Jogo PreventHIVo: uma estratégia educativa eficaz na promoção de conhecimento e conscientização sobre HIV e Aids para jovens estudantes de escolas públicas do Rio de Janeiro

Você já pode imprimir seu certificado

Sylvia Lopes Maia Teixeira

SYLVIA

Sylvia Lopes Maia Teixeira

favor seguir os ajustes necessários abaixo:

Nenhuma recomendação da moderação

A experiência foi desenvolvida em quatro escolas da rede pública estadual de ensino do Rio de Janeiro (duas no município de Niterói, uma no município de São Gonçalo e uma no município de São João de Meriti). As quatro escolas situam-se em bairros que constituem territórios socialmente e economicamente vulneráveis, nos quais os estudantes frequentemente vivem em contextos marcados por baixa renda, insegurança alimentar, violência urbana, trabalho informal nas famílias e acesso limitado a serviços básicos.

Objetivo geral: Informar os adolescentes e jovens, estudantes de escolas públicas, a respeito dos modos de transmissão do HIV utilizando o jogo ‘PreventHIVo’ como recurso didático e estratégia educativa em saúde, buscando contribuir para a adoção de medidas e comportamentos individuais de prevenção contra as IST.
Objetivos específicos:
1. Comunicar e promover conhecimento científico e de educação em saúde a respeito do HIV e da aids;
2. Utilizar o jogo ‘PreventHIVo’ como recurso didático para abordagem dos modos de transmissão e prevenção combinada do HIV;
3. Promover um espaço de escuta e discussão sobre os diversos aspectos da infecção por HIV e da aids (estrutura do HIV, sintomas, modos de transmissão, estratégias de tratamento e prevenção combinada);
4. Sensibilizar os adolescentes e jovens com relação à importância de conhecer e se prevenir não só da infecção por HIV, mas também de outras IST como: sífilis, hepatites B e C, gonorreia e infecção pelo Papilomavírus humano.

Realizamos 4 intervenções educativas em escolas públicas do Rio de Janeiro, envolvendo 5 turmas do 1º ano e 8 do 2º ano do Ensino Médio (estudantes entre 15 e 18 anos). Em cada intervenção, empregamos um modelo didático do HIV, seguindo-se a dinâmica com o jogo ‘PreventHIVo’, um jogo de associação, cooperativo, composto por cartões imantados com ilustrações de situações ou objetos que representam (n=7) ou não (n=13) risco de transmissão do HIV. Seu objetivo é ordenar os cartões em um quadro de acordo com o risco de transmissão do HIV (sim ou não). Após a dinâmica, reforçamos formas de prevenção da infecção, com foco no uso de preservativos, PrEP, PEP e no conceito “carga viral indetectável=transmissão zero”, além da redução de danos com agulhas e seringas descartáveis.

As atividades foram organizadas no âmbito das visitas realizadas pelo Programa IOC+Escolas (IOC/FIOCRUZ) e adaptadas às especificidades das juventudes por meio de uma abordagem lúdica, participativa e acessível, com linguagem clara e direta, exemplos do cotidiano e diálogo aberto para facilitar a compreensão e interação dos jovens. Utilizamos também recursos visuais, imagens e elementos didáticos desenvolvidos para tornar o conteúdo mais compreensível e próximo da realidade juvenil, como os modelos do HIV feitos com isopor e massa de porcelana fria e as placas de PVC com símbolos de sim/não, utilizadas para votação dos estudantes. Valorizamos a interação entre os participantes, estimulando o trabalho em grupo, a construção coletiva do conhecimento e o protagonismo juvenil. Estudantes de graduação e pós-graduação do LABAIDS-IOC atuaram como mediadores nas intervenções, fortalecendo o protagonismo juvenil nessas ações. Considerando a influência das condições sociais nos processos de ensino-aprendizagem, a intervenção foi planejada de forma contextualizada à realidade dos estudantes da rede pública, contemplando suas vivências e aspectos relacionados à raça/cor, classe social, orientação sexual e identidade de gênero.

A adolescência é um período de importantes transformações, no qual o acesso à informação qualificada sobre saúde sexual é essencial para a prevenção do HIV e de outras infecções sexualmente transmissíveis (IST). Entretanto, estudantes da rede pública frequentemente vivenciam contextos de vulnerabilidade social que podem limitar o acesso a informações e serviços de saúde, tornando a escola um espaço estratégico para ações de educação em saúde. Nesse contexto, esta intervenção justifica-se pela necessidade de promover conhecimentos científicos sobre HIV, aids e outras IST por meio de metodologias participativas e lúdicas, capazes de estimular o diálogo, esclarecer dúvidas e desconstruir mitos relacionados à transmissão e à prevenção. A utilização do jogo educativo ‘PreventHIVo’, associada a recursos didáticos acessíveis e à mediação de estudantes de graduação e pós-graduação, favorece a participação ativa dos jovens, a construção coletiva do conhecimento e o fortalecimento do protagonismo juvenil, contribuindo para a adoção de práticas preventivas e para a redução das vulnerabilidades relacionadas às IST.

