CONTEXTUALIZAÇÃO
A hepatite B permanece como um importante desafio para a saúde pública brasileira, devido à sua alta transmissibilidade e às complicações associadas à infecção crônica. Na Atenção Primária à Saúde (APS), a oferta de testes rápidos representa uma estratégia fundamental para diagnóstico precoce, acompanhamento clínico e prevenção de novos casos.
A experiência relatada foi desenvolvida em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) do município de Irecê (BA), durante o estágio supervisionado de uma acadêmica do 9º semestre de Enfermagem. A vivência ocorreu em outubro de 2025, no contexto das ações de rotina da UBS relacionadas ao rastreamento das hepatites virais. O cenário envolve a realização de um teste rápido para hepatite B que apresentou resultado reagente, demandando acolhimento, orientação e encaminhamento da paciente conforme os protocolos do Ministério da Saúde.
OBJETIVOS DA EXPERIÊNCIA
Objetivo geral:
Descrever a atuação da enfermagem na realização do teste rápido para hepatite B diante de um resultado reagente, destacando condutas, desafios e aprendizagens decorrentes da situação vivenciada na APS.
Objetivos específicos:
Relatar o processo de testagem, acolhimento e aconselhamento pós-teste.
Evidenciar as dificuldades encontradas pela equipe durante a comunicação do resultado.
Demonstrar a importância do papel do enfermeiro na notificação, na educação em saúde e no encaminhamento do paciente.
Refletir sobre competências técnicas, éticas e humanizadas desenvolvidas na prática.
JUSTIFICATIVA
A experiência se justifica pela necessidade permanente de fortalecimento das práticas de prevenção, diagnóstico precoce e acompanhamento da hepatite B. Embora a vacina esteja amplamente disponível, muitos casos ainda permanecem subdiagnosticados, reforçando o papel central das UBS na testagem e educação em saúde.
DESCRIÇÃO DA IMPLEMENTAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA EXPERIÊNCIA
A atividade iniciou-se com o acolhimento da paciente, seguido de explicações claras sobre a finalidade do teste rápido, o caráter sigiloso da informação e a importância da detecção precoce. A coleta ocorreu conforme as normas de biossegurança e diretrizes técnicas do Ministério da Saúde.
Após o tempo de reação, o teste apresentou resultado reagente para hepatite B. Diante disso, o atendimento passou a envolver comunicação terapêutica, escuta ativa e suporte emocional. A paciente recebeu esclarecimentos sobre o significado do teste, a necessidade de exames confirmatórios (HBsAg, anti-HBs e anti-HBc total) e orientações sobre formas de transmissão e medidas preventivas.
As etapas seguintes incluíram:
Registro e notificação do caso no SINAN;
Encaminhamento para o serviço municipal de referência em hepatites virais;
Orientações educativas sobre vacinação dos contatos próximos, uso de preservativos e cuidados com objetos pessoais;
Apoio continuado, garantindo vínculo e confiança.
A experiência permitiu identificar desafios, como lidar com o impacto emocional do resultado, enfrentar preconceitos ainda associados à doença e conduzir a comunicação com empatia e clareza.
Além disso, vivências práticas no contexto real dos serviços contribuem para a formação de profissionais sensíveis, qualificados e comprometidos com a integralidade do cuidado. Sustentar ações humanizadas e baseadas em evidências é fundamental para reduzir o estigma associado às doenças infectocontagiosas e ampliar o acesso à informação e à assistência de qualidade.
A experiência aborda a realização do teste rápido para hepatite B na Atenção Primária, destacando o desafio do diagnóstico precoce e do acolhimento diante de resultados reagentes. A situação revelou a necessidade de qualificar a comunicação, o aconselhamento e o fluxo de encaminhamento, identificando oportunidade de aperfeiçoar o cuidado humanizado e fortalecer ações de prevenção e educação em saúde na UBS.
A prática resultou no diagnóstico rápido e encaminhamento oportuno da paciente, fortalecendo a vigilância e o fluxo assistencial da UBS. A abordagem humanizada e o aconselhamento qualificado aumentaram a compreensão da paciente sobre prevenção e vacinação. A experiência inovou ao integrar técnica, acolhimento e comunicação terapêutica, evidenciando que o teste rápido é também uma oportunidade educativa. Entre as principais lições, destacam-se a importância do sigilo, da escuta ativa e do preparo da equipe para lidar com resultados reagentes, promovendo um cuidado mais seguro, humano e efetivo.
Recomenda-se garantir capacitação da equipe sobre testes rápidos e comunicação terapêutica, preparar previamente os materiais e fluxos de encaminhamento e manter ambiente acolhedor para o paciente. É essencial reforçar biossegurança, assegurar sigilo, registrar e notificar corretamente os casos e integrar orientação educativa ao atendimento. A escuta ativa, o respeito e a clareza nas explicações facilitam a adesão e qualificam toda a prática.
Faculdade Irecê - FAI - Rua Rio Iguaçu - Irecê, BA, Brasil
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