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Cateterismo Vesical de Demora na Atenção Básica: Uma Década de Humanização, Cuidados e Boas Práticas
O cateterismo vesical de demora (CVD), antes de 2010, era considerado uma prática restrita ao ambiente hospitalar. Somente na última década, entre os anos de 2015 e 2025, foram formalmente estabelecidos protocolos e fluxos para sua execução na Atenção Básica, sob responsabilidade da enfermagem, dentro das equipes multiprofissionais do Programa Saúde da Família (PSF). A incorporação desse procedimento às Unidades Básicas de Saúde representou um marco histórico, ampliando o acesso e fortalecendo a autonomia dos profissionais.
O CVD passou a ser reconhecido como essencial para garantir o bem-estar e a qualidade de vida de pacientes que necessitam desse cuidado, seja em consultas programadas ou em atendimentos domiciliares. Sua realização tornou-se prática indispensável para o alívio da retenção urinária, configurando-se como intervenção segura e necessária em unidades de porta aberta.
Com protocolos locais, capacitação das equipes e compromisso com a humanização, o município passou a oferecer uma resposta qualificada às demandas de pacientes com condições crônicas, reduzindo barreiras de acesso, filas hospitalares e riscos de infecção, promovendo maior equidade na assistência.
Objetivo Geral:
Descrever experiências que demonstram a atuação da enfermagem e das equipes de saúde da família na construção de confiança e vínculo com pacientes submetidos ao cateterismo vesical de demora, realizado com trocas mensais ao longo de dez anos. Busca-se evidenciar o cuidado integral, emocional e social, inspirando novas práticas e reforçando a segurança e a satisfação dos usuários.
Objetivos Específicos:
1. Descentralização: garantir o acesso ao procedimento no território de moradia, com equipes preparadas.
2. Acessibilidade: reduzir deslocamentos, filas e lotação em serviços hospitalares.
3. Controle Sanitário: minimizar riscos de infecção cruzada em ambientes hospitalares.
4. Fortalecimento do Vínculo: assegurar assistência de qualidade, comunicação efetiva e respeito à autonomia do paciente e sua família.
Há pouco mais de dez anos, dois pacientes iniciaram acompanhamento contínuo com trocas mensais de cateter vesical de demora.
O primeiro, Sr. Francisco (nome fictício), hoje com 53 anos, chegou ao serviço aos 43 anos, utilizando duas sondas — sub púbica e urogenital — devido a estenose uretral, prostatite e histórico de infecções recorrentes. Inicialmente, enfrentou dificuldades de adaptação e receios diante da complexidade do procedimento. Com o tempo, sua trajetória revelou resistência e força emocional, especialmente por ser jovem. As trocas mensais, antes realizadas no hospital a cada três meses, passaram a ser feitas na Atenção Básica, resultando na cessação das infecções e na preservação da qualidade de vida.
O segundo paciente, Sr. José (nome fictício), iniciou o uso aos 74 anos, portador de incontinência urinária crônica. Hoje, acamado, sequelado de AVC e com deficiência visual por glaucoma, reconhece os profissionais pela voz e sorri a cada visita, demonstrando confiança e alívio. Sua história evidencia o papel do vínculo e da humanização no enfrentamento das fragilidades.
Essas narrativas ilustram práticas consolidadas na APS, revelando que, além do aspecto clínico, o CVD carrega uma dimensão humana marcada pela perseverança e pelo cuidado compartilhado.
Resultados
Após mais de uma década de incorporação no processo de trabalho da Atenção Primária, sabemos que em mais de 150 equipes de Saúde da Família, a prática da troca mensal da sonda vesical de demora consolidou-se como marco de sucesso e transformação de vidas. O procedimento, antes restrito ao hospital, tornou-se símbolo de cuidado contínuo, segurança e acolhimento para usuários do SUS.
Pacientes relatam satisfação, segurança e conforto, especialmente os que vivenciaram a transição da prática. Para muitos, cada troca deixou de ser apenas técnica e passou a significar dignidade e confiança.
Os profissionais, protagonistas nesse processo, atuam com dedicação e competência, transmitindo segurança e fortalecendo vínculos. As famílias expressam gratidão e reconhecimento, pois percebem que o cuidado se estende ao núcleo familiar, trazendo esperança e tranquilidade.
Assim, o que começou como rotina clínica transformou-se em experiência coletiva de cuidado, marcada pela humanização e pelo impacto positivo na vida de centenas de pessoas.
Conclusões
Os resultados demonstram que a prática da troca mensal da sonda vesical de demora transcende o aspecto técnico e consolida-se como instrumento de transformação de vidas. O procedimento tornou-se símbolo de cuidado contínuo, confiança e dignidade para os usuários do SUS.
No caso de Francisco, a superação das infecções recorrentes e a adaptação ao uso prolongado da sonda revelam a eficácia clínica e a força emocional de um paciente jovem que encontrou, na constância das trocas, um caminho para preservar sua qualidade de vida. Já a história de José mostra como o vínculo com a equipe de saúde é essencial diante da fragilidade imposta pela idade e pelas sequelas, traduzindo o valor da presença e da continuidade do cuidado.
Essas narrativas reforçam que o cateterismo vesical de demora, quando realizado com dedicação e acompanhamento próximo, transforma-se em experiência de acolhimento e dignidade, reafirmando o papel da Atenção Primária em Saúde como espaço de cuidado integral e humano.
Palavras-chave
Cateterismo vesical; Humanização; Atenção básica;
1. Garantia do acesso ao procedimento no território de moradia, com equipes preparadas.
2. Acessibilidade: reduzir deslocamentos, filas e lotação em serviços hospitalares.
3. Controle Sanitário: minimizar riscos de infecção cruzada em ambientes hospitalares.
4. Fortalecimento do Vínculo: assegurar assistência de qualidade, comunicação efetiva e respeito à autonomia do paciente e sua família.
A implantação do cateterismo vesical de demora (CVD) na atenção básica ampliou o acesso, fortaleceu a humanização e melhorou a rotina dos usuários.
O CVD passou a ser reconhecido como essencial para garantir o bem-estar e a qualidade de vida de pacientes que necessitam desse cuidado, seja em consultas programadas ou em atendimentos domiciliares. Sua realização tornou-se prática indispensável para o alívio da retenção urinária, configurando-se como intervenção segura e necessária em unidades de porta aberta.
Recomenda-se ampliar capacitação e padronizar fluxos, garantindo qualidade, equidade e humanização no cuidado aos usuários.
SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE DE CAMPINA GRANDE PB
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