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Continuidade do cuidado em obstetrícia do hospital à Atenção Primária: o uso de agenda compartilhada

GABRIEL MENDES CORRÊA DA SILVA

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A Atenção ao Pré-Natal constitui um dos pilares fundamentais para a redução da morbimortalidade materna e infantil, refletindo diretamente a qualidade da assistência prestada no Sistema Único de Saúde (SUS). No entanto, O panorama epidemiológico brasileiro revela desigualdades e desafios persistentes na assistência de gestantes. Comunicação do Conselho Nacional de Saúde (CNS) de 2025 aponta que 9 a cada dez mortes maternas são evitáveis, e que houve uma piora da mortalidade materno-infantil após a pandemia de COVID-19. As principais causas desses óbitos incluem complicações evitáveis como hipertensão, pré-eclâmpsia e eclâmpsia, hemorragias graves e infecções puerperais, agravadas por desigualdades regionais e étnico-raciais que expõem mulheres pretas, pardas e indígenas a riscos significativamente maiores.
A garantia de uma atenção integral e de qualidade ao pré-natal, capaz de melhorar esse cenário epidemiológico, enfrenta problemas de vários níveis de complexidade. Um dos principais gargalos é a fragmentação do cuidado, manifestada na falta de comunicação efetiva entre os diferentes pontos da Rede de Atenção à Saúde. Os pontos de atenção à gestante dentro das redes assistenciais incluem a Atenção Primária à Saúde (APS). os serviços de urgência e emergência clínicas e obstétricas, os ambulatórios de alto risco e os Hospitais Maternidade. A transição entre serviços, entretanto, frequentemente ocorre de forma desarticulada, o que compromete a segurança e o desfecho da gestação, especialmente em situações de risco. (OLIVEIRA, 2018).
A nível nacional avança a articulação da Rede Alyne (BRASIL, 2025) com foco em aprofundar a humanização e reduzir a morbimortalidade materna. A nível municipal, o presente trabalho planeja descrever uma experiência exitosa no campo da continuidade do cuidado (HAGGERTY et al., 2003) em mulheres gestantes e no binômio mãe-criança a partir do compartilhamento da agenda direta da Atenção Primária à Saúde com a equipe administrativa da maternidade de referência municipal de Valença.

•Objetivos

Descrever o processo de integração e continuidade do cuidado entre atenção terciária na maternidade e atenção primária para gestantes do município de Valença

•Metodologia

A identificação da fragmentação do cuidado e do desafio de cuidado às gestantes aparece em relato dos profissionais de Atenção Primária à Saúde, em reunião mensal com as enfermeiras coordenadores de equipe, que informam que durante atendimentos de urgência no pronto-socorro obstétrico da maternidade municipal a gestante era agendada diretamente para o ambulatório de obstetrícia, gerando fragmentação do cuidado e interrompendo o acompanhamento na APS.

O problema levado para reunião interníveis com a presença de representantes do prestador de serviço Hospital Maternidade, do departamento de controle e avaliação da SMS, do departamento de atenção básica da SMS, e representantes do convênio de cogestão da APS. Debateu-se a preocupação com a linha de cuidado à gestante e puérpera e o vínculo territorial, bem como a preocupação com garantir o fluxo da urgência ao ambulatório para gestantes, por medo da desassistência. Aventada a ideia que a equipe administrativa hospitalar tivesse acesso a agendamento direto com as equipes de atenção básica, para já entregar em mãos para a gestante a data e hora de sua consulta de seguimento após o atendimento na urgência obstétrica, pactuou-se sua execução.

Escolheu-se operacionalizar a proposta com criação de acesso (login) para as auxiliares administrativas da maternidade no sistema e-SUS APS utilizado pela atenção básica do município, software do Ministério da Saúde aplicado no município na sua versão 5.4.31.

Em nova reunião com os enfermeiros coordenadores da equipe, pactuou-se que as terças-feiras e às quintas-feiras à tarde seriam os turnos de agendamento prioritário para essas gestantes, e em Outubro de 2025 realizou-se o treinamento para que o administrativo da maternidade, após qualquer contato de atendimento de urgência, internação da gestante, ou alta da puérpera pós parto levasse a um agendamento para a próxima data disponível na Equipe de APS do território da paciente, identificada por endereço e cartão SUS.

O aumento de consultas agendadas e consultas de cuidado continuado e programado à população gestante de Valença vem aumentando gradativamente, apontando que contatos com a rede assistencial de urgência e emergência levam sistematicamente a consultas de seguimento na Atenção Primária em Saúde, ampliando a adesão, a comunicação de contra-referência, e a continuidade do cuidado.

Tipo de Atendimento à Gestante na APS por mês de acordo com relatório gerencial do e-SUS APS versão 5.4 de Valença – RJ

Mês
ago/25
set/25
out/25
nov/25
dez/25
jan/26
Totais
Tipo de Atendimento

Atendimento de Urgência
5
6
2
8
4
5
30
Consulta Agendada
105
142
123
140
167
300
977
Consulta Agendada Programada / Cuidado Continuado
17
9
19
27
23
26
121
Consulta no Dia
309
276
229
293
216
356
1679
Totais

436
433
373
468
410
687
2807

•Conclusões
A construção de uma linha de cuidado municipal, com pactuação de seguimento de atendimentos de urgência à gestante direcionada para a APS ao invés de no ambulatório da maternidade, e a garantia de acesso a consulta pelo agendamento direto realizado na maternidade permitiu melhorar a continuidade do cuidado e o volume total de consultas agendadas para gestantes na APS do município.

Reunião intersetorial para construção de fluxo de cuidado,
diálogo com coordenadores de sistema de informação para uso de ferramentas do sistema que facilitem o cuidado,
pactuações entre equipes de datas preferenciais para gestão coletiva da agenda por múltiplos dispositivos de saúde.

autor Principal

GABRIEL MENDES CORRÊA DA SILVA

gabriel.silva@valenca.rj.gov.br

Diretor Técnico Médico da Atenção Primária à Saúde

Coautores

Gabriel Mendes Corrêa da Silva, Rosália de Souza Bibiano Magalhães, Rafael de Oliveira Tavares, Guilherme Vasconcellos Amaral, Leonardo Magalhães Teixeira

A prática foi aplicada em

Valença

Rio de Janeiro

Sudeste

Esta prática está vinculada a

Secretaria Municipal de Saúde de Valença

Rua Doutor Figueiredo, 320 - Centro, Valença - RJ, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

GABRIEL MENDES CORRÊA DA SILVA

Conta vinculada

26 mar 2026

CADASTRO

26 mar 2026

ATUALIZAÇÃO

inicio

fim

Condição da prática

Concluída

Situação da Prática

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