PrEP 1519 Escolhas: protagonismo juvenil, navegação por pares e prevenção ao HIV

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Alexandre Grangeiro, Eduardo Oliveira, Eliane Sala, Marcia Thereza Couto, Paola Alves

Eduardo Oliveira

Eduardo Araújo de Oliveira

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A experiência PrEP1519 Escolhas integra um estudo multicêntrico desenvolvido em três capitais brasileiras: São Paulo (SP), Salvador (BA) e Belo Horizonte (MG). O estudo é conduzido, respectivamente, pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), por meio de uma rede colaborativa dedicada ao desenvolvimento de estratégias inovadoras para ampliação do acesso à prevenção do HIV entre adolescentes e jovens de minorias sexuais e de gênero. Embora o projeto seja desenvolvido de forma articulada entre os três centros, este relato de experiência focaliza exclusivamente a implementação realizada no município de São Paulo.

No município de São Paulo, a experiência vem sendo desenvolvida desde 2019 por meio da articulação entre a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, uma Unidade Básica de Saúde localizada no bairro do Butantã e a Casa 1, organização da sociedade civil voltada ao acolhimento da população LGBTQIAPN+, situada na região da Bela Vista. A iniciativa foi concebida para aproximar as estratégias de prevenção do HIV dos territórios de sociabilidade de adolescentes e jovens LGBTQIAPN+, reconhecendo que barreiras relacionadas ao estigma, à discriminação, às dificuldades de acolhimento e ao distanciamento entre os serviços de saúde e os espaços comunitários frequentemente limitam o acesso dessa população à prevenção combinada.

O objetivo da experiência foi implementar e avaliar uma estratégia territorializada e participativa de prevenção ao HIV voltada para adolescentes e jovens trans e homens cis gays, bissexuais e outros homens que fazem sexo com homens (HSH) de 15 a 19 anos em maior vulnerabilidade social. Para isso, foram ofertadas diferentes modalidades de PrEP, incluindo a PrEP oral diária, a PrEP sob demanda e, posteriormente, a PrEP injetável de longa duração, articuladas a ações de acolhimento, escuta qualificada, educação em saúde, testagem para HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis, além do fortalecimento dos vínculos entre participantes e serviços de saúde.

Além de ampliar o acesso às tecnologias de prevenção, a experiência buscou compreender os fatores que influenciam a aceitabilidade, a adesão e a permanência na PrEP, identificar barreiras e facilitadores relacionados ao acesso à prevenção combinada e fortalecer a articulação entre adolescentes e jovens, profissionais de saúde, universidade e organização da sociedade civil. Outro aspecto central da iniciativa foi promover o protagonismo juvenil na construção de ações educativas, comunicacionais e territoriais, reconhecendo os próprios jovens como participantes ativos na produção do cuidado e na organização das estratégias desenvolvidas.

Ao longo de sua implementação, a experiência consolidou um modelo de cuidado comunitário fundamentado na integração entre ensino, serviço e comunidade, demonstrando a viabilidade da oferta da PrEP em um espaço de sociabilidade já legitimado pelos adolescentes e jovens. Essa articulação possibilitou desenvolver estratégias culturalmente sensíveis, fortalecer vínculos entre os participantes e o Sistema Único de Saúde e ampliar o acesso à prevenção combinada em contextos comunitários. A experiência demonstra o potencial da integração entre universidade, serviço de saúde e organização da sociedade civil para o desenvolvimento de modelos inovadores de cuidado, passíveis de adaptação e implementação em outros territórios do SUS.

A implementação da experiência foi motivada pela persistência de importantes desigualdades no acesso à prevenção do HIV entre adolescentes e jovens LGBTQIAPN+ no município de São Paulo. Embora a cidade disponha de uma ampla rede de serviços e apresente os maiores indicadores nacionais de utilização da profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP), adolescentes e jovens continuam enfrentando barreiras relacionadas ao acesso, à permanência e à continuidade do cuidado, evidenciando que a disponibilidade da tecnologia, por si só, não é suficiente para garantir sua utilização de forma equitativa.

