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Introdução
O município de Monteiro, localizado no Cariri Ocidental paraibano, possui uma área de 992,62 km² e densidade demográfica de 32,52 hab/km². Nas últimas décadas, o cenário epidemiológico brasileiro passou por transformações significativas, sendo o aumento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) e de seus fatores de risco os problemas de saúde de maior magnitude. Segundo dados demográficos do IBGE (2023), Monteiro apresenta um expressivo aumento do contingente populacional idoso, cenário que correlaciona-se ao incremento das DCNT. Nesse contexto, o medicamento consolidou-se como o insumo terapêutico mais utilizado no manejo dessas patologias. Contudo, observou-se que, mesmo com o acesso garantido aos fármacos, os pacientes apresentavam dificuldades na compreensão e adesão à farmacoterapia. Diante desse desafio, o projeto foi instituído a partir da sensibilização dos gestores e da equipe de saúde, visando a estruturação de um cuidado farmacêutico colaborativo e centrado no paciente. Para a elegibilidade, estabeleceu-se como critério que os pacientes possuíssem mais de uma condição crônica e estivessem em uso de, no mínimo, um medicamento.
Objetivos
Geral: Implantar o atendimento clínico farmacêutico nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) do município de Monteiro, fortalecendo a Atenção Básica (AB).
Específicos: Prevenir, identificar e resolver Problemas Relacionados à Farmacoterapia (PRF) com foco no atendimento centrado na pessoa, família e comunidade; sensibilizar gestores e equipes multiprofissionais; definir critérios de elegibilidade para o atendimento clínico; e estabelecer indicadores para o monitoramento, avaliação e qualificação do cuidado farmacêutico no âmbito do SUS.
Metodologia
O projeto técnico iniciou-se no segundo semestre de 2022, mediante parceria entre PROADI-SUS, Hospital Alemão Oswaldo Cruz (HAOC), CONASEMS e Ministério da Saúde. As etapas incluíram: análise do cenário local; sensibilização da gestão e equipe via reuniões coletivas e individuais; e alocação de 20% da carga horária do farmacêutico para atendimentos clínicos (4 horas semanais por unidade). As ações concentraram-se na UBS 8, UBS 9 e na Central de Matérias e Medicamentos (CEMAM), onde já ocorriam atividades de triagem. A partir de maio de 2023, iniciaram-se os atendimentos, priorizando pacientes com DCNTs descontroladas (diabetes mellitus, hipertensão, dislipidemia) e polifarmácia (uso de cinco ou mais medicamentos/dia). O agendamento foi realizado via busca ativa, demanda espontânea e encaminhamento por outros profissionais. O monitoramento foi estruturado a partir da resolução de PRFs e do controle dos problemas de saúde dos pacientes.
Resultados
Foram realizados 82 atendimentos, sendo 64 iniciais e 18 de retorno, com pacientes na faixa etária de 40 a 80 anos, predominantemente com ensino fundamental incompleto. A utilização da ferramenta de monitoramento do PROADI-SUS/HAOC permitiu classificar a alta prevalência de PRFs: necessidade (36%), efetividade (25%), adesão (25%) e segurança (14%). As intervenções farmacêuticas concentraram-se em: informação e aconselhamento (62%), encaminhamento a outros profissionais (13%), sugestão de ajustes na terapia (10%) e monitoramento (9%). As cinco principais condições de saúde registradas foram: hipertensão (35 casos), diabetes tipo II (28), dislipidemias (20), ansiedade e depressão (14) e hipotireoidismo (10). Observou-se que, após a intervenção farmacêutica, os pacientes apresentaram melhor controle clínico em comparação aos níveis de descontrole relatados na primeira consulta.
Conclusão
A implantação do cuidado farmacêutico na Atenção Básica de Monteiro consolidou uma prática assistencial centrada na pessoa, reafirmando o papel do farmacêutico na garantia da necessidade, efetividade, segurança e conveniência terapêutica. A integração deste profissional na equipe multiprofissional foi fundamental para o êxito do cuidado aos pacientes com condições crônicas. Os resultados positivos evidenciam que, para o controle das DCNTs, é imperativo o letramento em saúde, aliado à orientação adequada, permitindo que pacientes em situação de vulnerabilidade compreendam suas necessidades terapêuticas e utilizem seus medicamentos de forma correta e segura.
As Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) e seus fatores de risco constituem, atualmente, o problema de saúde de maior magnitude. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2023) apontam que, no contexto da transição demográfica e epidemiológica, o município de Monteiro registrou um aumento expressivo no contingente da população idosa, fenômeno que se correlaciona diretamente com a maior prevalência dessas condições crônicas. Nesse cenário, o medicamento destaca-se como o insumo terapêutico central para o manejo das DCNTs, o que impulsiona o aumento do consumo farmacológico pela população. Todavia, observa-se que, mesmo com o acesso garantido aos insumos, os pacientes ainda enfrentam dificuldades significativas na compreensão e na administração correta de sua farmacoterapia.
Os dados foram coletados por meio da ferramenta estruturada disponibilizada pelo PROADI-SUS, HAOC e CONASEMS. Os resultados indicaram uma alta prevalência de Problemas Relacionados à Farmacoterapia (PRF), distribuídos da seguinte forma: necessidade (36%), efetividade (25%), adesão (25%) e segurança (14%). Quanto às intervenções farmacêuticas, observou-se a predominância de ações voltadas à informação e aconselhamento (62%), seguidas pelo encaminhamento a outros profissionais (13%), sugestão de adequação da farmacoterapia (10%) e monitoramento clínico (9%). Em relação às condições de saúde, destacam-se as DCNT como as cinco principais queixas: hipertensão arterial (35 pacientes), diabetes mellitus tipo II (28), dislipidemias – colesterol alto/triglicerídeos (20), ansiedade e depressão (14) e hipotireoidismo (10). Vale ressaltar que, se nas primeiras consultas os pacientes apresentavam descontrole e desconhecimento acerca de suas patologias, nas consultas de retorno foi possível observar uma evolução positiva, com o efetivo controle das condições de saúde.
A implantação do cuidado farmacêutico na Atenção Básica consolidou a aproximação do farmacêutico com o paciente. A prática, alicerçada no cuidado centrado na pessoa, demonstra que o farmacêutico atua como um profissional do cuidado que, além de garantir o acesso ao insumo, assegura que a terapia seja necessária, efetiva, segura e conveniente. Adicionalmente, o fortalecimento desta prática no município de Monteiro permitiu a integração efetiva do farmacêutico à equipe multiprofissional, contribuindo diretamente para o manejo assistencial de pacientes com condições crônicas descompensadas. Conclui-se que o cuidado farmacêutico em Monteiro é inovador e estratégico, tendo alcançado os objetivos propostos com resultados positivos no controle das condições de saúde. Os dados obtidos reafirmam que, para o manejo das DCNT, é indispensável compreender as causas da doença e seus fatores de risco. Nesse sentido, a orientação qualificada mostra-se fundamental, especialmente para pacientes com maior vulnerabilidade de informação, capacitando-os a compreender suas necessidades em saúde e a realizar o uso correto e racional dos medicamentos.
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