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Projeto Viva Melhor

Liliana Cristina Mussi

Liliana Mussi

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Liliana Cristina Mussi

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O Projeto Viva Melhor é uma iniciativa de base comunitária desenvolvida em Campinas (SP) pela Oscip Terra das Andorinhas, focada na promoção da saúde e na prevenção combinada ao vírus da imunodeficiência humana (HIV). A intervenção articula ações extramuros em territórios periféricos, praças, escolas, unidades básicas de saúde e no sistema prisional. O público prioritário abrange gays e homens que fazem sexo com homens (HSH), pessoas em situação de rua (PSR), pessoas privadas de liberdade (PPL) e juventudes. A metodologia integra testagem rápida, distribuição de insumos, aconselhamento e atividades socioculturais, fortalecendo o vínculo entre populações vulnerabilizadas e o Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa contou com o apoio do Programa Municipal de IST/HIV/Aids e Hepatites Virais de Campinas.

Objetivo Geral:
– Promover ações de prevenção combinada ao HIV, ampliando o acesso à testagem, reduzindo vulnerabilidades sociais e fortalecendo o cuidado integral em saúde.
Objetivos Específicos
– Realizar ações comunitárias de aconselhamento, distribuição de insumos de prevenção, testagem rápida para HIV, encaminhamento, vinculação aos serviços e busca ativa;
– Oferecer apoio psicossocial e estratégias que favoreçam a adesão ao tratamento;
– Atuar no enfrentamento à discriminação e ao estigma, na defesa dos direitos humanos, no controle social das políticas públicas, na capacitação de grupos e lideranças, fortalecendo o ativismo e a promoção do advocacy.

A experiência trouxe benefícios relevantes ao Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente no campo da prevenção combinada ao HIV e da articulação comunitária em saúde. A principal contribuição foi a ampliação do acesso à informação, à testagem e à prevenção em territórios periféricos e populações prioritárias — gays e HSH, jovens, pessoas em situação de rua e pessoas privadas de liberdade — grupos historicamente afastados dos serviços de saúde por barreiras sociais, culturais e institucionais.

A epidemia de HIV/Aids em Campinas (SP) apresenta concentração desproporcional em populações-chave e prioritárias, evidenciando profundas iniquidades em saúde. Observa-se alta prevalência entre gays e homens que fazem sexo com homens (HSH), pessoas em situação de rua (PSR), pessoas privadas de liberdade (PPL) e juventudes., agravada por determinantes sociais como estigma, discriminação e vulnerabilidade extrema. Já no sistema prisional, as taxas de prevalência são ainda mais altas, refletindo a ausência de preservativos, o estigma relacionado às práticas sexuais entre homens e o acesso precário à saúde, prevenção e tratamento. Tais fatores erguem barreiras estruturais que dificultam o acesso à informação qualificada, à testagem precoce e à adesão aos métodos preventivos. Adicionalmente, a desinformação e o preconceito institucionalizado limitam a efetividade das políticas públicas tradicionais. Diante desse cenário, emergiu a necessidade imperativa de descentralizar o cuidado, implementando estratégias inovadoras de busca ativa e acolhimento extramuros para mitigar a transmissão e promover a equidade no acesso à saúde.

A execução de 120 ações comunitárias extramuros resultou no impacto direto sobre 378 HSH, 61 PSR, 3.500 PPL e aproximadamente 5.000 jovens. A estratégia viabilizou a distribuição em larga escala de insumos de prevenção (preservativos, gel lubrificante e autotestes), além da realização de testagens rápidas com encaminhamento imediato de casos reagentes para a rede especializada. Paralelamente, as intervenções socioculturais alcançaram indiretamente cerca de 170 mil pessoas, promovendo a desconstrução do estigma por meio da arte. Qualitativamente, a iniciativa consolidou a capacitação de lideranças comunitárias, fomentou o controle social das políticas públicas.

As ações extramuros aproximaram o SUS das comunidades, fortalecendo o vínculo da Atenção Primária em Saúde (APS) com a população. Ao realizar aconselhamento, distribuição de insumos, orientação sobre PrEP e PEP, testagem rápida e encaminhamentos, o projeto ampliou a cobertura de serviços e facilitou a vinculação de casos reagentes às unidades de saúde de referência e reduziu significativamente o tempo entre o diagnóstico e o início do tratamento antirretroviral. Assim, o projeto consolidou-se como uma experiência inovadora, articulando saúde, cultura e direitos humanos, com impacto direto na prevenção do HIV, na promoção do cuidado integral e na mobilização comunitária para o enfrentamento das vulnerabilidades sociais.

Recomenda-se o fortalecimento contínuo das parcerias entre o Sistema Único de Saúde (SUS) e as organizações da sociedade civil (OSCs) como estratégia central para a ampliação e o sucesso das ações extramuros. A experiência evidencia que as respostas de base comunitária são indispensáveis para acessar populações em situação de alta vulnerabilidade, dada a capilaridade, o vínculo de confiança e a capacidade de escuta qualificada que as organizações sociais possuem nos territórios. Para a efetividade dessas intervenções, é fundamental promover uma atuação conjunta e integrada entre diferentes frentes: o aconselhamento humanizado, a testagem rápida in loco e a promoção de atividades socioculturais. Essa união de esforços é o que permite transpor as barreiras históricas de acesso. Sugere-se, por fim, a expansão de processos formativos conjuntos que integrem profissionais de saúde da rede pública e educadores sociais atuantes na ponta. Essa capacitação mútua garante um acolhimento livre de estigmas, consolidando a sustentabilidade das ações de prevenção combinada e reafirmando o papel vital da sociedade civil organizada na defesa do direito à saúde.

autor Principal

Liliana Cristina Mussi

osciptda@gmail.com

Presidente

Coautores

Alexandre dos Santos Federici, Caio Cesar Sartori Junior, Liliana Cristina Mussi, Pedro Henrique Sartori

A prática foi aplicada em

Campinas

São Paulo

Sudeste

Esta prática está vinculada a

Av. Dr. Alberto Sarmento, 12 - Bonfim, Campinas - SP, Brasil

Uma organização do tipo

Terceiro Setor

Foi cadastrada por

Liliana Cristina Mussi

Conta vinculada

06 abr 2026

CADASTRO

06 abr 2026

ATUALIZAÇÃO

01 jan 2023

inicio

31 dez 2024

fim

Condição da prática

Concluída

Situação da Prática

Arquivos