favor seguir as recomendações abaixo:
Diante das dificuldades históricas enfrentadas pela população transgênero (TRANS) no acesso aos serviços de saúde, marcadas por preconceito, barreiras institucionais e ausência de estratégias específicas de acolhimento, a Secretaria Municipal de Saúde desenvolveu a Agenda de Saúde da População TRANS como uma proposta estruturante para qualificar o cuidado e promover a equidade. A iniciativa surgiu a partir da necessidade de reorganizar os fluxos de atendimento, ampliar o acesso aos serviços e fortalecer o vínculo entre usuários e profissionais da rede municipal. A Agenda foi planejada com o objetivo de reduzir barreiras assistenciais, garantir um acompanhamento contínuo e promover um atendimento mais humanizado, respeitoso e inclusivo, alinhado aos princípios do SUS. Além disso, busca orientar sobre prevenção de doenças, educação em saúde e autocuidado, contribuindo para uma assistência integral e resolutiva. A justificativa para sua criação baseou-se na baixa procura dessa população pelos serviços de saúde, nas dificuldades de acompanhamento longitudinal e na necessidade de instrumentos que organizassem o registro das informações clínicas e sociais. Implementada em janeiro de 2024, a estratégia passou a integrar a rotina das equipes de saúde como ferramenta prática para registro, agendamento e monitoramento do cuidado. Ao longo do desenvolvimento da experiência, a Agenda consolidou-se como referência no atendimento à população TRANS no município de Tibau do Sul/RN, favorecendo um acompanhamento mais próximo e eficaz. A experiência também tem contribuído para qualificação dos profissionais, fortalecimento da confiança dos usuários no sistema de saúde e ampliação da adesão aos serviços da Atenção Primária. Como resultado, observam-se avanços na organização do cuidado, maior sensibilidade institucional às diversidades e impactos positivos na qualidade da assistência ofertada.
As pessoas transgênero (TRANS) frequentemente enfrentam situações de preconceito, estigmatização e discriminação ao buscarem atendimento nos serviços de saúde, o que contribui para sentimentos de insegurança, invisibilidade e afastamento dos cuidados necessários. Além disso, muitos profissionais e unidades ainda não se encontram plenamente preparados para acolher essa população de forma adequada, respeitosa e qualificada, considerando suas especificidades sociais, culturais e de saúde. No nosso município, observa-se uma baixa procura das pessoas TRANS pelos serviços da Atenção Primária à Saúde, o que pode estar diretamente relacionado às barreiras de acesso, experiências negativas anteriores e à falta de estratégias direcionadas para esse público. Paralelamente, identificamos uma preocupante elevação nos casos de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), reforçando a necessidade urgente de intervenções estruturadas, contínuas e baseadas em evidências. Diante desse cenário, esta iniciativa propõe, por meio da implementação de uma Agenda específica de cuidado, o desenvolvimento de um conjunto integrado de ações voltadas para a promoção da saúde, prevenção de agravos e ampliação do acesso qualificado. Busca-se estabelecer um serviço de saúde mais humanizado, acolhedor e inclusivo, que respeite a diversidade de identidades de gênero e promova a equidade no atendimento. Espera-se, ainda, fortalecer o vínculo e a confiança das pessoas TRANS no sistema de saúde, ampliar a adesão aos serviços da Atenção Primária, incentivar práticas de autocuidado e contribuir para melhores indicadores de saúde e qualidade de vida dessa população.
A Agenda TRANS foi implementada em janeiro de 2024, após um ano sendo utilizada, a quantidade de atendimentos e procedimentos realizados com a população TRANS do município na Atenção Primária triplicou em comparação com o ano anterior. Os resultados aqui apresentados mostram que em 2023 tivemos 26 atendimentos com 38 procedimentos de saúde realizados e em 2024 esse número foi de 81 atendimentos e 131 procedimentos realizados com 18 pacientes TRANS que são acompanhados pela Agenda. Nesse período realizamos três encontros com os pacientes com a realização de atividades coletivas. Foram realizadas duas campanhas nas redes sociais oficiais do município para combate ao preconceito e discriminação com a população TRANS. Após o monitoramento inicial identificamos diversos casos de Infecções Sexualmente Transmissíveis nos pacientes TRANS e em seus parceiros. Esses pacientes foram encaminhados imediatamente para a equipe especializada e atualmente concluíram o tratamento. Além disso, foram atualizados todos os cadastros dos pacientes TRANS, incluindo o nome social e a identidade de gênero correta nos prontuários eletrônicos, apresentando de maneira adequada os usuários nos
painéis de chamada das unidades de saúde. Os relatos dos pacientes mostram que, após a implementação da Agenda de Saúde os atendimentos se tornaram mais acolhedores e humanizados e que os profissionais da rede de saúde atualmente apresentam maior segurança e propriedade durante as consultas.
Para implementar uma prática semelhante, recomenda-se inicialmente realizar um diagnóstico situacional do território, identificando demandas específicas da população TRANS, barreiras de acesso e principais agravos em saúde. É fundamental envolver a gestão, as equipes multiprofissionais e representantes da própria comunidade TRANS desde o planejamento, garantindo escuta qualificada e participação ativa. Invista na capacitação permanente dos profissionais, com foco em acolhimento, uso do nome social, diversidade de gênero e abordagem clínica humanizada. Desenvolva um instrumento simples de acompanhamento, como uma agenda ou prontuário estruturado, que facilite o registro e o cuidado longitudinal. Organize fluxos claros para encaminhamentos e monitoramento de ISTs e outras demandas prioritárias. Promova ações coletivas e campanhas educativas para reduzir o estigma e ampliar o acesso aos serviços. Utilize dados locais para monitorar indicadores e ajustar as estratégias continuamente. Estabeleça metas realistas e avaliações periódicas com a equipe. Garanta apoio institucional para sustentabilidade da iniciativa. Por fim, valorize os relatos dos usuários como ferramenta de avaliação da qualidade do cuidado e fortalecimento do vínculo com a rede de saúde.
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