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De volta para casa: a APS sustentando o cuidado na desospitalização infantojuvenil

Verônica Werneck Pereira

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Verônica Werneck Pereira

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A experiência foi desenvolvida no município de Mendes (RJ), diante do aumento progressivo de demandas relacionadas à desospitalização de crianças e adolescentes com condições crônicas e necessidade de cuidado contínuo no domicílio. A ausência temporária da habilitação da Equipe Multiprofissional de Apoio para Reabilitação (EMAP-R), prevista no Programa Melhor em Casa, produziu lacunas assistenciais entre a alta hospitalar e a continuidade do cuidado no território, gerando insegurança clínica, sobrecarga familiar e crescente judicialização para garantia da assistência domiciliar.

A partir da análise situacional realizada pela gestão municipal de saúde, identificou-se a necessidade de reorganizar o processo assistencial utilizando a Atenção Primária à Saúde (APS) como coordenadora do cuidado. Assim, estruturou-se um modelo territorializado de desospitalização infantojuvenil, no qual as equipes da Estratégia Saúde da Família passaram a assumir o acompanhamento longitudinal após a alta hospitalar, articulando cuidado clínico, suporte multiprofissional, provisão de insumos e orientação sistemática às famílias e cuidadores.

A iniciativa consolidou fluxos assistenciais entre hospital, gestão e APS, ampliando a capacidade resolutiva do território para atender condições complexas fora do ambiente hospitalar. A prática fortaleceu a integralidade da atenção, promoveu maior humanização da assistência e consolidou a Atenção Primária como eixo sustentador da desospitalização, transformando uma lacuna assistencial em estratégia estruturante de cuidado contínuo no SUS local.

O município passou a enfrentar aumento das altas hospitalares de crianças e adolescentes dependentes de cuidados contínuos, sem que houvesse estrutura intermediária capaz de garantir transição segura para o domicílio. A inexistência temporária de equipe especializada para desospitalização produzia descontinuidade assistencial, insegurança para famílias e profissionais e recorrente judicialização para acesso a insumos, equipamentos e acompanhamento domiciliar.

A demanda era atendida de forma reativa e fragmentada, centrada em respostas emergenciais, sem coordenação longitudinal do cuidado. Esse cenário evidenciou fragilidade na articulação entre níveis de atenção e risco de reinternações evitáveis. A gestão municipal identificou, portanto, a oportunidade de reorganizar o processo de trabalho a partir da APS, estruturando fluxo assistencial capaz de garantir cuidado contínuo, territorializado e clinicamente seguro, reduzindo vazios assistenciais e fortalecendo a rede pública de saúde.

A implantação do modelo de desospitalização coordenado pela Atenção Primária produziu reorganização significativa do cuidado infantojuvenil no município. Observou-se ampliação da capacidade resolutiva das equipes da Estratégia Saúde da Família, com acompanhamento domiciliar sistemático, maior vínculo entre profissionais e famílias e melhoria da continuidade assistencial após a alta hospitalar.

A prática contribuiu para redução progressiva da judicialização relacionada ao cuidado domiciliar, maior previsibilidade na provisão de insumos e tecnologias assistivas e diminuição da fragmentação entre serviços hospitalares e territoriais. Houve fortalecimento da autonomia familiar no manejo do cuidado, qualificação clínica das equipes e otimização do uso de recursos públicos ao evitar reinternações desnecessárias.

Como inovação, destaca-se a incorporação da desospitalização ao escopo de atuação da Atenção Primária, que passou a sustentar o cuidado complexo no território por meio da reorganização do processo de trabalho, demonstrando que tecnologias organizacionais podem ampliar a capacidade do SUS de garantir continuidade assistencial mesmo em contextos de limitação estrutural.

Para implementação de prática semelhante, recomenda-se iniciar com análise situacional conduzida pela gestão, identificando lacunas entre alta hospitalar e cuidado territorial. É fundamental estabelecer fluxos formais de comunicação entre hospital, gestão e equipes da APS, garantindo corresponsabilização assistencial desde o planejamento da alta.

A qualificação das equipes deve priorizar cuidado domiciliar, educação permanente e organização de registros assistenciais que assegurem continuidade do acompanhamento. A provisão programada de insumos e tecnologias assistivas reduz judicializações e aumenta a segurança do cuidado.

Destaca-se ainda a importância do apoio institucional da gestão municipal, da atuação multiprofissional e do fortalecimento do vínculo com famílias e cuidadores. A experiência evidencia que a desospitalização sustentável não depende exclusivamente da criação de novos serviços, mas da capacidade da gestão e das equipes de reorganizar o cuidado a partir das necessidades reais das famílias, reafirmando a Atenção Primária como centro coordenador da continuidade do cuidado no SUS.

autor Principal

Verônica Werneck Pereira

veronica.smsmendes@gmail.com

Coordenadora Administrativa de Atenção Básica

Coautores

A prática foi aplicada em

Mendes

Rio de Janeiro

Sudeste

Esta prática está vinculada a

Rua Professor Paulo Sérgio Nader Pereira - Vila Wesley, Mendes - RJ, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Verônica Werneck Pereira

Conta vinculada

24 mar 2026

CADASTRO

24 mar 2026

ATUALIZAÇÃO

08 jan 2025

inicio

fim

Condição da prática

Andamento

Situação da Prática

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