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Reconfiguração do Processo de Enfermagem como tecnologia de gestão do cuidado no SUS

Ana Paula dos Santos Silva

rodrigobandeira@id.uff.br

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Rodrigo Monteiro dos Santos Bandeira

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A experiência foi desenvolvida no Hospital Municipal Dr. Ernesto Che Guevara, em Maricá (RJ), diante da necessidade de reorganizar o Processo de Enfermagem, historicamente marcado por fragmentação, burocratização e baixa integração com o raciocínio clínico. Observava-se a predominância de registros descritivos desconectados das etapas do processo e pouca utilização de referenciais teóricos próprios da enfermagem, o que limitava a efetividade do cuidado.

Como resposta, foi estruturado um modelo inovador baseado na integração entre os Padrões Funcionais de Saúde de Marjory Gordon, a Taxonomia II da NANDA-I e o método SOAP, operacionalizado por meio de um formulário único com escrita discursiva padronizada. Esse instrumento passou a organizar todas as etapas do Processo de Enfermagem de forma integrada, orientando o enfermeiro à construção de uma evolução clínica com base em uma perspectiva biopsicossocioespiritual.

A implantação ocorreu de forma gradual, articulada à Educação Permanente, com capacitações, auditorias sistemáticas e acompanhamento contínuo por comissão institucional. O modelo promoveu mudança no processo de trabalho, qualificando o registro, fortalecendo o raciocínio clínico e ampliando a autonomia do enfermeiro.

A experiência alcançou validação externa progressiva por meio do Programa PRO_SAE_PE do COREN-RJ, com obtenção dos selos Bronze (2023), Prata (2024) e Ouro (2026), configurando-se como a única instituição do país com esse nível de certificação. Além disso, o modelo foi disseminado por meio de consultorias para diferentes serviços de saúde, ampliando seu alcance.

Como estratégia de consolidação e difusão, foi desenvolvido um livro técnico-científico atualmente no prelo, que apoia a prática da consulta de enfermagem nessa perspectiva e orienta instituições de diferentes perfis na implementação e replicação do modelo no Sistema Único de Saúde.

A prática da enfermagem nos serviços hospitalares ainda é fortemente influenciada por uma lógica biomédica fragmentada, centrada na doença e na avaliação cefalocaudal, com registros pouco integrados ao raciocínio clínico e às etapas do Processo de Enfermagem. Essa realidade resulta em baixa utilização de diagnósticos de enfermagem, fragilidade no planejamento do cuidado e redução da autonomia profissional, comprometendo a qualidade e a integralidade da assistência no SUS.

A implementação do modelo promoveu reorganização do processo de trabalho da enfermagem, com integração efetiva das etapas do Processo de Enfermagem em um único instrumento, redução da fragmentação dos registros e fortalecimento do raciocínio clínico orientado por domínios próprios da profissão. Observou-se maior consistência na identificação de diagnósticos de enfermagem, qualificação do planejamento assistencial e maior alinhamento das intervenções às necessidades reais dos pacientes, sob uma perspectiva biopsicossocioespiritual.

O modelo demonstrou capacidade de sustentação institucional, com incorporação à rotina assistencial e adesão progressiva das equipes, mediada por estratégias de educação permanente e auditoria sistemática. Como validação externa, a experiência alcançou certificações progressivas no Programa PRO_SAE_PE do COREN-RJ, com obtenção dos selos Bronze (2023), Prata (2024) e Ouro (2026), evidenciando maturidade metodológica, consolidação da prática e manutenção de indicadores gerais da unidade.

Como inovação, destaca-se a construção de um instrumento único, desburocratizado e orientador da prática clínica, que reposiciona o Processo de Enfermagem como método estruturante do cuidado. A experiência também evidenciou alto potencial de replicabilidade, sendo transferida para diferentes serviços de saúde por meio de consultorias, contribuindo para a disseminação e certificação do modelo em distintos contextos do SUS.

Recomenda-se que a implementação seja iniciada a partir do reconhecimento das fragilidades locais no uso do Processo de Enfermagem, evitando a adoção de modelos prontos sem adaptação ao contexto institucional. É fundamental que o processo esteja ancorado em referencial teórico consistente, linguagem padronizada e instrumento operacional que integre todas as etapas do cuidado, reduzindo a fragmentação e a burocratização dos registros.

A condução deve ocorrer de forma gradual, articulada à Educação Permanente em Saúde, com capacitação das equipes, acompanhamento sistemático e criação de instâncias institucionais responsáveis pela sustentação do processo, como comissões ou grupos de trabalho. A auditoria contínua e o monitoramento dos indicadores gerais da unidade são essenciais para avaliar a incorporação da prática e promover ajustes ao longo do percurso.

Destaca-se que a adesão das equipes depende da aplicabilidade do modelo no cotidiano, sendo necessário que o instrumento seja compreendido como facilitador do raciocínio clínico e não como exigência burocrática. Como suporte estruturante, recomenda-se a utilização do livro técnico-científico desenvolvido a partir desta experiência, atualmente no prelo, que sistematiza o modelo, apoia a consulta de enfermagem nessa perspectiva e orienta, de forma aplicada, instituições de diferentes perfis na implementação e replicação no SUS.

autor Principal

Ana Paula dos Santos Silva

direcaogeral@gmail.com

Diretora Geral

Coautores

Autora principal: Ana Paula dos Santos Silva, Coautores: Carla Moraes Lins, Rodrigo Monteiro dos Santos Bandeira, Rosana Oliveira de Souza, José Roberto de Oliveira Junior, Alessandra Pinto Alves Germano, Flávia Velloso Garrido Pereira, Danyelle Cerqueira Moraes, Taynara Costa do Amaral, Natália Oliveira Liberato, Elizabeth Bomfim Lemos.

A prática foi aplicada em

Maricá

Rio de Janeiro

Sudeste

Esta prática está vinculada a

Rodovia Amaral Peixoto, 9 - São José de Imbassai, Maricá - RJ, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Rodrigo Monteiro dos Santos Bandeira

Conta vinculada

26 mar 2026

CADASTRO

26 mar 2026

ATUALIZAÇÃO

inicio

fim

Condição da prática

Concluída

Situação da Prática

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