Entre 1991 e 2025, quase metade dos casos de infecção pelo HIV notificados no Brasil foi registrada entre jovens de 15 a 29 anos. Esta população não vivenciou o início da epidemia — período marcado por altas taxas de mortalidade e forte impacto social — e tende a perceber a AIDS como uma doença crônica controlável. Esta visão leva à subestimação dos riscos associados à infecção pelo HIV e à banalização do agravo, especialmente diante dos avanços no tratamento e nas estratégias de prevenção. Nesse contexto, observa-se uma baixa percepção de risco, que contribui para maior exposição ao vírus e menor adesão às orientações preventivas. Além disso, embora estratégias eficazes como a profilaxia pré-exposição (PrEP) e a profilaxia pós-exposição (PEP) estejam disponíveis no Brasil desde 2017 e 1999, respectivamente, ainda há um desconhecimento significativo entre os jovens sobre sua existência e formas de acesso.

A intervenção alcançou 273 estudantes de quatro escolas públicas: CE Almirante Tamandaré-Niterói (48), CIEP 397 Paulo Pontes-São João de Meriti (111), CE Monsenhor Barenco Coelho-São Gonçalo (63) e CE David Capistrano-Niterói (51). Em todas as ações, observou-se alta receptividade dos participantes, evidenciada pelo interesse, engajamento e interação durante a atividade educativa.

Os indicadores de conhecimento prévio mostraram que 60,8% dos estudantes já haviam tido contato com conteúdo sobre HIV/aids, porém 56,8% avaliavam seu conhecimento como regular ou insuficiente, evidenciando lacunas importantes na assimilação do conteúdo. Quanto às fontes de informação, 25,6% recorriam à internet para esclarecer dúvidas sobre sexualidade. Além disso, 32,2% apontaram vergonha ou timidez como barreiras ao diálogo sobre o tema, reforçando a necessidade de espaços seguros de discussão. Apenas 29,3% se sentiam aptos a orientar outras pessoas sobre HIV/aids, enquanto 16,8% não demonstravam interesse em ampliar oportunidades de diálogo. Esses resultados reforçam a importância de intervenções que informem e fortaleçam a confiança dos jovens em compartilhar conhecimentos.

Após a atividade, os indicadores de usabilidade e satisfação evidenciaram boa aceitação do recurso educativo: 76,5% consideraram o jogo fácil de utilizar e 79,8% avaliaram positivamente a clareza das imagens. Em relação à aprendizagem percebida, 78,7% afirmaram ter acessado pelo menos uma informação nova durante a atividade.

Os resultados também demonstraram efetividade da intervenção: 86,4% relataram esclarecimento de dúvidas e 84,6% reconheceram novos aprendizados sobre transmissão e prevenção do HIV/aids. Além disso, 80,9% afirmaram que provavelmente compartilharão as informações aprendidas com outras pessoas, evidenciando o potencial multiplicador da ação.

De forma geral, a intervenção mostrou-se eficaz ao promover não apenas o acesso à informação, mas também o esclarecimento de dúvidas, o fortalecimento da confiança dos participantes e o estímulo à disseminação do conhecimento, contribuindo para ações mais efetivas de educação em saúde voltadas à prevenção do HIV/aids.

Como orientações para futuras intervenções, recomenda-se a utilização de metodologias dinâmicas e interativas para favorecer o engajamento dos adolescentes e jovens, bem como a incorporação de recursos lúdicos, que podem potencializar o processo de aprendizagem em saúde. Também é importante criar um ambiente acolhedor, participativo e livre de julgamentos, favorecendo o diálogo e estimulando os estudantes a discutir temas relacionados à sexualidade, ao HIV/aids e às demais IST.

Além disso, é aconselhável elaborar instrumentos e materiais educativos com linguagem clara e acessível, considerando possíveis dificuldades de interpretação e compreensão por parte dos estudantes. Durante as atividades, é recomendável que os mediadores estejam preparados para conduzir situações em que o tema da educação sexual seja inicialmente recebido com brincadeiras ou descontração, utilizando estratégias que valorizem a participação dos jovens sem perder de vista a seriedade e a relevância do conteúdo abordado.

Recomendamos o fortalecimento de ações contínuas de educação em saúde nas escolas, promovendo discussões permanentes sobre sexualidade, prevenção e autocuidado, de modo a ampliar o conhecimento e favorecer o protagonismo juvenil na disseminação de informações corretas sobre HIV/aids.

autor Principal

Sylvia Lopes Maia Teixeira

sylvialmt@hotmail.com

Pesquisadora em Saúde Pública

Coautores

Sylvia Lopes Maia Teixeira, Gustavo Batista Andrade, Felipe Cabói Avelino da Cruz, Maria Eduarda Melo Ferreira, Taís Magarão Rodrigues, Monick Lindenmeyer Guimarães

A prática foi aplicada em

Niterói, São Gonçalo, São José de Ubá

Rio de Janeiro

Sudeste

Esta prática está vinculada a

Av. Brasil, 4365 - Manguinhos, Rio de Janeiro - RJ, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Sylvia Lopes Maia Teixeira

Conta vinculada

03 jul 2026

CADASTRO

03 jul 2026

ATUALIZAÇÃO

27 nov 2024

inicio

09 out 2025

fim

Condição da prática

Concluída

Situação da Prática

Arquivos