PrEPara: equidade no acesso à profilaxia pré-exposição e ampliação da cobertura vacinal contra o HPV e hepatites entre populações chave

As ações ocorreram no Ambulatório LGBTI+ Abby Moreira, situado na cidade de Jaboatão dos Guararapes, no bairro de Piedade, pertencente à Regional 6 de Saúde. Esse território caracteriza-se por ser uma área urbana de grande circulação populacional, marcada pela diversidade social e cultural, além de desafios relacionados ao acesso equitativo aos serviços de saúde. O ambulatório, enquanto espaço físico de referência, foi o local central das atividades, ofertando acolhimento, vacinação, testagem rápida, prescrição de PrEP e ações educativas. Sua localização estratégica favoreceu a aproximação com a comunidade e o fortalecimento das políticas de equidade em saúde.
Objetivo Geral: Promover a prevenção combinada do HIV e de outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), bem como a atualização vacinal e o acesso equitativo à saúde, por meio da implementação de estratégias educativas, intersetoriais e culturais voltadas para populações-chave atendidas no Ambulatório LGBTI+ Abby Moreira, fortalecendo a integralidade do cuidado no SUS.
Objetivos Específicos: 1.Realizar ações mensais de saúde articuladas a eventos culturais locais, favorecendo a adesão da população-chave às estratégias de prevenção e promoção da saúde; 2.Garantir a oferta de serviços integrados, incluindo acolhimento, escuta qualificada, atualização vacinal, prescrição e dispensação de PrEP, aconselhamento e testagem rápida para HIV, sífilis e hepatites; 3.Ampliar o acesso e a cobertura vacinal contra HPV e hepatite A e B, priorizando pessoas em uso da PrEP; 4. Fortalecer o uso de tecnologias digitais, como o WhatsApp, para busca ativa, divulgação de ações e ampliação do alcance da estratégia junto à população; 5.Estimular a vinculação imediata da população atendida aos serviços de saúde, promovendo o acompanhamento longitudinal e contínuo; 6.Fomentar a equidade no acesso e a integralidade no cuidado, reduzindo barreiras de discriminação, estigma e vulnerabilidades sociais.
A experiência foi divulgada por meio de múltiplos canais, garantindo visibilidade e engajamento da comunidade. O WhatsApp foi utilizado para busca ativa e envio de lembretes personalizados. Em nível institucional, a apresentação ocorreu em espaços como o Conselho Municipal LGBT, fortalecendo a articulação política e social. As universidades também foram parceiras estratégicas, com participação em projetos de extensão, estágios e eventos acadêmicos. Além disso, as redes sociais tiveram papel central: o Instagram do ambulatório e de coletivos parceiros foi utilizado para ampliar o alcance, divulgar ações temáticas e fortalecer a comunicação com a população-chave.

Homens cisgêneros gays e mulheres transexuais são desproporcionalmente afetados pelo HIV, sendo considerados populações-chave. Em relação ao HPV, estudos indicam maior prevalência da infecção entre homens que fazem sexo com homens (HSH), especialmente pelo tipo 16, associado a risco aumentado de câncer anal. A infecção pelo HPV também está relacionada a outros tipos de câncer, como colo do útero, ânus, pênis e orofaringe, evidenciando a importância de estratégias de prevenção específicas para populações vulnerabilizadas. Esses dados refletem o histórico de exclusão e violação de direitos a que essas pessoas estão submetidas, o que contribui para o difícil acesso aos serviços de saúde e maior exposição a vulnerabilidades sociais decorrentes do preconceito e discriminação. Homens gays, bissexuais, HSH e pessoas trans estão entre os grupos prioritários para acesso à PrEP e à vacina contra o HPV e a Hepatite A e B, reforçando a necessidade de estruturação de espaços acolhedores no SUS para garantir o acesso contínuo a essas tecnologias de prevenção. Durante a reunião de equipe e com os grupos pertencentes à população-chave atendida no Ambulatório LGBTI+ Abby Moreira, foram identificados problemas prioritários que impactam diretamente a saúde da comunidade: 1. Aumento dos casos de HIV e outras ISTs notificados: Observou-se crescimento no número de registros de novas infecções por HIV e outras Infecções Sexualmente Transmissíveis, evidenciando fragilidades nos processos de prevenção, testagem e acompanhamento clínico. 2. Cadernetas vacinais desatualizadas: Muitos usuários apresentaram esquemas vacinais incompletos ou desatualizados, especialmente em relação às vacinas de prevenção às ISTs (como HPV e hepatite A e B). Isso reflete falhas na integração das ações de imunização com os serviços especializados. 3. Maior risco de infecção pelo HIV e outras ISTs. A soma desses fatores – aumento dos casos notificados e falhas na cobertura vacinal – gera maior vulnerabilidade da população atendida, ampliando o risco de novas infecções e reinfecções.

