Fortalecimento da regulação assistencial com tecnologia e transparência para equidade no SUS

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Juliana Gomes de Carvalho

Juliana Carvalho

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A experiência foi desenvolvida no âmbito da regulação assistencial do município de Juiz de Fora, diante do desafio histórico relacionado ao acesso a consultas e exames especializados no Sistema Único de Saúde (SUS), marcado por elevada demanda reprimida, limitação da oferta e fragilidade na transparência das informações ao cidadão.
Como resposta a esse cenário, estruturou-se uma estratégia integrada voltada ao fortalecimento da regulação assistencial, com foco na qualificação do acesso, promoção da equidade e melhoria da eficiência dos fluxos. A iniciativa baseou-se na reorganização dos processos regulatórios, com implantação da classificação de risco por médico regulador, padronização de protocolos e monitoramento contínuo das filas de espera.
Paralelamente, foram incorporadas ferramentas tecnológicas, como o Aplicativo do Cidadão e o Portal da Transparência da Saúde, que ampliaram o acesso às informações, permitindo ao usuário acompanhar suas solicitações, posição na fila e status dos atendimentos. Essas ações promoveram maior autonomia do cidadão, redução da sobrecarga administrativa e fortalecimento do controle social.
A experiência também contemplou a integração dos sistemas informatizados e o uso de dados qualificados para subsidiar a tomada de decisão, identificar gargalos assistenciais e otimizar a oferta de serviços. Dessa forma, consolidou-se uma regulação mais eficiente, transparente e orientada pelos princípios da equidade e integralidade do SUS.

O acesso aos serviços especializados no SUS apresenta-se como um dos principais desafios da gestão municipal, especialmente em contextos de alta demanda reprimida e insuficiência de oferta. No município, observava-se grande volume de pacientes em fila de espera para consultas e exames, associado à ausência de transparência quanto à posição na fila, critérios de priorização e previsão de atendimento.
Essa situação gerava insatisfação dos usuários, aumento da procura presencial nas unidades de saúde apenas para obtenção de informações, sobrecarga das equipes administrativas e crescimento da judicialização da saúde. Além disso, a lógica de organização das filas, muitas vezes baseada apenas em ordem cronológica, comprometia a equidade no acesso, não priorizando adequadamente os casos de maior gravidade.
Diante desse cenário, identificou-se a necessidade de reestruturar o processo de regulação assistencial, incorporando critérios técnicos de priorização, uso de tecnologia e ampliação da transparência, como estratégia para qualificar o acesso, melhorar a gestão dos recursos e fortalecer a confiança da população no sistema público de saúde.

A implementação da estratégia resultou em uma transformação significativa na gestão do acesso aos serviços especializados, com avanços concretos em transparência, eficiência e equidade. Destaca-se a ampliação do acesso à informação pelo cidadão, que passou a acompanhar, em tempo real, sua posição na fila e o status das solicitações, reduzindo a assimetria informacional e fortalecendo o controle social.
Houve redução expressiva da demanda administrativa relacionada à busca por informações, com consequente diminuição da sobrecarga nas unidades de saúde e otimização do tempo das equipes. Observou-se também queda relevante nas reclamações e na judicialização, refletindo maior previsibilidade, organização e confiança no sistema.
A adoção da classificação de risco e o uso de dados qualificados permitiram uma priorização mais justa e eficiente, garantindo melhor direcionamento das vagas e maior resolutividade assistencial. Além disso, o monitoramento contínuo das filas possibilitou a identificação de gargalos e o planejamento mais assertivo da oferta de serviços.
Como inovação, destaca-se a integração entre regulação, tecnologia e transparência ativa, consolidando um modelo centrado no cidadão, com alto potencial de replicabilidade. Entre as principais lições aprendidas, evidenciam-se a importância da padronização dos fluxos, do engajamento das equipes e do uso estratégico da informação como elemento estruturante da gestão.

Para a implementação de práticas semelhantes, recomenda-se que a regulação assistencial seja tratada como eixo estratégico da gestão, com investimento na qualificação dos processos, definição de protocolos clínicos e adoção de critérios técnicos de priorização, especialmente a classificação de risco.
É fundamental o uso de ferramentas tecnológicas que ampliem a transparência e o acesso à informação, garantindo ao cidadão autonomia no acompanhamento de sua demanda e fortalecendo o controle social. A integração dos sistemas e a confiabilidade dos dados são condições essenciais para o sucesso da iniciativa, exigindo padronização das informações e atualização contínua pelas unidades de saúde.
Destaca-se ainda a importância do engajamento das equipes e da articulação entre os diferentes níveis de atenção, assegurando alinhamento dos fluxos e corresponsabilização dos atores envolvidos. Recomenda-se iniciar a implementação de forma gradual, com monitoramento contínuo dos indicadores e ajustes periódicos, garantindo sustentabilidade e efetividade da estratégia.
Por fim, ressalta-se que o uso inteligente da tecnologia, aliado a processos bem definidos, é determinante para transformar a regulação em um instrumento de equidade, eficiência e fortalecimento do SUS, sendo uma experiência plenamente adaptável a diferentes realidades municipais.

autor Principal

Juliana Gomes de Carvalho

dra@pjf.mg.gov.br

Gerente do departamento de Regulação Ambulatorial

Coautores

Juliana Gomes de Carvalho; Karina Fabri Campos; Cristiane Aparecida de Resende Affonso; Vitor Lopes Costa; Carla Eloisa Mendes Santos Oliveira; Eliana Amaro de Carvalho Caldeira Sandra Machado Vasconcelos de Oliveira

A prática foi aplicada em

Juiz de Fora

Minas Gerais

Sudeste

Esta prática está vinculada a

Pam Marechal - Rua Marechal Deodoro - Centro, Juiz de Fora - MG, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Juliana Gomes de Carvalho

Conta vinculada

05 maio 2026

CADASTRO

05 maio 2026

ATUALIZAÇÃO

19 dez 2024

inicio

fim

Condição da prática

Andamento

Situação da Prática

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