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A realização do levantamento das necessidades odontológicas justifica-se pela importância da infância como fase determinante para a formação de hábitos saudáveis e prevenção de problemas bucais, como a cárie dentária e as doenças periodontais. A identificação precoce das necessidades permite intervenções oportunas, reduzindo a evolução de problemas bucais que podem gerar dor, infecções, absenteísmo escolar e impactos negativos no desenvolvimento e na qualidade de vida das crianças.
Essa prática contribui diretamente para o enfrentamento de um problema público relevante: a desigualdade no acesso aos serviços de saúde bucal e a alta prevalência de agravos bucais na população infantil, especialmente em contextos de maior vulnerabilidade social. Ao auxiliar no planejamento de ações intersetoriais entre saúde e educação, o levantamento fortalece as políticas públicas de promoção da saúde, qualifica a atenção básica e contribui para a redução de demandas reprimidas por tratamentos curativos, promovendo um cuidado mais equânime, preventivo e resolutivo no município de Pirapora. O desenvolvimento do levantamento ocorre de forma planejada e articulada entre a Secretaria Municipal de Saúde, por meio da Coordenação de Saúde Bucal, e a Secretaria Municipal de Educação. Inicialmente, é realizada reunião com a Secretaria de Educação, seguida de encontros com diretores e professores das unidades escolares, com o objetivo de apresentar a proposta, alinhar fluxos e garantir o apoio institucional. Esta prática acontece anualmente, com as adequações sempre que necessárias.
A metodologia inicia-se com a calibração da equipe municipal de Cirurgiões-Dentistas e Técnicos em Saúde Bucal, com o objetivo de padronizar os critérios de avaliação e garantir a confiabilidade dos dados. Para isso, seleciona-se aleatoriamente uma escola, onde crianças de diferentes idades são avaliadas conjuntamente pela equipe. São utilizados critérios municipais de classificação de risco em saúde bucal, baseados em evidências científicas da SES/MG, que categorizam os escolares em R1, R2 e R3, conforme o risco e a necessidade de tratamento odontológico. Após essa etapa, são realizadas avaliações clínicas nas próprias escolas e creches, mediante agendamento prévio e organização das escalas dos profissionais. Quando o percentual de faltosos ultrapassa 10%, é programado um retorno à turma para garantir maior cobertura. As crianças avaliadas são identificadas e vinculadas às suas respectivas unidades de referência da Atenção Primária à Saúde, possibilitando o encaminhamento adequado para acompanhamento e tratamento. A partir de 2025, os agendamentos passaram a ser entregues diretamente aos pais pelos Agentes Comunitários de Saúde, estratégia adotada para reduzir o absenteísmo observado anteriormente, quando a comunicação era feita pelas escolas. Essa mudança resultou em maior adesão das famílias ao atendimento odontológico. Os dados coletados são consolidados pela Coordenação de Saúde Bucal, permitindo a análise do perfil epidemiológico e das principais necessidades da população infantil. A metodologia fortalece a integração entre os setores de saúde e educação e subsidia o planejamento de ações de promoção, prevenção e assistência em saúde bucal no município.
A experiência que relatamos foi motivada pós a pandemia do COVID em 2023 pela necessidade de conhecermos de forma sistematizada a real condição de saúde bucal das crianças matriculadas nas escolas e creches municipais de Pirapora. A pandemia interrompeu ações preventivas, limitou o atendimento odontológico e piorou hábitos de saúde, criando um cenário desfavorável para a saúde bucal dos escolares. Observávamos que, apesar do retorno de ações de promoção e prevenção em saúde bucal na atenção básica após a pandemia, ainda haviam lacunas significativas relacionadas ao diagnóstico precoce, ao acompanhamento clínico contínuo e ao planejamento baseado em dados concretos da realidade local. A ausência de informações atualizadas dificultava a organização dos serviços e a priorização das ações odontológicas.
Os resultados evidenciaram melhora no perfil de saúde bucal das crianças avaliadas. Houve redução do percentual de escolares classificados como risco R1 (com presença de doenças ou problemas bucais), passando de 41,4% em 2024 para 36% em 2025. Nas creches, essa redução foi de 12,2% para 10,1% no mesmo período. Em contrapartida, observou-se aumento dos indivíduos classificados como R3 (sem atividade de doença e em manutenção da saúde bucal) entre os escolares, de 49% para 52%, indicando avanço nas condições de saúde bucal. Nas creches, contudo, verificou-se aumento da proporção de faltosos, de 5,3% em 2024 para 10% em 2025, mesmo com a realização de retornos às unidades, evidenciando a necessidade de estratégias adicionais para ampliar a adesão. Diante desses achados, foram intensificadas as ações nas creches, com a implementação do Tratamento Restaurador Atraumático (ART) em todas as unidades, ampliando o acesso ao cuidado odontológico, especialmente para crianças com dificuldade de comparecimento aos serviços convencionais. Essa estratégia considerou a permanência prolongada das crianças nas creches e as limitações dos responsáveis em levá-las ao atendimento, priorizando uma abordagem de mínima intervenção para prevenção e controle da cárie. Também houve ampliação das ações de promoção e prevenção em saúde bucal, envolvendo não apenas as crianças, mas também pais, responsáveis e professores.
Destaca-se ainda a melhoria na organização do encaminhamento para acompanhamento nas Unidades de Atenção Primária à Saúde e o fortalecimento da integração entre as Secretarias de Saúde e Educação. A reorganização do serviço, baseada na classificação de risco, permitiu melhor compreensão da realidade local, qualificação do planejamento e priorização dos casos mais necessários, além de ampliar o acesso por meio de ajustes nos fluxos e na comunicação com as famílias.
Conclui-se que o cenário atual da saúde bucal no município é marcado por um contraste entre o progresso alcançado e problemas operacionais persistentes. Os principais desafios concentram-se na dificuldade de transição do modelo curativo para o preventivo, resistência esta alimentada pela falta de acompanhamento familiar e pela ausência de espaços adequados (escovários) nas creches e escolas municipais. Sem o suporte físico necessário no ambiente escolar e um maior envolvimento da comunidade local, a sustentabilidade das ações de promoção à saúde torna-se vulnerável. Faz-se urgente, portanto, o investimento em infraestrutura escolar e em estratégias de comunicação que ampliem a participação social e a adesão das famílias ao cuidado preventivo. Estaremos realizando novamente o levantamento de necessidades odontológica em todas as creches e escolas do ensino fundamental I municipais utilizando a mesma metodologia e esperamos alcançar neste ano resultados ainda melhores das condições de saúde bucal de nossas crianças.
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