Essas desigualdades são particularmente expressivas entre adolescentes e jovens. Em São Paulo, 25% dos novos casos de HIV concentram-se na população de 15 a 24 anos, cuja taxa de detecção é 4,4 vezes superior à observada na população geral. Além disso, a descontinuidade da PrEP alcança 41% dos usuários, chegando a 73% entre menores de 18 anos e a 60% entre jovens de 18 a 24 anos. Os dados também evidenciam desigualdades raciais e sociais: embora 63% dos casos de HIV ocorram entre pessoas negras, os usuários da PrEP apresentam maior escolaridade e maior proporção de pessoas brancas, indicando que os grupos mais vulnerabilizados permanecem com menor acesso às estratégias de prevenção. Entre pessoas trans e travestis, os desafios são ainda mais acentuados, uma vez que o estigma, a discriminação e a violência institucional continuam afastando essa população dos serviços de saúde.

Diante desse cenário, identificou-se a necessidade de desenvolver uma estratégia capaz de aproximar a prevenção dos territórios onde adolescentes e jovens LGBTQIAPN+ constroem suas redes de sociabilidade, estabelecem vínculos e vivenciam suas experiências afetivas e sexuais. A experiência foi implementada em um território da região central de São Paulo reconhecido pelos próprios jovens como espaço de circulação, convivência e expressão de suas identidades, buscando reduzir barreiras de acesso por meio de uma abordagem comunitária, territorializada, participativa e articulada entre universidade, serviço de saúde e organização da sociedade civil. A iniciativa constituiu uma oportunidade para aperfeiçoar a oferta da PrEP no SUS, fortalecendo estratégias de cuidado mais acolhedoras, culturalmente sensíveis e orientadas pelos princípios da equidade.

A experiência contribui para o SUS ao produzir evidências sobre acesso, prescrição, adesão e retenção em PrEP oral e injetável entre adolescentes e jovens trans e homens cis gays, bissexuais e outros HSH. Os resultados demonstram o interesse dessa população por modalidades preventivas mais compatíveis com suas rotinas, contextos familiares e condições de vida, particularmente aquelas que reduzem estigma, discriminação e necessidade de ocultação do medicamento.

A iniciativa fortalece a prevenção combinada ao demonstrar que serviços comunitários, construídos em articulação com movimentos sociais, podem atuar de forma complementar aos serviços públicos de saúde na saúde sexual. A atuação territorializada amplia o acesso de populações historicamente afastadas dos serviços tradicionais, como adolescentes negros, trans, travestis, não binários e moradores de periferias.

Além disso, o modelo contribui para a redução de desigualdades ao incorporar educadores de pares, participação juvenil, escuta qualificada e abordagem interseccional no cuidado. A experiência evidencia a importância do protagonismo dos movimentos sociais e dos próprios adolescentes e jovens em seus territórios situados, apontando caminhos para reorganizar a prevenção do HIV no SUS por meio de práticas mais participativas, acolhedoras, inovadoras e culturalmente conectadas às juventudes.

As principais lições aprendidas indicam que estratégias de cuidado em saúde sexual, especialmente a PrEP, para adolescentes e jovens não podem ser dissociadas da participação ativa dessa população na construção do cuidado. A experiência demonstrou que gênero, raça/cor, classe social, territorialidade, orientação sexual e identidade de gênero atravessam o acesso à prevenção e precisam orientar práticas de acolhimento, vínculo e permanência.
Entre os desafios, destacam-se barreiras institucionais, estigma, discriminação, dificuldades de continuidade do cuidado e necessidade de adequar linguagem, horários, atividades e fluxos às realidades juvenis. Como recomendação, outras iniciativas devem investir em modelos comunitários, interseccionais e participativos, com navegação por pares, equipes diversas e escuta qualificada.
A experiência evidenciou que o protagonismo juvenil fortalece pertencimento, confiança e autonomia, favorecendo a aproximação de outros adolescentes e jovens aos espaços de prevenção e cuidado.

autor Principal

Alexandre Grangeiro, Eduardo Oliveira, Eliane Sala, Marcia Thereza Couto, Paola Alves

eduardoliveirapsc@gmail.com

Coordenador de campo

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A prática foi aplicada em

São Paulo

São Paulo

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Instituição Pública

Foi cadastrada por

Eduardo Araújo de Oliveira

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06 jul 2026

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06 jul 2026

ATUALIZAÇÃO

01 fev 2019

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