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A experiência foi desenvolvida em quatro escolas da rede pública estadual de ensino do Rio de Janeiro (duas no município de Niterói, uma no município de São Gonçalo e uma no município de São João de Meriti). As quatro escolas situam-se em bairros que constituem territórios socialmente e economicamente vulneráveis, nos quais os estudantes frequentemente vivem em contextos marcados por baixa renda, insegurança alimentar, violência urbana, trabalho informal nas famílias e acesso limitado a serviços básicos.
Objetivo geral: Informar os adolescentes e jovens, estudantes de escolas públicas, a respeito dos modos de transmissão do HIV utilizando o jogo ‘PreventHIVo’ como recurso didático e estratégia educativa em saúde, buscando contribuir para a adoção de medidas e comportamentos individuais de prevenção contra as IST.
Objetivos específicos:
1. Comunicar e promover conhecimento científico e de educação em saúde a respeito do HIV e da aids;
2. Utilizar o jogo ‘PreventHIVo’ como recurso didático para abordagem dos modos de transmissão e prevenção combinada do HIV;
3. Promover um espaço de escuta e discussão sobre os diversos aspectos da infecção por HIV e da aids (estrutura do HIV, sintomas, modos de transmissão, estratégias de tratamento e prevenção combinada);
4. Sensibilizar os adolescentes e jovens com relação à importância de conhecer e se prevenir não só da infecção por HIV, mas também de outras IST como: sífilis, hepatites B e C, gonorreia e infecção pelo Papilomavírus humano.
Realizamos 4 intervenções educativas em escolas públicas do Rio de Janeiro, envolvendo 5 turmas do 1º ano e 8 do 2º ano do Ensino Médio (estudantes entre 15 e 18 anos). Em cada intervenção, empregamos um modelo didático do HIV, seguindo-se a dinâmica com o jogo ‘PreventHIVo’, um jogo de associação, cooperativo, composto por cartões imantados com ilustrações de situações ou objetos que representam (n=7) ou não (n=13) risco de transmissão do HIV. Seu objetivo é ordenar os cartões em um quadro de acordo com o risco de transmissão do HIV (sim ou não). Após a dinâmica, reforçamos formas de prevenção da infecção, com foco no uso de preservativos, PrEP, PEP e no conceito “carga viral indetectável=transmissão zero”, além da redução de danos com agulhas e seringas descartáveis.
As atividades foram organizadas no âmbito das visitas realizadas pelo Programa IOC+Escolas (IOC/FIOCRUZ) e adaptadas às especificidades das juventudes por meio de uma abordagem lúdica, participativa e acessível, com linguagem clara e direta, exemplos do cotidiano e diálogo aberto para facilitar a compreensão e interação dos jovens. Utilizamos também recursos visuais, imagens e elementos didáticos desenvolvidos para tornar o conteúdo mais compreensível e próximo da realidade juvenil, como os modelos do HIV feitos com isopor e massa de porcelana fria e as placas de PVC com símbolos de sim/não, utilizadas para votação dos estudantes. Valorizamos a interação entre os participantes, estimulando o trabalho em grupo, a construção coletiva do conhecimento e o protagonismo juvenil. Estudantes de graduação e pós-graduação do LABAIDS-IOC atuaram como mediadores nas intervenções, fortalecendo o protagonismo juvenil nessas ações. Considerando a influência das condições sociais nos processos de ensino-aprendizagem, a intervenção foi planejada de forma contextualizada à realidade dos estudantes da rede pública, contemplando suas vivências e aspectos relacionados à raça/cor, classe social, orientação sexual e identidade de gênero.
A adolescência é um período de importantes transformações, no qual o acesso à informação qualificada sobre saúde sexual é essencial para a prevenção do HIV e de outras infecções sexualmente transmissíveis (IST). Entretanto, estudantes da rede pública frequentemente vivenciam contextos de vulnerabilidade social que podem limitar o acesso a informações e serviços de saúde, tornando a escola um espaço estratégico para ações de educação em saúde. Nesse contexto, esta intervenção justifica-se pela necessidade de promover conhecimentos científicos sobre HIV, aids e outras IST por meio de metodologias participativas e lúdicas, capazes de estimular o diálogo, esclarecer dúvidas e desconstruir mitos relacionados à transmissão e à prevenção. A utilização do jogo educativo ‘PreventHIVo’, associada a recursos didáticos acessíveis e à mediação de estudantes de graduação e pós-graduação, favorece a participação ativa dos jovens, a construção coletiva do conhecimento e o fortalecimento do protagonismo juvenil, contribuindo para a adoção de práticas preventivas e para a redução das vulnerabilidades relacionadas às IST.
