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A Atenção Primária à Saúde (APS) enfrenta desafios crescentes relacionados ao sofrimento psíquico leve, insegurança alimentar, sedentarismo e baixa adesão às atividades coletivas nas Unidades Básicas de Saúde da Família (UBSF). Em Araguari-MG, evidenciou-se também a necessidade de ampliar e qualificar as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS), fortalecendo estratégias de cuidado integral, promoção da saúde e prevenção de agravos.
Diante desse cenário, a equipe multiprofissional eMulti da Fundação de Assistência, Estudo e Pesquisa de Uberlândia (FAEPU) implantou o projeto “Semeando Saúde”, com hortoterapia Comunitária associada a oficinas educativas sobre Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC), no período de março a dezembro de 2025. A experiência envolveu usuários adultos e idosos acompanhados pelas equipes de saúde da família.
A iniciativa surgiu da necessidade de desenvolver estratégias inovadoras, sustentáveis e de baixo custo, capazes de promover saúde mental, educação alimentar e fortalecimento do vínculo comunitário. A proposta integrou hortoterapia, fitoterapia, psicoterapia comunitária e educação nutricional, valorizando saberes populares e o protagonismo dos usuários no cuidado em saúde.
OBJETIVOS
Objetivo Geral:
Implantar e desenvolver a hortoterapia comunitária associada a oficinas de PANC como estratégia de promoção da saúde integral e fortalecimento das PICS na Atenção Primária à Saúde.
Objetivos Específicos:
* Promover saúde mental, socialização e bem-estar;
* Incentivar alimentação saudável e consumo de PANC;
* Estimular autocuidado e protagonismo comunitário;
* Valorizar saberes populares sobre plantas medicinais e alimentícias;
* Integrar sustentabilidade e educação ambiental ao cuidado em saúde;
* Fortalecer a atuação multiprofissional da equipe eMulti.
METODOLOGIA
Trata-se de relato de experiência descritivo sobre a implantação do projeto de hortoterapia Comunitária nas UBSF gerenciadas pela FAEPU em Araguari-MG, desenvolvido entre março e dezembro de 2025 pela equipe multiprofissional eMulti, composta por nutricionistas, psicólogas, médicos, enfermeiros, farmacêuticos, assistente social e agentes comunitários de saúde.
A estratégia baseou-se na implantação de hortas comunitárias terapêuticas utilizando pneus inservíveis como canteiros, promovendo sustentabilidade ambiental e reaproveitamento de materiais. As etapas incluíram planejamento coletivo, escolha das espécies, oficinas de arteterapia (pintura dos pneus), plantio de espécies medicinais e alimentícias, identificação botânica, manutenção contínua e colheita compartilhada.
As atividades foram ampliadas com práticas corporais ao ar livre, como alongamentos e vivências em ambiente natural, fortalecendo a dimensão da psicoterapia comunitária e promoção da saúde mental.
Paralelamente, foram realizadas oficinas de nutrição com enfoque em PANC, incluindo sensibilização teórica, demonstração culinária, preparo coletivo de receitas, degustação orientada e rodas de conversa sobre segurança alimentar e uso culinário das espécies.
A avaliação foi realizada por meio de questionário estruturado aplicado presencialmente e via formulário eletrônico, com análise descritiva dos dados.
A crescente incidência de sofrimento psíquico leve, associada à insegurança alimentar, sedentarismo e baixa adesão às atividades coletivas nas UBSF, evidenciou a necessidade de implementar estratégias inovadoras, sustentáveis e integrativas que fortalecessem o cuidado integral, a promoção da saúde e o vínculo comunitário na Atenção Primária.
Participaram da experiência 22 usuários das UBSF, com predominância do sexo feminino (63,6%) e elevada adesão às atividades. Os resultados evidenciaram impacto positivo nos campos da educação alimentar, saúde mental, autocuidado e fortalecimento das PICS.
Antes das oficinas, 50% dos participantes relataram conhecer PANC de forma superficial e 9,1% não possuíam conhecimento prévio. Após a intervenção, 72,7% referiram melhora significativa do conhecimento e 22,7% melhora parcial, sendo que 77,3% passaram a reconhecer espécies utilizadas.
Em relação ao comportamento alimentar, apenas 18,2% consumiam PANC regularmente antes da intervenção; após as oficinas, 86,4% manifestaram intenção de inclusão na alimentação e 76,7% relataram maior motivação para hábitos alimentares saudáveis.
Quanto ao cultivo, 36,4% iniciaram plantio doméstico e 22,7% demonstraram intenção futura. No campo da saúde integral, 100% relataram melhora no bem-estar e alimentação.
As atividades foram reconhecidas como espaços de acolhimento, socialização e cuidado psicossocial, contribuindo para redução do estresse, fortalecimento de vínculos e ampliação do suporte comunitário.
A totalidade dos participantes (100%) recomendaria a experiência, evidenciando alta aceitação, impacto social e potencial de replicabilidade.
Recomenda-se iniciar com diagnóstico do território para identificar demandas e potencialidades locais, envolvendo ativamente a equipe multiprofissional e a comunidade desde o planejamento. É fundamental utilizar materiais de baixo custo e reaproveitáveis, garantir apoio da gestão e organizar cronograma contínuo de atividades. Valorizar saberes populares, promover oficinas práticas e criar espaços de escuta qualificada favorecem o vínculo e a adesão. Além disso, monitorar resultados e registrar a experiência contribui para a sustentabilidade e replicabilidade da iniciativa.
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