A experiência mobilizou a Coordenação de Saúde da População Negra e LGBT do município e a equipe multiprofissional do Ambulatório LGBTI+ Abby Moreira, garantindo articulação institucional. Em termos físicos, o serviço foi utilizado como espaço central para vacinação, testagem e acolhimento. Os recursos humanos contaram com profissionais do SUS, residentes e estudantes universitários, assegurando interdisciplinaridade e engajamento comunitário. Já os materiais incluíram preservativos, gel lubrificante, autotestes, vacinas, kits de testagem rápida, materiais educativos e equipamentos clínicos básicos disponíveis no local. As parcerias com universidades, coletivos sociais e o Conselho ampliaram o alcance, fortaleceram a legitimidade e garantiram sustentabilidade à experiência. A execução das atividades realizadas pelo Ambulatório LGBTI+ Abby Moreira trouxe avanços significativos no enfrentamento ao HIV, às ISTs e na promoção da saúde. Um dos principais resultados foi a ampliação do acesso à PrEP. Em dois anos, observou-se um crescimento expressivo de 650% no número de pessoas acompanhadas, passando de 20 usuários em fevereiro de 2023 para 150 em fevereiro de 2025. Esse aumento reflete não apenas a expansão dos pontos de dispensação, mas também o fortalecimento do vínculo entre a população e os serviços de saúde, evidenciando maior adesão à estratégia de prevenção. Outro resultado relevante refere-se à cobertura vacinal contra o HPV. Entre os usuários em uso da PrEP, 85% foram vacinados, o que representa um marco importante para a equidade no acesso à saúde e para a redução de riscos associados ao câncer anal, cervical e orofaríngeo. Além disso, a integração das ações possibilitou a ampliação da oferta de outras vacinas do calendário vacinal adulto, reforçando a perspectiva da prevenção integral e abrangente. A metodologia implementada também se destacou por viabilizar o diagnóstico e o tratamento precoce de ISTs e outros agravos, pautados em uma abordagem centrada na pessoa. O acolhimento e a escuta qualificada contribuíram para fortalecer a confiança dos usuários e reduzir barreiras históricas de acesso. Somado a isso, a adoção de estratégias temáticas alinhadas ao calendário cultural local favoreceu a adesão e a participação ativa da população. As ações (PREP)ara o São João, (PREP)ara o Carnaval e (PREP)ara Sorrir exemplificam como a integração entre cultura e saúde pode ampliar o alcance e estimular vínculos. Esses resultados demonstram não apenas a efetividade da intervenção, mas também seu potencial de replicabilidade e contribuição para políticas públicas inclusivas, alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e à meta 90-90-90 da UNAIDS.

A experiência desenvolvida no Ambulatório LGBTI+ Abby Moreira trouxe benefícios expressivos para o Sistema Único de Saúde (SUS), sobretudo no fortalecimento da estratégia de prevenção combinada do HIV e de outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). Um dos principais avanços foi a ampliação do acesso às tecnologias de prevenção. Em dois anos, o número de usuários em uso de PrEP cresceu de forma significativa, somado à ampliação da cobertura vacinal contra HPV e hepatite A e B, à oferta da testagem e à distribuição regular de preservativos e lubrificantes. Essa integração demonstrou a efetividade de um modelo que garante maior proteção à população-chave. Outro benefício foi a articulação com a Rede de Atenção à Saúde (RAS), fortalecida pela integração entre o ambulatório especializado e as unidades do território. Essa aproximação possibilitou atualização vacinal, encaminhamentos resolutivos e acompanhamento longitudinal, reafirmando os princípios de integralidade e universalidade que estruturam o SUS. A experiência também contribuiu para a redução de vulnerabilidades sociais e em saúde, ao desenvolver ações educativas integradas ao calendário cultural local e adotar práticas de acolhimento e escuta qualificada. Esse modelo ampliou a confiança nos serviços, reduziu barreiras históricas de acesso e promoveu vínculos duradouros. Além disso, o uso de ferramentas digitais, como WhatsApp e Instagram, potencializou a busca ativa, a comunicação direta com a comunidade e a divulgação das ações, fortalecendo o engajamento e a visibilidade da política pública. Assim, a experiência está alinhada às Diretrizes para a Eliminação da Aids e da Transmissão do HIV até 2030 e representa uma inovação replicável no SUS, que contribui para a equidade, para a consolidação da saúde como direito e para o alcance de metas nacionais e globais, como a estratégia 90-90-90 da UNAIDS e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

autor Principal

Danilo Martins Roque Pereira

danilomartins_ufpe@hotmail.com

Coordenação de Saúde da População Negra e LGBTI+ do Jaboatão dos Guararapes (PE)

Coautores

Danilo Martins Roque Pereira, Zelma de Fátima Chaves Pessôa, Roberta Rayssa Magalhães da Silva

A prática foi aplicada em

Jaboatão dos Guararapes

Pernambuco

Nordeste

Esta prática está vinculada a

Secretaria de Saúde da Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes - Avenida Barreto de Menezes - Prazeres, Jaboatão dos Guararapes - PE, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Danilo Martins Roque Pereira

Conta vinculada

03 dez 2025

CADASTRO

03 dez 2025

ATUALIZAÇÃO

01 jul 2024

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