somam quase 98 mil novos casos anuais e representam um importante desafio para a saúde pública.
Os números reforçam a importância do Outubro Rosa, campanha de conscientização que mobiliza a sociedade em torno da prevenção e do diagnóstico precoce. Mais do que estimular a realização de exames, a iniciativa chama a atenção para a necessidade de garantir acesso aos serviços de saúde, investigação oportuna e tratamento adequado para todas as mulheres.
Um compromisso que não termina em outubro
Engajada nessa mobilização, a Plataforma IdeiaSUS Fiocruz destaca experiências desenvolvidas no Sistema Único de Saúde (SUS) que mostram como iniciativas nos territórios podem ampliar o acesso à prevenção e qualificar o cuidado. É o caso de Avanço na atenção básica: colposcopia e biópsia para mulheres com alteração no preventivo, em Manicoré (AM), que investiu na qualificação das equipes, na busca ativa e na aproximação dos serviços diagnósticos da população. Entre 2021 e 2024, o município realizou 14.108 exames citopatológicos, dos quais 335 apresentaram alterações significativas. No mesmo período, o número de biópsias passou de 13 para 49. A iniciativa evidencia a importância de organizar os encaminhamentos e acompanhar as mulheres após resultados alterados.
A prática Acesso facilitado ao mamógrafo itinerante: identificação precoce do câncer de mama, em Campina Grande (PB), por sua vez, destaca o potencial de estratégias que aproximam a mamografia de populações com dificuldade de acesso aos serviços especializados. Para que a iniciativa produza resultados efetivos, a oferta do exame precisa estar articulada à entrega dos resultados.
Em Presidente Kubitschek (MG), a experiência Implementação do rastreio organizado de câncer de colo do útero e câncer de mama evidencia a importância de planejar a realização dos exames, identificar quem precisa de acompanhamento e monitorar os resultados. A organização do rastreamento ajuda a reduzir oportunidades perdidas de prevenção e fortalece o papel da Atenção Primária na coordenação do cuidado.
E a prática Construção de uma cartilha em braille com orientações de combate e prevenção do câncer de mama: proporcionando autocuidado entre as mulheres cegas do SUS, de Campina Grande (PB), chama a atenção para o direito à informação acessível. Ao oferecer orientações em braille, a iniciativa contribui para ampliar a autonomia das mulheres cegas e reforça que as campanhas de saúde devem considerar as diferentes necessidades de comunicação da população.
Essas experiências, entre outras disponíveis no acervo da Plataforma, demonstram que ampliar a prevenção exige mais do que oferecer exames: é preciso aproximar os serviços das pessoas, organizar o cuidado e garantir que a informação chegue a todas as mulheres. Elas podem ser consultadas na busca da IdeiaSUS por câncer de mama e colo do útero. Ou pelos links abaixo:
https://ideiasus.fiocruz.br/busca/?_busca=c%C3%A2ncer%20de%20mama%20&_post_type=praticas
Saiba mais
Câncer de mama: diagnóstico precoce salva vidas
O câncer de mama é o tipo de câncer mais incidente entre as mulheres brasileiras, excluídos os tumores de pele não melanoma. O risco estimado é de 71,57 casos por 100 mil mulheres. A doença também é a principal causa de morte por câncer entre as mulheres no país.
A mamografia é uma das principais estratégias de rastreamento. Em 2025, o Ministério da Saúde ampliou para 50 a 74 anos a faixa etária recomendada para o rastreamento populacional bienal. Mulheres de 40 a 49 anos também podem acessar a mamografia no SUS, mesmo sem sinais ou sintomas, após orientação sobre benefícios e riscos. Na presença de alterações suspeitas, a investigação deve ocorrer conforme a avaliação profissional, independentemente da idade.
A prevenção também envolve hábitos saudáveis, como atividade física regular, manutenção do peso adequado e redução do consumo de bebidas alcoólicas. Nódulos persistentes, alterações na pele da mama e mudanças no mamilo devem ser avaliados por um profissional de saúde.
Câncer do colo do útero: prevenir é possível
Para o câncer do colo do útero, o Inca estima 19.310 novos casos anuais no Brasil entre 2026 e 2028. A doença está associada principalmente à infecção persistente por tipos oncogênicos do papilomavírus humano (HPV), transmitido sobretudo pelo contato sexual.
A vacinação contra o HPV, disponível gratuitamente no SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos em dose única, é uma das principais estratégias de prevenção. Outra medida importante é o rastreamento, que permite identificar a infecção ou alterações precursoras antes que evoluam para câncer.
O SUS está implantando progressivamente o teste molecular de DNA-HPV oncogênico, que identifica tipos do vírus associados à doença. Enquanto a nova tecnologia não estiver disponível, o exame citopatológico, conhecido como Papanicolau, continua sendo utilizado conforme as recomendações vigentes.
A realização dos exames precisa estar associada ao acompanhamento dos resultados e ao acesso oportuno aos procedimentos diagnósticos e ao tratamento. As desigualdades regionais, especialmente as dificuldades de acesso aos serviços em áreas remotas e vulneráveis, seguem como desafios importantes.
Por Katia Machado (Ascom IdeiaSUS Fiocruz)