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A organização do cuidado em saúde mental na Atenção Primária à Saúde (APS) ainda apresenta fragilidades relacionadas à ausência de fluxos assistenciais definidos, à comunicação insuficiente entre os pontos da Rede de Atenção Psicossocial e à indefinição de responsabilidades entre as equipes. Essas lacunas comprometem a resolutividade do cuidado, especialmente em situações de crise e no acompanhamento longitudinal dos usuários no território.
Diante desse contexto, a experiência teve como objetivo construir, de forma colaborativa, um fluxo assistencial em saúde mental capaz de orientar e qualificar o processo de trabalho na APS. Desenvolvida no município de Umbuzeiro–PB, em 2025, envolveu profissionais da APS, da equipe multiprofissional (eMulti) e do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), incluindo unidades apoiadas pelo CAPS itinerante.
A iniciativa emergiu da própria percepção dos profissionais sobre a desorganização do cuidado, marcada por encaminhamentos imprecisos, comunicação fragilizada e insegurança no manejo das demandas. A Educação Permanente em Saúde foi adotada como estratégia central, promovendo espaços de escuta, reflexão crítica e construção coletiva de soluções. O processo culminou na elaboração de um fluxo assistencial pactuado, orientado pelas necessidades do território e fundamentado no apoio matricial.
A ausência de fluxos assistenciais estruturados e a fragilidade na articulação entre APS, eMulti e CAPS dificultavam o manejo das demandas em saúde mental, gerando insegurança nos profissionais, encaminhamentos inadequados e descontinuidade do cuidado. Esse cenário evidenciou a necessidade de construção coletiva de um fluxo organizador que orientasse as práticas, fortalecesse o trabalho em rede e ampliasse a resolutividade da APS.
A experiência resultou na construção e validação de um fluxo assistencial em saúde mental, organizando o cuidado a partir da APS como coordenadora da atenção. O fluxo contempla acolhimento, classificação de necessidades, manejo clínico inicial, acompanhamento longitudinal e critérios de encaminhamento, integrando a atuação da eMulti, do CAPS e do CAPS itinerante como dispositivo de apoio matricial.
Como benefícios, destacam-se maior clareza na organização do processo de trabalho, fortalecimento da comunicação entre os serviços e aumento da segurança dos profissionais no manejo das demandas. Houve potencial redução de encaminhamentos inadequados e fortalecimento do cuidado no território. Como inovação, ressalta-se a construção colaborativa do fluxo, garantindo maior aderência às práticas e corresponsabilização das equipes. A experiência evidenciou o papel da Educação Permanente como indutora de mudanças e qualificação do cuidado em saúde mental.
Recomenda-se que a construção de fluxos assistenciais em saúde mental seja realizada de forma participativa, envolvendo todos os atores da rede de atenção. A utilização de metodologias ativas, como grupos focais e rodas de conversa, favorece a identificação de fragilidades e a construção de soluções contextualizadas. É fundamental garantir a pactuação entre os serviços e a valorização das experiências dos profissionais. Além disso, a implementação do fluxo deve estar articulada a processos contínuos de Educação Permanente, monitoramento e avaliação, assegurando sua efetividade. A experiência demonstra que estratégias colaborativas fortalecem o trabalho em rede e promovem maior resolutividade na APS.
SECRETARIA MUNICIPAL DE SAUDE DE UMBUZEIRO PB
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