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A população LGBTQIA+ vivencia, com frequência, situações de violência, exclusão social e diferentes formas de sofrimento psíquico que atravessam diretamente o cuidado em saúde mental. Essas experiências, muitas vezes marcadas por rupturas familiares, estigmas e ausência de redes de apoio, impactam diretamente no acesso, permanência e na qualidade do cuidado.
No cotidiano do serviço, observa-se que tais demandas nem sempre se sustentam apenas em modelos centrados no atendimento individual, evidenciando a necessidade de ampliar as estratégias de cuidado para além do espaço clínico ambulatorial. Tornando-se fundamental a construção de estratégias diversas de cuidado.
A partir dessa realidade, foi construído um grupo de arteterapia em um ambulatório municipal especializado em saúde da população LGBTQIA+, no município de Petrópolis (RJ). O grupo se configura como uma estratégia de cuidado continuado, que busca ampliar as possibilidades de escuta, expressão e produção de sentidos, criando um espaço coletivo de acolhimento, troca e construção de vínculos.
Apresentar a experiência de um grupo de arteterapia como estratégia de cuidado continuado em saúde mental para a população LGBTQIA+ acompanhada em um ambulatório municipal especializado no SUS.
Este trabalho apresenta a experiência de um grupo de arteterapia desenvolvido em um ambulatório municipal especializado em saúde da população LGBTQIA+, no município de Petrópolis (RJ). O grupo é realizado quinzenalmente, com duração de duas horas, sendo destinado aos usuários LGBTQIA+ acompanhados pelo serviço.
A condução é realizada por equipe multidisciplinar, composta por profissionais de psicologia, enfermagem, serviço social e nutrição, possibilitando um olhar ampliado sobre as dimensões do cuidado em saúde.
Os encontros partem de propostas temáticas previamente organizadas pela equipe, mas se constroem a partir das demandas, vivências e questões que emergem no próprio grupo, garantindo flexibilidade, escuta qualificada e participação ativa dos usuários. São utilizadas atividades de expressão artística, como desenho, pintura, recorte e colagem, com materiais disponibilizados pelo serviço.
O grupo se configura como um dispositivo de cuidado coletivo e continuado, articulado aos atendimentos individuais e às demais ações do ambulatório, favorecendo a ampliação das possibilidades de expressão, a troca entre pares, o fortalecimento de vínculos e a permanência dos usuários no cuidado em saúde mental.
No cotidiano do serviço, observa-se que tais demandas nem sempre se sustentam apenas em modelos centrados no atendimento individual, evidenciando a necessidade de ampliar as estratégias de cuidado para além do espaço clínico ambulatorial. Tornando-se fundamental a construção de estratégias diversas de cuidado.
Ao longo dos encontros, o grupo foi se constituindo como um espaço de acolhimento,confiança e reconhecimento entre os participantes, favorecendo a construção de vínculos que se fortalecem com a continuidade dos encontros.
A utilização da arte possibilitou que experiências marcadas por violência, rejeição familiar, discriminação e sofrimento psíquico encontrassem formas de expressão que não se limitam
à linguagem verbal. Em diversos momentos, foi possível observar que a produção artística funcionou como mediadora do cuidado, permitindo acessar conteúdos que dificilmente emergiriam em contextos exclusivamente centrados na fala.
O grupo também passou a operar como espaço de suporte entre pares, onde os participantes compartilham vivências, estratégias de enfrentamento e formas de cuidado no cotidiano. Esse aspecto se mostrou especialmente relevante diante da ausência ou
fragilidade de redes de apoio na vida de muitos usuários, fazendo com que o grupo assumisse também a função de espaço de convivência e sustentação coletiva.
Observou-se ainda que a continuidade dos encontros favoreceu maior vinculação com o serviço, com participantes retornando regularmente e ampliando sua participação em outras ofertas do ambulatório. O grupo, nesse sentido, contribui não apenas para a expressão do sofrimento, mas para a construção de trajetórias mais sustentadas no cuidado em saúde mental no SUS.
A experiência aponta para a potência da arteterapia como estratégia de cuidado continuado em saúde mental no SUS, especialmente quando construída como espaço coletivo e não apenas como recurso complementar ao atendimento individual.
Ao ampliar o cuidado para além do modelo ambulatorial, o grupo contribui para práticas mais integrais, sensíveis às vivências da população LGBTQIA+ e comprometidas com a realidade dos usuários.
Destaca-se a importância de dispositivos grupais que promovam suporte entre pares, fortaleçam vínculos e possibilitem a construção de redes de apoio, especialmente em contextos marcados por exclusão social.
A experiência reforça a necessidade de práticas que considerem as dimensões sociais do sofrimento psíquico, contribuindo para um cuidado mais ampliado, contínuo e alinhado aos princípios do SUS.
Avenida 7 de Abril, 374 - Centro, Petrópolis - RJ, Brasil
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