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1.Apresentação
A população em situação de rua (PSR) constitui um dos segmentos de maior vulnerabilidade social e epidemiológica, enfrentando barreiras estruturais, estigma e dificuldades históricas de acesso integral aos serviços de saúde. Esse contexto favorece maior exposição a agravos clínicos, transtornos mentais, uso problemático de substâncias psicoativas e infecções transmissíveis, exigindo respostas intersetoriais e territorializadas do Sistema Único de Saúde (SUS). Em Patos de Minas (MG), diante dessa realidade, a Equipe de Consultório na Rua (eCR) atua como estratégia da Atenção Primária para romper processos de exclusão e levar o cuidado até onde a vida acontece. No ano de 2025, a equipe acompanhou 317 usuários, realizou 1.974 atendimentos individuais e 197 atividades coletivas, evidenciando elevada capacidade assistencial e forte inserção territorial. O perfil dos usuários mostrou predominância do sexo masculino (82,3%) e maior concentração na faixa etária de 30 a 49 anos, grupo frequentemente exposto à vulnerabilidade social crônica. A iniciativa justifica-se pela necessidade de garantir o direito à saúde e promover equidade por meio de ações extramuros, baseadas em vínculo, redução de danos, escuta qualificada e articulação com a rede de atenção. Trata-se de experiência inovadora, resolutiva e humanizada, que fortalece o SUS ao incluir populações historicamente invisibilizadas.
2. Objetivos
O objetivo geral é analisar a atuação multidisciplinar e a produção assistencial da eCR de Patos de Minas no ano de 2025.
Os objetivos específicos compreendem a caracterização do perfil sociodemográfico e epidemiológico dos 317 usuários acompanhados, a quantificação das ações realizadas e a identificação dos avanços na articulação da rede de cuidados, bem como dos desafios na consolidação dos Projetos Terapêuticos Singulares (PTS).
3. Metodologia
Trata-se de um relato de experiência de caráter descritivo, fundamentado na análise documental do Relatório Consolidado de Produção de do ano de 2025 da eCR de Patos de Minas. A prática assistencial foi rigorosamente orientada pelos princípios da clínica ampliada, da redução de danos e do cuidado extramuros, com intervenções executadas diretamente no território. As estratégias operacionais foram desenhadas para superar o modelo de espera, priorizando a busca ativa sistemática e o acolhimento por demanda espontânea. Um pilar central da metodologia foi a intensa articulação intersetorial estabelecida entre as redes de atenção à saúde (SUS) e de assistência social (SUAS), visando assegurar a resolutividade e a continuidade do cuidado. O trabalho da equipe focou na construção de vínculos de confiança e na longitudinalidade do acompanhamento, elementos essenciais para a efetividade das ações em contextos de extrema exclusão social.
A população em situação de rua enfrenta intensas barreiras de acesso aos serviços de saúde, agravadas pela vulnerabilidade social, estigma, uso problemático de substâncias psicoativas, transtornos mentais e dificuldade de continuidade do cuidado. Em Patos de Minas-MG, identificou-se a necessidade de fortalecer estratégias territoriais e humanizadas capazes de ampliar o acesso dessa população ao SUS, promover equidade em saúde e garantir cuidado integral por meio de ações extramuros, busca ativa, redução de danos e articulação intersetorial entre saúde e assistência social.
Resultados e Discussão Ao longo de 2025, a eCR demonstrou uma expressiva capacidade de resposta assistencial, totalizando 1.974 atendimentos individuais e 197 atividades coletivas. O perfil do público atendido revelou uma predominância masculina (82,3%), com maior concentração de pessoas entre 30 e 49 anos. Um dos avanços mais significativos foi a qualificação das ações de enfermagem, que somaram 340 procedimentos apenas no segundo semestre, além de uma robusta ampliação na oferta de testagens para Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). Para além do cuidado imediato na rua, a equipe logrou êxito em integrar esses usuários à rede de serviços de saúde, facilitando o acesso a especialidades como Odontologia e Ginecologia, além de introduzir Práticas Integrativas e Complementares (PICS) no cotidiano assistencial. Esses resultados comprovam que o modelo de cuidado territorializado permite respostas rápidas, humanizadas e altamente resolutivas para demandas agudas, fortalecendo o vínculo institucional entre o SUS e uma população que frequentemente se vê à margem das políticas públicas.
Conclusões
A experiência consolidou o Consultório na Rua como um dispositivo estratégico para a promoção da equidade em saúde em Patos de Minas. Embora persistam desafios, como a baixa adesão a tratamentos de longa duração e a necessidade de aprimorar os registros e a elaboração dos Projetos Terapêuticos Singulares, o impacto social da estratégia é evidente. Conclui-se que a prática apresenta elevado potencial de replicabilidade e inovação, estando plenamente alinhada às diretrizes nacionais e mineiras de atenção à PSR. O fortalecimento contínuo das pactuações intersetoriais é recomendado como o caminho para garantir que a integralidade do cuidado iniciada no território seja sustentada em todos os níveis do SUS.
Recomenda-se que municípios interessados na implementação de práticas semelhantes fortaleçam estratégias de cuidado territorializado, humanizado e intersetorial voltadas à população em situação de rua, priorizando a construção de vínculo, a escuta qualificada e a redução de danos. É fundamental investir na articulação entre SUS e SUAS, na capacitação permanente das equipes multiprofissionais e na realização de ações extramuros, como busca ativa e acolhimento no território. A experiência demonstra que o fortalecimento das redes de apoio e a adaptação das ações às realidades locais ampliam o acesso aos serviços, promovem equidade em saúde e favorecem a continuidade do cuidado para populações historicamente vulnerabilizadas.
R. Ana de Oliveira, 645 - Centro, Patos de Minas - MG, 38700-006, Brasil
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