Entre 1991 e 2025, quase metade dos casos de infecção pelo HIV notificados no Brasil foi registrada entre jovens de 15 a 29 anos. Esta população não vivenciou o início da epidemia — período marcado por altas taxas de mortalidade e forte impacto social — e tende a perceber a AIDS como uma doença crônica controlável. Esta visão leva à subestimação dos riscos associados à infecção pelo HIV e à banalização do agravo, especialmente diante dos avanços no tratamento e nas estratégias de prevenção. Nesse contexto, observa-se uma baixa percepção de risco, que contribui para maior exposição ao vírus e menor adesão às orientações preventivas. Além disso, embora estratégias eficazes como a profilaxia pré-exposição (PrEP) e a profilaxia pós-exposição (PEP) estejam disponíveis no Brasil desde 2017 e 1999, respectivamente, ainda há um desconhecimento significativo entre os jovens sobre sua existência e formas de acesso.
A intervenção alcançou 273 estudantes de quatro escolas públicas: CE Almirante Tamandaré-Niterói (48), CIEP 397 Paulo Pontes-São João de Meriti (111), CE Monsenhor Barenco Coelho-São Gonçalo (63) e CE David Capistrano-Niterói (51). Em todas as ações, observou-se alta receptividade dos participantes, evidenciada pelo interesse, engajamento e interação durante a atividade educativa.
Os indicadores de conhecimento prévio mostraram que 60,8% dos estudantes já haviam tido contato com conteúdo sobre HIV/aids, porém 56,8% avaliavam seu conhecimento como regular ou insuficiente, evidenciando lacunas importantes na assimilação do conteúdo. Quanto às fontes de informação, 25,6% recorriam à internet para esclarecer dúvidas sobre sexualidade. Além disso, 32,2% apontaram vergonha ou timidez como barreiras ao diálogo sobre o tema, reforçando a necessidade de espaços seguros de discussão. Apenas 29,3% se sentiam aptos a orientar outras pessoas sobre HIV/aids, enquanto 16,8% não demonstravam interesse em ampliar oportunidades de diálogo. Esses resultados reforçam a importância de intervenções que informem e fortaleçam a confiança dos jovens em compartilhar conhecimentos.
Após a atividade, os indicadores de usabilidade e satisfação evidenciaram boa aceitação do recurso educativo: 76,5% consideraram o jogo fácil de utilizar e 79,8% avaliaram positivamente a clareza das imagens. Em relação à aprendizagem percebida, 78,7% afirmaram ter acessado pelo menos uma informação nova durante a atividade.
Os resultados também demonstraram efetividade da intervenção: 86,4% relataram esclarecimento de dúvidas e 84,6% reconheceram novos aprendizados sobre transmissão e prevenção do HIV/aids. Além disso, 80,9% afirmaram que provavelmente compartilharão as informações aprendidas com outras pessoas, evidenciando o potencial multiplicador da ação.
De forma geral, a intervenção mostrou-se eficaz ao promover não apenas o acesso à informação, mas também o esclarecimento de dúvidas, o fortalecimento da confiança dos participantes e o estímulo à disseminação do conhecimento, contribuindo para ações mais efetivas de educação em saúde voltadas à prevenção do HIV/aids.
Como orientações para futuras intervenções, recomenda-se a utilização de metodologias dinâmicas e interativas para favorecer o engajamento dos adolescentes e jovens, bem como a incorporação de recursos lúdicos, que podem potencializar o processo de aprendizagem em saúde. Também é importante criar um ambiente acolhedor, participativo e livre de julgamentos, favorecendo o diálogo e estimulando os estudantes a discutir temas relacionados à sexualidade, ao HIV/aids e às demais IST.
Além disso, é aconselhável elaborar instrumentos e materiais educativos com linguagem clara e acessível, considerando possíveis dificuldades de interpretação e compreensão por parte dos estudantes. Durante as atividades, é recomendável que os mediadores estejam preparados para conduzir situações em que o tema da educação sexual seja inicialmente recebido com brincadeiras ou descontração, utilizando estratégias que valorizem a participação dos jovens sem perder de vista a seriedade e a relevância do conteúdo abordado.
Recomendamos o fortalecimento de ações contínuas de educação em saúde nas escolas, promovendo discussões permanentes sobre sexualidade, prevenção e autocuidado, de modo a ampliar o conhecimento e favorecer o protagonismo juvenil na disseminação de informações corretas sobre HIV/aids.
Av. Brasil, 4365 - Manguinhos, Rio de Janeiro - RJ, Brasil
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