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Com o intuito de promover ações de cuidado e protagonismo em saúde mental voltadas aos responsáveis e cuidadores de pessoas com TEA e outras condições atípicas, por meio do fortalecimento de redes de apoio, ampliação do acesso aos serviços, incentivo ao autocuidado, considerando e valorizando as habilidades e potencialidades de cada individuo, para além da sua condição de cuidador.
Diante disso, foi realizado intervenção de abordagem qualitativa, desenvolvida ao longo de quatro meses, com a atuação de cinco profissionais de Psicologia em articulação com a rede municipal. As ações ocorreram em 13 polos distribuídos em unidades escolares, com encontros quinzenais estruturados em rodas de conversa, configuradas como dispositivos de escuta qualificada, acolhimento e troca de experiências.
Para sua implementação foram feitos pesquisa bibliográfica para fundamentação conceitual, visitas institucionais para mapeamento da rede socioassistencial e de saúde (CRAS, Unidades de Saúde da Família e serviços da RAPS), além pesquisa de campo e aplicação de questionários para identificação das demandas dos participantes. As intervenções incluíram dinâmicas de grupo, construção de estratégias coletivas de enfrentamento e encaminhamentos para serviços da rede, conforme necessidade identificada.
O cuidado de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras condições atípicas recai predominantemente sobre familiares, especialmente mães, que frequentemente vivenciam sobrecarga emocional, isolamento social e fragilidade nas redes de apoio. Apesar dessa realidade, referidos cuidadores ainda são pouco contemplados como público-alvo direto das políticas públicas de saúde mental. No contexto do Sistema Único de Saúde (SUS), a promoção da integralidade do cuidado demanda a ampliação do olhar para além do usuário direto, incluindo também seus responsáveis e cuidadores. Nesse sentido, o presente projeto foi desenvolvido no município de Itaboraí (RJ), com início no ano de 2024, a partir de uma proposta intersetorial que articula saúde, educação e assistência social, utilizando o território como eixo estruturante das ações.
O projeto possibilitou a criação de espaços coletivos de cuidado e escuta, favorecendo o fortalecimento de vínculos e a construção de redes de apoio entre os participantes. Ao longo do período de execução, foram realizados aproximadamente 20 encontros em cada polo, totalizando cerca de 200 encontros, distribuídos em 13 polos, com a participação de aproximadamente 40 a 60 responsáveis. Observou-se: Redução de sentimentos de isolamento e sobrecarga emocional; Maior reconhecimento das próprias necessidades de cuidado; Ampliação do acesso aos serviços da rede de saúde e assistência social; Retomada de projetos pessoais, como inserção em atividades educacionais e laborais. As rodas de conversa mostraram-se dispositivos potentes de promoção da saúdemental, funcionando como espaços de acolhimento, validação de experiências e suporte emocional. Cerca de 70% dos participantes relataram melhora na percepção de apoio social ao longo da participação no projeto. Além disso, houve fortalecimento da articulação intersetorial, com encaminhamentos e compartilhamento de casos com a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e Atenção Básica.
O Projeto Caminhos da Resiliência demonstrou ser uma estratégia potente de promoção da saúde mental, ao favorecer o fortalecimento de vínculos, a ampliação das redes de apoio e o reconhecimento dos cuidadores como sujeitos de cuidado. Apesar dos desafios relacionados à adesão devido as dificuldades territoriais, a iniciativa apresenta alto potencial de replicação em outros territórios, contribuindo para a consolidação dos princípios da integralidade e da equidade no SUS. Recomenda-se a ampliação de iniciativas semelhantes, com flexibilização de horários, oferta em períodos noturnos e aos finais de semana, bem como a implementação de estratégias itinerantes, a fim de ampliar o acesso e a adesão do público-alvo. Destaca-se, ainda, a relevância de ações intersetoriais e territorializadas na construção de práticas de cuidado mais inclusivas e efetivas.
Itaboraí, RJ, Brasil
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