Agenda trans: equidade e humanização no acesso aos serviços de saúde na atenção primária

JÚLIO SÓCRATES

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JÚLIO SÓCRATES PEIXOTO DA SILVA

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Diante das dificuldades históricas enfrentadas pela população transgênero (TRANS) no acesso aos serviços de saúde, marcadas por preconceito, barreiras institucionais e ausência de estratégias específicas de acolhimento, a Secretaria Municipal de Saúde desenvolveu a Agenda de Saúde da População TRANS como uma proposta estruturante para qualificar o cuidado e promover a equidade. A iniciativa surgiu a partir da necessidade de reorganizar os fluxos de atendimento, ampliar o acesso aos serviços e fortalecer o vínculo entre usuários e profissionais da rede municipal. A Agenda foi planejada com o objetivo de reduzir barreiras assistenciais, garantir um acompanhamento contínuo e promover um atendimento mais humanizado, respeitoso e inclusivo, alinhado aos princípios do SUS. Além disso, busca orientar sobre prevenção de doenças, educação em saúde e autocuidado, contribuindo para uma assistência integral e resolutiva. A justificativa para sua criação baseou-se na baixa procura dessa população pelos serviços de saúde, nas dificuldades de acompanhamento longitudinal e na necessidade de instrumentos que organizassem o registro das informações clínicas e sociais. Implementada em janeiro de 2024, a estratégia passou a integrar a rotina das equipes de saúde como ferramenta prática para registro, agendamento e monitoramento do cuidado. Ao longo do desenvolvimento da experiência, a Agenda consolidou-se como referência no atendimento à população TRANS no município de Tibau do Sul/RN, favorecendo um acompanhamento mais próximo e eficaz. A experiência também tem contribuído para qualificação dos profissionais, fortalecimento da confiança dos usuários no sistema de saúde e ampliação da adesão aos serviços da Atenção Primária. Como resultado, observam-se avanços na organização do cuidado, maior sensibilidade institucional às diversidades e impactos positivos na qualidade da assistência ofertada.

As pessoas transgênero (TRANS) frequentemente enfrentam situações de preconceito, estigmatização e discriminação ao buscarem atendimento nos serviços de saúde, o que contribui para sentimentos de insegurança, invisibilidade e afastamento dos cuidados necessários. Além disso, muitos profissionais e unidades ainda não se encontram plenamente preparados para acolher essa população de forma adequada, respeitosa e qualificada, considerando suas especificidades sociais, culturais e de saúde. No nosso município, observa-se uma baixa procura das pessoas TRANS pelos serviços da Atenção Primária à Saúde, o que pode estar diretamente relacionado às barreiras de acesso, experiências negativas anteriores e à falta de estratégias direcionadas para esse público. Paralelamente, identificamos uma preocupante elevação nos casos de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), reforçando a necessidade urgente de intervenções estruturadas, contínuas e baseadas em evidências. Diante desse cenário, esta iniciativa propõe, por meio da implementação de uma Agenda específica de cuidado, o desenvolvimento de um conjunto integrado de ações voltadas para a promoção da saúde, prevenção de agravos e ampliação do acesso qualificado. Busca-se estabelecer um serviço de saúde mais humanizado, acolhedor e inclusivo, que respeite a diversidade de identidades de gênero e promova a equidade no atendimento. Espera-se, ainda, fortalecer o vínculo e a confiança das pessoas TRANS no sistema de saúde, ampliar a adesão aos serviços da Atenção Primária, incentivar práticas de autocuidado e contribuir para melhores indicadores de saúde e qualidade de vida dessa população.

A Agenda TRANS foi implementada em janeiro de 2024, após um ano sendo utilizada, a quantidade de atendimentos e procedimentos realizados com a população TRANS do município na Atenção Primária triplicou em comparação com o ano anterior. Os resultados aqui apresentados mostram que em 2023 tivemos 26 atendimentos com 38 procedimentos de saúde realizados e em 2024 esse número foi de 81 atendimentos e 131 procedimentos realizados com 18 pacientes TRANS que são acompanhados pela Agenda. Nesse período realizamos três encontros com os pacientes com a realização de atividades coletivas. Foram realizadas duas campanhas nas redes sociais oficiais do município para combate ao preconceito e discriminação com a população TRANS. Após o monitoramento inicial identificamos diversos casos de Infecções Sexualmente Transmissíveis nos pacientes TRANS e em seus parceiros. Esses pacientes foram encaminhados imediatamente para a equipe especializada e atualmente concluíram o tratamento. Além disso, foram atualizados todos os cadastros dos pacientes TRANS, incluindo o nome social e a identidade de gênero correta nos prontuários eletrônicos, apresentando de maneira adequada os usuários nos
painéis de chamada das unidades de saúde. Os relatos dos pacientes mostram que, após a implementação da Agenda de Saúde os atendimentos se tornaram mais acolhedores e humanizados e que os profissionais da rede de saúde atualmente apresentam maior segurança e propriedade durante as consultas.

Para implementar uma prática semelhante, recomenda-se inicialmente realizar um diagnóstico situacional do território, identificando demandas específicas da população TRANS, barreiras de acesso e principais agravos em saúde. É fundamental envolver a gestão, as equipes multiprofissionais e representantes da própria comunidade TRANS desde o planejamento, garantindo escuta qualificada e participação ativa. Invista na capacitação permanente dos profissionais, com foco em acolhimento, uso do nome social, diversidade de gênero e abordagem clínica humanizada. Desenvolva um instrumento simples de acompanhamento, como uma agenda ou prontuário estruturado, que facilite o registro e o cuidado longitudinal. Organize fluxos claros para encaminhamentos e monitoramento de ISTs e outras demandas prioritárias. Promova ações coletivas e campanhas educativas para reduzir o estigma e ampliar o acesso aos serviços. Utilize dados locais para monitorar indicadores e ajustar as estratégias continuamente. Estabeleça metas realistas e avaliações periódicas com a equipe. Garanta apoio institucional para sustentabilidade da iniciativa. Por fim, valorize os relatos dos usuários como ferramenta de avaliação da qualidade do cuidado e fortalecimento do vínculo com a rede de saúde.

autor Principal

JÚLIO SÓCRATES

juliosocratess@gmail.com

COORDENADOR DA EQUIPE MULTIPROFISSIONAL (eMULTI)

Coautores

JÚLIO SÓCRATES, LIANNA KELLY SOUZA AGUIAR, JUCILEIDE BARROS DE ALBUQUERQUE COSTA.

A prática foi aplicada em

Tibau do Sul

Rio Grande do Norte

Nordeste

Esta prática está vinculada a

Rua Rivaldo Rodrigues, 15, Tibau do Sul - RN, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

JÚLIO SÓCRATES PEIXOTO DA SILVA

Conta vinculada

27 fev 2026

CADASTRO

27 fev 2026

ATUALIZAÇÃO

30 jan 2024

inicio

fim

Condição da prática

Andamento

Situação da Prática

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