Temos como proposta apresentar o grupo de recepção do CAPS Antônio Carlos Alves Nova, no município de São João da Barra- RJ que foi criado em Janeiro de 2024 e conduzido pela psicóloga Priscila Paes e a enfermeira Tatiana Avelar como forma de triagem e monitoramento dos usuários do serviço a fim reorganizar o acesso ao mesmo, recebendo e acolhendo as demandas espontâneas e os encaminhamentos da rede, evitando a cronificação ou estigmatização da demanda por atendimento à saúde mental.
A importância desse trabalho consiste em possibilitar a organização do fluxo de atendimento no CAPS e por consequência da Rede de Atenção Psicossocial – RAPS.
Esse grupo tem por objetivo oferecer espaço de escuta, acolhimento, apresentar a rede de saúde mental do município, explicar a diferença entre a atendimento ambulatorial e o atendimento ofertado no CAPS e realizar o aprofundamento das demandas que chegam ao serviço de forma a pensar o melhor Projeto Terapêutico Singular – PTS para cada um dos usuários, seja mantendo seu atendimento no CAPS ou encaminhando aos demais dispositivos de saúde mental, favorecendo a referência e contrareferência entre os mesmos, de forma a conseguir acompanhar a trajetória do usuários dentro da rede de saúde mental do município.
O grupo ocorre toda quinta-feira às 10h e é conduzido pela psicóloga Priscila Paes e pela enfermeira Tatiana Avelar. O paciente ao chegar na unidade é acolhido por um técnico que realiza a escuta e o preenchimento da Ficha de Admissão, sendo agendado para o grupo de recepção para avaliação e triagem. Como funciona de porta aberta, o acolhimento se dá sem necessidade de agendamento prévio ou encaminhamento, no entanto, a manutenção do seu tratamento e elaboração do PTS estão condicionados a participação do usuário no grupo de recepção. O estabelecido é que todo paciente novo no CAPS ou paciente que seja de retorno após período de afastamento do tratamento (6 meses) passe pelo grupo de recepção. São atendidos no máximo 5 pessoas, neste momento de forma coletiva apresentamos os objetivos e a rede de cuidado. Além da escuta coletiva é ofertada também a escuta individual dos usuários e seus familiares e/ou rede de apoio. Para aqueles que após o grupo de recepção serão acompanhados no CAPS, é feito junto ao mesmo o início de seu PTS, pensando seu profissional de referência, participação nas oficinas e dias de atendimento no dispositivo e encaminhamentos para as demais redes intersetoriais e os que não são casos para atendimento no CAPS são encaminhados para Rede de Atenção Psicossocial -RAPS. Num segundo momento os coordenadores compartilham em reunião de equipe os casos atendidos no dia com breve relato e os encaminhamentos realizados.
Foi observado o fluxo desordenado da demanda impossibilitando o adequado acompanhamento dos casos dos usuários que haviam iniciado atendimento recente no dispositivo, bem como a necessidade de compartilhar entre a equipe os casos novos no CAPS. Necessidade de organizar o fluxo de porta de saída dos casos não graves.
O CAPS atendeu no ano de 2024, 128 pacientes através do Grupo de Recepção. A partir da coleta de dados foi possível realizar o monitoramento e traçar o perfil de todos os usuários que passaram pelo grupo. Os dados apontam que a maioria dos atendimentos foram realizados a pessoas do gênero feminino (53,9%), porém a diferença com o gênero masculino não foi tão significativa. No que tange ao diagnóstico inicial, realizamos a discriminação entre pacientes encaminhados por questões referente a Transtorno por uso de substância (AD – Álcool e Drogas), pacientes com Transtorno Mental (TM) e pacientes com transtorno por uso de substância associado a demais transtornos mentais (AD + TM). Foi observado que 54% dos usuários apresentavam diagnóstico de Transtorno Mental, 33% com diagnóstico AD e 13% com diagnóstico AD + TM. Em relação aos pacientes com tentativas de suicídio, passaram pelo grupo 26 pacientes, destes, 09 com internação em leito de saúde mental cofinanciado em hospital geral. Destes, 90 tiveram perfil para atendimento inicial no CAPS, sendo elaborado PTS para os mesmos, os demais foram encaminhados para atendimento a nível ambulatorial com as equipes de Saúde Mental no território. Também foram realizados encaminhamentos para a rede municipal de educação, programa saúde da mulher, rede municipal de assistência social, equipe E-multi, secretaria municipal de cultura, atenção básica e demais dispositivos da rede municipal.
Para facilitar a implementação será importante organizar o fluxo entre os profissionais da equipe, manter um registro dos usuários atendidos para monitoramento do perfil, manter na recepção caderno de agendamento e fomentar boa relação com a rede intersetorial.
Rua Heloisa de Souza Machado - Nova São João da Barra, São João da Barra - RJ, Brasil
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