favor seguir as recomendações abaixo:
A experiência foi desenvolvida no Hospital Municipal Dr. Ernesto Che Guevara, em Maricá (RJ), diante da necessidade de reorganizar o Processo de Enfermagem, historicamente marcado por fragmentação, burocratização e baixa integração com o raciocínio clínico. Observava-se a predominância de registros descritivos desconectados das etapas do processo e pouca utilização de referenciais teóricos próprios da enfermagem, o que limitava a efetividade do cuidado.
Como resposta, foi estruturado um modelo inovador baseado na integração entre os Padrões Funcionais de Saúde de Marjory Gordon, a Taxonomia II da NANDA-I e o método SOAP, operacionalizado por meio de um formulário único com escrita discursiva padronizada. Esse instrumento passou a organizar todas as etapas do Processo de Enfermagem de forma integrada, orientando o enfermeiro à construção de uma evolução clínica com base em uma perspectiva biopsicossocioespiritual.
A implantação ocorreu de forma gradual, articulada à Educação Permanente, com capacitações, auditorias sistemáticas e acompanhamento contínuo por comissão institucional. O modelo promoveu mudança no processo de trabalho, qualificando o registro, fortalecendo o raciocínio clínico e ampliando a autonomia do enfermeiro.
A experiência alcançou validação externa progressiva por meio do Programa PRO_SAE_PE do COREN-RJ, com obtenção dos selos Bronze (2023), Prata (2024) e Ouro (2026), configurando-se como a única instituição do país com esse nível de certificação. Além disso, o modelo foi disseminado por meio de consultorias para diferentes serviços de saúde, ampliando seu alcance.
Como estratégia de consolidação e difusão, foi desenvolvido um livro técnico-científico atualmente no prelo, que apoia a prática da consulta de enfermagem nessa perspectiva e orienta instituições de diferentes perfis na implementação e replicação do modelo no Sistema Único de Saúde.
A prática da enfermagem nos serviços hospitalares ainda é fortemente influenciada por uma lógica biomédica fragmentada, centrada na doença e na avaliação cefalocaudal, com registros pouco integrados ao raciocínio clínico e às etapas do Processo de Enfermagem. Essa realidade resulta em baixa utilização de diagnósticos de enfermagem, fragilidade no planejamento do cuidado e redução da autonomia profissional, comprometendo a qualidade e a integralidade da assistência no SUS.
A implementação do modelo promoveu reorganização do processo de trabalho da enfermagem, com integração efetiva das etapas do Processo de Enfermagem em um único instrumento, redução da fragmentação dos registros e fortalecimento do raciocínio clínico orientado por domínios próprios da profissão. Observou-se maior consistência na identificação de diagnósticos de enfermagem, qualificação do planejamento assistencial e maior alinhamento das intervenções às necessidades reais dos pacientes, sob uma perspectiva biopsicossocioespiritual.
O modelo demonstrou capacidade de sustentação institucional, com incorporação à rotina assistencial e adesão progressiva das equipes, mediada por estratégias de educação permanente e auditoria sistemática. Como validação externa, a experiência alcançou certificações progressivas no Programa PRO_SAE_PE do COREN-RJ, com obtenção dos selos Bronze (2023), Prata (2024) e Ouro (2026), evidenciando maturidade metodológica, consolidação da prática e manutenção de indicadores gerais da unidade.
Como inovação, destaca-se a construção de um instrumento único, desburocratizado e orientador da prática clínica, que reposiciona o Processo de Enfermagem como método estruturante do cuidado. A experiência também evidenciou alto potencial de replicabilidade, sendo transferida para diferentes serviços de saúde por meio de consultorias, contribuindo para a disseminação e certificação do modelo em distintos contextos do SUS.
Recomenda-se que a implementação seja iniciada a partir do reconhecimento das fragilidades locais no uso do Processo de Enfermagem, evitando a adoção de modelos prontos sem adaptação ao contexto institucional. É fundamental que o processo esteja ancorado em referencial teórico consistente, linguagem padronizada e instrumento operacional que integre todas as etapas do cuidado, reduzindo a fragmentação e a burocratização dos registros.
A condução deve ocorrer de forma gradual, articulada à Educação Permanente em Saúde, com capacitação das equipes, acompanhamento sistemático e criação de instâncias institucionais responsáveis pela sustentação do processo, como comissões ou grupos de trabalho. A auditoria contínua e o monitoramento dos indicadores gerais da unidade são essenciais para avaliar a incorporação da prática e promover ajustes ao longo do percurso.
Destaca-se que a adesão das equipes depende da aplicabilidade do modelo no cotidiano, sendo necessário que o instrumento seja compreendido como facilitador do raciocínio clínico e não como exigência burocrática. Como suporte estruturante, recomenda-se a utilização do livro técnico-científico desenvolvido a partir desta experiência, atualmente no prelo, que sistematiza o modelo, apoia a consulta de enfermagem nessa perspectiva e orienta, de forma aplicada, instituições de diferentes perfis na implementação e replicação no SUS.
Rodovia Amaral Peixoto, 9 - São José de Imbassai, Maricá - RJ, Brasil
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