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No município de Betim, aproximadamente 23.395 usuários estão diagnosticados com Diabetes Mellitus (DM). Entre as complicações crônicas mais relevantes do DM, destaca-se a retinopatia diabética, considerada a principal causa de cegueira evitável em adultos em idade produtiva. A retinografia, exame oftalmológico que permite a visualização detalhada da retina, constitui uma ferramenta essencial para o diagnóstico precoce dessa e de outras doenças oculares. Contudo, a capacidade instalada do município limitava-se à oferta de 70 exames de retinografia por mês, o que, considerando a população diagnosticada com DM, resultaria em um tempo estimado de 27 anos para que todos os usuários realizassem ao menos um exame. Diante dessa realidade, foi implementado um programa de telerretinografia voltado prioritariamente aos usuários classificados como de alto e muito alto risco para complicações do DM. A telerretinografia é um exame não invasivo, de execução rápida, que permite a captação de imagens da retina para análise remota por especialistas, favorecendo o rastreamento precoce da retinopatia diabética e possibilitando intervenções oportunas. Este trabalho descreve a experiência de implantação do programa de telerretinografia no Centro de Referência em Especialidades Divino Ferreira Braga, em Betim, como estratégia para ampliar o acesso ao exame e fortalecer a linha de cuidado das pessoas com diabetes.
Objetivo geral: Descrever o processo de implantação do serviço de telerretinografia para usuários diabéticos no município de Betim. Objetivos específicos: •Identificar precocemente as complicações oculares em indivíduos com diabetes mellitus, por meio da realização de exames de retinografia •Contribuir para a prevenção da cegueira e melhorar a qualidade do atendimento na rede SUS Betim •Otimizar o referenciamento de casos suspeitos ou confirmados de alterações oculares, para que recebam avaliação oftalmológica com maior precisão e rapidez •Reduzir o tempo de espera para consultas oftalmológicas, implementando um fluxo de triagem mais eficiente, baseado nos resultados da telerretinografia •Fortalecer a integração entre a atenção primária, os serviços especializados e os de diagnóstico, promovendo um modelo de cuidado integral e resolutivo para os usuários •Contribuir para a redução de casos de perda visual evitável entre os usuários diabéticos da rede SUS Betim.
O projeto foi desenvolvido por meio de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Saúde de Betim e o Núcleo de Telessaúde da Universidade Federal de Minas Gerais (Nutel/UFMG), sendo executado no CRE Divino Ferreira Braga. O público-alvo compreende usuários diagnosticados com DM, estratificados como de alto e muito alto risco. O projeto foi integrado ao fluxo assistencial da linha de cuidado HAS/DM. A partir da implantação, os usuários encaminhados para o primeiro atendimento com a equipe multiprofissional passaram a ser também agendados, de forma sistemática, para a realização da telerretinografia. A captação das imagens retinianas é realizada por profissional do Nutel, que as encaminha para emissão de laudo remoto por especialista em oftalmologia. A capacidade instalada prevê a realização de 25 exames por semana, com emissão de laudos em até 72 horas, por meio de plataforma digital. As enfermeiras da linha de cuidado HAS/DM acessam os resultados pela plataforma e os encaminham às Unidades Básicas de Saúde (UBS) de referência dos usuários. Nos casos com achados alterados, a Diretoria de Regulação do município realiza a priorização do agendamento de consultas oftalmológicas, assegurando a continuidade do cuidado. O monitoramento do projeto é realizado a partir da análise de três indicadores principais: (I) número total de usuários agendados para a telerretinografia no período (II) número de exames efetivamente realizados e (III) taxa de absenteísmo.
O município enfrentava importantes limitações relacionadas à capacidade instalada para a realização de retinografia. Considerando o quantitativo de exames então disponibilizado, estimava-se que seriam necessários aproximadamente 27 anos para que cada usuário com diabetes tivesse acesso a, pelo menos, um exame, evidenciando uma significativa barreira de acesso e comprometendo a efetividade das ações de prevenção de agravos. Diante desse cenário, foi identificada como estratégia a formalização de parceria com o Núcleo de Telessaúde da Universidade Federal de Minas Gerais (Nutel/UFMG). A partir dessa colaboração, houve ampliação expressiva da oferta mensal de exames de retinografia, passando de 70 para 170 exames por mês. Essa expansão representa um avanço relevante na qualificação da assistência, ao ampliar o acesso dos usuários diabéticos ao exame, possibilitando o diagnóstico precoce de alterações retinianas e a implementação oportuna de intervenções.
O serviço de telerretinografia foi implantado em 15 de julho de 2024, no Centro de Referência em Especialidades Divino Ferreira Braga, em Betim (MG). Até 30 de abril de 2025, foram agendados 777 usuários com diagnóstico de diabetes classificados como de alto e muito alto risco. Desse total, 522 usuários (67,2%) compareceram e realizaram o exame. Entre os exames realizados, os resultados foram os seguintes: 181 usuários (34,7%) apresentaram alterações sugestivas de retinopatia diabética, 269 exames (51,5%) foram classificados como dentro da normalidade e 72 exames (13,8%) foram considerados inconclusivos. Os exames com resultado normal não exigem encaminhamento ao oftalmologista, o que contribui diretamente para a redução da fila de espera por consultas de oftalmologia. Por outro lado, os usuários com exames alterados são priorizados para atendimento oftalmológico, permitindo maior agilidade na condução dos casos com risco de complicações visuais. A alta proporção de exames normais evidencia a efetividade da estratégia em promover triagem qualificada e otimizar recursos da rede de saúde. No entanto, o índice de absenteísmo (32,8%) ainda representa um desafio relevante para a consolidação do cuidado, sinalizando a necessidade de adoção de estratégias específicas para aumentar a adesão dos usuários ao serviço. Esses resultados reforçam a relevância da telerretinografia como ferramenta de apoio ao diagnóstico precoce, promovendo encaminhamentos mais resolutivos e qualificando o cuidado da pessoa com diabetes.
A implantação do programa de telerretinografia em Betim ampliou a oferta de exames de 70 para 170 por mês, reduzindo o tempo de espera e aumentando o acesso ao diagnóstico precoce da retinopatia diabética. A estratégia permitiu a realização de 522 exames em pacientes com diabetes de alto e muito alto risco, otimizando o fluxo de encaminhamentos e priorizando os casos que realmente demandam avaliação especializada. A utilização da retinografia como triagem qualificou o cuidado, evitou sobrecarga nos serviços oftalmológicos e contribuiu para a alocação mais eficiente dos recursos da rede. Além disso, a incorporação da tecnologia superou barreiras geográficas, promovendo maior equidade no acesso. Apesar dos avanços, o absenteísmo, atualmente em 32,8%, permanece como um desafio, indicando a necessidade de ações de mobilização, comunicação efetiva com os usuários e revisão de processos. A experiência reforça o potencial da telerretinografia como ferramenta estratégica no SUS para prevenção da cegueira e fortalecimento da atenção à saúde da pessoa com diabetes.
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