Caxias positHIVa: estratégias comunitárias de testagem e prevenção combinada

Ampliar e qualificar o acesso ao diagnóstico precoce do HIV e às estratégias de prevenção combinada em territórios periféricos de Duque de Caxias, contribuindo para a eliminação da aids como um problema de saúde pública. Para isso, os objetivos específicos buscaram implementar a testagem rápida comunitária e a distribuição regular de autotestes em áreas de alta vulnerabilidade, promover ações educativas para a desconstrução do estigma e a ampliação do conhecimento em saúde, fortalecer a vinculação imediata das pessoas diagnosticadas aos serviços de referência para garantir a continuidade do cuidado, e estimular o protagonismo comunitário através do engajamento de lideranças locais.

O desenvolvimento da experiência foi pautado pela compreensão das barreiras estruturais que historicamente afetam a Baixada Fluminense, refletindo-se em indicadores críticos no enfrentamento ao HIV/aids. Em Duque de Caxias, persistem desafios como a baixa cobertura de testagem, o diagnóstico tardio, a fragilidade na vinculação aos serviços de saúde e o estigma institucional e social que acomete as populações chave. A falta de investimentos e a precarização do sistema de saúde local agravaram essas desigualdades, criando um ciclo de exclusão que impacta diretamente a saúde pública. As comunidades periféricas, a exemplo do Complexo da Mangueirinha, enfrentam a ausência de serviços de saúde especializados e um distanciamento simbólico da rede SUS. Essa realidade compromete a busca espontânea por cuidado e se traduz em subnotificação de casos e dificuldade de adesão ao tratamento. A discriminação e a falta de acolhimento humanizado penalizam, de forma desproporcional, a juventude, a população negra, a comunidade LGBTQIAPN+, as trabalhadoras do sexo e as pessoas em situação de rua, que frequentemente não encontram espaços de confiança para buscar atendimento. A insegurança e o medo de julgamento se somam às barreiras físicas, gerando uma evasão do sistema e perpetuando o ciclo de vulnerabilidade. O cenário foi agravado pela pandemia de COVID-19, que interrompeu fluxos de atendimento, descontinuou campanhas de prevenção e acentuou a invisibilidade de grupos já marginalizados. Diante deste contexto, tornou-se imperativo construir uma resposta que enfrentasse não apenas a dimensão biomédica do HIV, mas também os determinantes sociais da saúde que perpetuam a vulnerabilidade na região, como o racismo estrutural, a pobreza e a falta de acesso à informação qualificada.

A experiência alcançou resultados expressivos no enfrentamento ao HIV/aids em Duque de Caxias, especialmente entre populações historicamente marginalizadas. Entre os principais resultados, destaca-se a ampliação do acesso ao diagnóstico precoce, com uma média de 100 testagens rápidas mensais realizadas em espaços comunitários, alcançando pessoas que dificilmente buscariam o serviço de saúde por conta própria.
Todas as pessoas com resultado reagente foram imediatamente acolhidas e vinculadas ao SUS, garantindo continuidade do cuidado e início oportuno do tratamento, o que contribuiu para reduzir o diagnóstico tardio e fortalecer o vínculo com a rede pública. As atividades educativas e rodas de conversa promoveram a redução do estigma e da discriminação, alcançando juventudes, população negra, mulheres, LGBTQIAPN+, trabalhadoras do sexo e pessoas em situação de rua. Em média, foram realizadas 20 ações mensais, fortalecendo o conhecimento sobre prevenção combinada e estimulando o protagonismo comunitário.
A mobilização social e o envolvimento das lideranças locais resultaram em uma rede mais articulada e participativa, garantindo maior adesão às práticas de prevenção e ampliando a confiança no cuidado em saúde. De forma geral, a experiência fortaleceu a resposta local ao HIV, contribuiu para a redução das vulnerabilidades sociais e sanitárias e consolidou uma metodologia comunitária eficaz de prevenção, educação e vinculação ao tratamento.

A implementação bem-sucedida da experiência depende, antes de tudo, da construção de confiança com a comunidade. É fundamental estabelecer vínculos sólidos com lideranças locais, organizações sociais, igrejas e coletivos do território, pois são esses atores que garantem o acesso às populações em maior vulnerabilidade e a adesão às ações propostas.
Outro ponto essencial é adotar uma abordagem extramuros, levando os serviços de testagem, prevenção e educação para espaços de convivência comunitária como praças, escolas e eventos culturais. Essa estratégia aproxima o cuidado da realidade das pessoas e amplia o alcance das ações.
Recomenda-se ainda planejar as atividades de forma intersetorial e interseccional, considerando recortes de gênero, raça, território e juventude, para que as ações sejam sensíveis às múltiplas vulnerabilidades.
A articulação com o SUS e a Atenção Primária à Saúde (APS) é indispensável. Garantir o encaminhamento imediato e o acompanhamento das pessoas diagnosticadas fortalece a rede pública e assegura continuidade do cuidado.
Por fim, é importante investir em comunicação comunitária — usando redes sociais, rádios locais e multiplicadores populares — e manter monitoramento constante dos indicadores (testagens realizadas, insumos distribuídos, público alcançado), assegurando transparência e avaliação contínua dos resultados.

autor Principal

CLEIDE JANE FIGUEIRO DE ARAUJO

amiresmissao@gmail.com

DIRETORA GERAL

Coautores

Cleide Jane, Alex Gomes

A prática foi aplicada em

Duque de Caxias

Rio de Janeiro

Sudeste

Esta prática está vinculada a

R. Antônio Davi, 354 - Parque Lafaiete, Duque de Caxias - RJ, Brasil

Uma organização do tipo

Terceiro Setor

Foi cadastrada por

Cleide Jane Figueiró de Araujo

Conta vinculada

12 nov 2025

CADASTRO

12 nov 2025

ATUALIZAÇÃO

Condição da prática

Concluída

Situação da Prática

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