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O suporte interdisciplinar para além da cuidadora: fortalecendo a mulher por trás da mãe atípica

ADRIANA SOARES CAETANO

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Adriana Soares Caetano

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As mães de crianças atípicas enfrentam jornadas intensas e solitárias, frequentemente colocando-se em segundo plano — cenário que pode levar à sobrecarga emocional, esgotamento físico e perda da identidade. Estudos integrativos identificam que essas mulheres vivenciam desgaste emocional, conflito de sentimentos, medo, estresse e significativa necessidade de apoio.
Por isso, a partir de 2025, o Centro Municipal de Reabilitação de Saquarema (CMR), tendo como população-alvo essas mães, desenvolveu um novo modelo de cuidado interdisciplinar. A atuação de uma equipe multiprofissional mostrou-se fundamental para a construção de um cuidado integral. A articulação entre psicologia, serviço social e práticas de bem-estar possibilitou não apenas o acolhimento dessas mulheres, mas também o fortalecimento de sua autonomia, autoestima e rede de apoio.
Com o objetivo Geral Desenvolver um modelo de cuidado interdisciplinar inovador no Centro Municipal de Reabilitação de Saquarema, através da articulação entre Psicologia, Serviço Social e serviços de cuidados de bem-estar. E Afim de apoiar esse objetivo geral foi pensado nos objetivos específicos de: mitigar o impacto da sobrecarga do cuidado na saúde mental dessas mulheres; promover o resgate da sua autoestima, autonomia decisória e integração social; propiciar momentos de autocuidado; criar espaços de escuta e trocas entre pares; e avaliar como o modelo de cuidado impactou a vida dessas mulheres.
No modelo interdisciplinar criado, a cuidadora é inserida em atendimentos que transpassam os da criança, com um fluxo pensado no cuidado e suporte psicossocial. A entrada da família no Centro de Reabilitação ocorre por meio da anamnese, etapa de acolhimento e planejamento terapêutico singular. Em seguida, a família é acompanhada pelo serviço social, que identifica demandas de todos os membros, realiza encaminhamentos e promove atividades socioeducativas para as mães, com o objetivo de retomar seus estudos e/ou inserção no mercado de trabalho.
Paralelamente, elas acessam serviços de fortalecimento da autoestima e resgate da identidade feminina, como o dia da beleza mensal, no qual podem usufruir dos serviços de cabeleireiro e manicure, e o serviço de massoterapia, que, para além do alívio físico, contribui para a redução da ansiedade, melhora do sono e alívio da tensão emocional.
Já no setor de psicologia, iniciam o atendimento no grupo de acolhimento, estratégia terapêutica com o propósito de apoiar emocionalmente as cuidadoras e suas famílias, promovendo compreensão, pertencimento e capacitação frente aos desafios relacionados à condição de seus filhos. Estruturado em seis encontros, visa proporcionar um espaço de escuta qualificada e troca de experiências, ao mesmo tempo em que realiza intervenções psicoeducativas voltadas à promoção de estratégias de cuidado mais conscientes e efetivas.
Após o grupo, a mãe pode ser encaminhada para a psicoterapia individual, garantindo uma escuta acolhedora e intervenção personalizada, e/ou para o grupo de apoio, uma intervenção de maior duração, com cerca de oito meses, cuja abordagem oferece ferramentas práticas para a construção de uma comunicação mais assertiva, com o objetivo central de promover a melhoria da comunicação entre os membros da família, contribuindo para a redução da sobrecarga emocional e favorecendo a criação e o fortalecimento de redes de apoio entre os participantes.
A fim de mensurar a eficácia desse modelo de cuidado nas dimensões emocional, física e social, utilizou-se a Escala de Mudança Percebida, de Costa, Bandeira e Cavalcanti (2011).

A motivação para o desenvolvimento desse modelo surgiu da identificação, na prática profissional, de lacunas no cuidado às cuidadoras e da compreensão de que o fortalecimento dessas mulheres impacta diretamente na qualidade do cuidado às crianças. Assim, o projeto propõe um modelo interdisciplinar de intervenção que amplia o olhar sobre o processo de terapias incluindo, de forma efetiva, quem sustenta esse cuidado no cotidiano.

Responderam a escala 14 mães que utilizam ou utilizaram ao menos um dos serviços do projeto. Os resultados evidenciam que, no âmbito emocional, envolvendo aspectos como problemas pessoais, humor e estabilidade emocional, a maioria (85%) das participantes relataram uma melhora significativa. No campo da saúde física, observa-se que algumas mães notam avanços. No que diz respeito à convivência com familiares, amigos e outras relações, houve uma forte percepção de melhora, com destaque especial para as relações familiares (93%). A motivação vinculada ao trabalho, às atividades de lazer e às tarefas domésticas apresentou resultados positivos, ainda que mais heterogêneos (57%). Já em relação à capacidade de decisão, boa parte das participantes respondeu “melhor do que antes” (85%). Esses achados apontam que os maiores impactos são sentidos nas esferas emocional, relacional e decisória. Já na questão aberta “você acha que o atendimento que você está recebendo aqui a ajudou a se sentir melhor? Se sim como?”, as narrativas coletadas reforçam esses indicadores quantitativos: cerca de 80% das participantes mencionam sentir acolhimento, observar redução da ansiedade, melhora no humor e autoestima, tendo maior compreensão das próprias emoções e experimentar maior integração e suporte social. Esses relatos qualitativos corroboram com os dados numéricos ao destacar a intervenção como sendo acolhedora e transformadora, especialmente nos domínios emocional e social.

Em síntese, o modelo de intervenção conseguiu alcançar o objetivo geral e a maioria dos objetivos específicos, revelando forte impacto positivo nos domínios emocional, relacional e decisório. Além disso, identifica-se um padrão de interdependência: melhorias emocionais levam à maior convivência social, o que, por sua vez, favorece o engajamento em atividades funcionais do dia a dia.
Contudo, o modelo de suporte apresentado não conseguiu alcançar o objetivo específico de mitigar o impacto da sobrecarga percebida por essas mulheres visto que muitas ainda relatam essa sensação, já que a rotina das terapias é mais uma jornada inserida no cotidiano.
Desta forma, a fim de alcançar todos os objetivos apresentados, faz-se necessária uma maior articulação dos equipamentos já existentes como creches, escolas, clínicas especializadas e Centros de Atenção Psicossocial. Sugestiona-se também a criação de mais equipamentos que abranjam o cuidado global de toda a família, pensando não somente no atendimento terapêutico e médico das crianças, como também no de suas cuidadoras.

autor Principal

ADRIANA SOARES CAETANO

drisoaresindica@gmail.com

Psicologa

Coautores

Aline Muniz Pinho, Marli Maria dos Santos, Marcela da Silva Gloria, Natali Paula Pupe

A prática foi aplicada em

Saquarema

Rio de Janeiro

Sudeste

Esta prática está vinculada a

Travessa do Ingá, 79 - Praia da Vila, Saquarema - RJ, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Adriana Soares Caetano

Conta vinculada

02 abr 2026

CADASTRO

02 abr 2026

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