Linha de cuidado: rastreamento organizado do câncer colorretal no município de Divinópolis (MG)

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Thais Bueno Enes dos Santos

Thais Bueno Enes dos Santos

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Contextualização:
O câncer colorretal (CCR) representa um grande e crescente problema de saúde pública mundial, sendo o terceiro tipo de câncer mais comum no mundo e a segunda maior causa de mortes relacionadas ao câncer. No país, já foram implementadas iniciativas com foco no diagnóstico e no tratamento do câncer, visando ampliar a sobrevida das pessoas acometidas pela doença. Porém, ainda não há um programa nacional de rastreamento padronizado e universal.

Objetivos:
– Relatar a experiência da construção da Linha de Cuidado do Câncer Colorretal Colona no município de Divinópolis-MG;
– Apresentar a estratégia do rastreamento organizado;
– Apresentar indicadores de processo e resultado associados ao rastreamento do câncer colorretal.

Justificativa:
Divinópolis apresenta uma extensa fila de solicitações de exames diagnósticos de colonoscopia com critérios clínicos mal definidos, o que compromete o acesso oportuno ao diagnóstico e tratamento precoce. Neste contexto, a inovação na implantação da Linha de Cuidado do Câncer Colorretal Colona em Divinópolis justifica-se pela necessidade de estruturar e padronizar as práticas de prevenção, rastreamento e detecção precoce, além de qualificar a fila de espera aos serviços especializados e racionalizar recursos.

Metodologia:
A construção da linha de cuidado foi iniciada em abril de 2025 e conduzida por um grupo de trabalho multidisciplinar, que se reuniu periodicamente para definição das diretrizes e indicadores; elaboração do documento técnico; estruturação do rastreamento organizado e qualificação da rede. A proposta de rastreamento organizado foi desenvolvida contemplando sete etapas:
I. Atualização/qualificação cadastral das pessoas usuárias;
II. Identificação da população-alvo: indivíduos assintomáticos, com risco padrão para CCR, na faixa etária de 50 a 75 anos, e fatores de risco/vulnerabilidades (raça/cor, etnia, identidade de gênero, pessoa em situação de rua, deficiência, beneficiários do Bolsa Família);
III. Status de rastreamento, sendo o exame de sangue oculto nas fezes (SOF) do tipo imunoquímico fecal (FIT) padronizado como teste de triagem;
IV. Mapeamento de fluxos dos serviços e da rede;
V. Mobilização social;
VI. Prática clínica ampliada;
VII. Acompanhamento longitudinal.
A associação do status de realização do exame SOF e a classificação da exposição às vulnerabilidades definem as prioridades no rastreamento:
1 – nunca rastreada: pessoa exposta à 2 ou mais critérios de vulnerabilidade e que nunca realizou o exame de SOF;
2 – sub-rastreada: pessoa exposta à 2 ou mais critérios de vulnerabilidade e que realizou o exame de SOF há mais de 2 anos; pessoa exposta à 1 ou nenhum critério de vulnerabilidade e que realizou a coleta há mais de 2 anos;
3 – rastreada: pessoa exposta à 1 ou nenhum critério de vulnerabilidade e que realizou o exame de SOF há menos de 2 anos;
4 – super-rastreada – pessoa exposta à 1 ou nenhum critério de vulnerabilidade e que realizou o exame de SOF mais de uma vez nos últimos 2 anos.
A partir da combinação destes critérios, cada ESF terá definida a sua população-alvo bem como a sua prioridade de rastreamento. Os pacientes serão encaminhados para a realização do SOF e em caso de SOF positivo, a pessoa usuária é inserida na Oferta de Cuidados Integrados do Câncer Colorretal.

O processo de elaboração da Linha de Cuidado foi motivado por um cenário de demanda reprimida para consulta especializada com proctologista superior a seis meses de espera e colonoscopia superior a um ano, além de ausência de uma rede estruturada para identificação precoce de casos de CCR e aumento da mortalidade por esse tipo de câncer. Em Divinópolis, foram registrados 149 óbitos por câncer colorretal entre 2020 e 2025, sendo 137 na faixa etária acima de 45 anos.

A Linha de Cuidado foi lançada no dia 27/03/2026 e os resultados até o momento são:
– Implantação do fluxo para o rastreamento organizado para o câncer colorretal e fortalecimento da política de equidade no município mediante a identificação de prioridades de rastreamento, baseada na análise de estratificação de risco das vulnerabilidades da pessoa usuária;
– Definição dos indicadores de processo: proporção de cadastros qualificados no Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC); proporção de beneficiários do programa Bolsa Família rastreados; proporção de preenchimento do formulário de marcadores de consumo alimentar; cobertura de teste imunoquímico fecal (FIT) positivos; valor preditivo positivo do FIT; proporção de colonoscopia realizadas; proporção de adesão à colonoscopia; proporção de colonoscopias com preparo adequado; tempo médio estimado para acesso à consulta especializada; tempo médio estimado para resultado da biópsia; proporção de pessoas usuárias com consulta no Hospital do Câncer em até 30 dias após suspeita de câncer colorretal; proporção de pessoas usuárias com tratamento iniciado em até 60 dias após diagnóstico de câncer colorretal; proporção de pessoas internadas durante tratamento;
– Definição dos indicadores de resultado: taxa de casos suspeitos detectados em indivíduos rastreados; taxa de mortalidade específica por CCR; taxa de mortalidade na população-alvo do rastreamento; taxa de incidência de CCR; taxa de sobrevivência de pessoas com CCR após 3 e 5 anos de diagnóstico;
– Implantação de instrumento padronizado para a solicitação de colonoscopia, com objetivo de qualificar as informações clínicas e assegurar os dados necessários à tomada de decisão na regulação médica;
– Implementação da Oferta de Cuidados Integrados (OCI) do câncer colorretal na Linha;
– Ampliação da oferta de exames de colonoscopia, em consonância com a capacidade instalada do município e previsão da demanda advinda do rastreamento organizado.

A escolha da faixa etária de rastreamento de 50 a 75 anos e a realização do exame de sangue oculto nas fezes do tipo FIT bienal visa a viabilidade econômica e a sustentabilidade da estratégia a longo prazo, considerando custo-efetividade. Além disso, está em consonância com as diretrizes nacionais. A robustez do trabalho em Divinópolis reside na estratégia inovadora de atuação com um grupo multiprofissional e intersetorial. Essa abordagem não só enriquece o trabalho com o conhecimento e a experiência profissional e acadêmica dos envolvidos, mas também proporciona uma visão ampla e integrada da rede municipal.

autor Principal

Thais Bueno Enes dos Santos

asplansemusa@gmail.com

Assessora de Controle, Avaliação e Monitoramento da Diretoria de Planejamento - SEMUSA

Coautores

Thais Bueno Enes dos Santos, Cynthia Camila Mendes de Oliveira Rodrigues, Ana Carolina de Oliveira Gonçalves, Welliton José Rezende, Ronaldo Alves Duarte, Nayara Dornela Quintino, Simone Alzira Zanardi Burakowski, Paula Costa Sousa, Marília Carolina Fernandes Brasil, Sheila Salvino, Daniela Dias Vasconcelos.

A prática foi aplicada em

Divinópolis

Minas Gerais

Sudeste

Esta prática está vinculada a

Avenida Paraná, 2601 - Jardim Belvedere II, Divinópolis - MG, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Thais Bueno Enes dos Santos

Conta vinculada

05 maio 2026

CADASTRO

05 maio 2026

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Condição da prática

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