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Arteterapia como prática de cuidado em saúde mental com população LGBTQIA+ no SUS

Ramirez Fonseca De Matos

Ramirez Fonseca de Matos

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Ramirez Fonseca de Matos

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A população LGBTQIA+ vivencia, com frequência, situações de violência, exclusão social e diferentes formas de sofrimento psíquico que atravessam diretamente o cuidado em saúde mental. Essas experiências, muitas vezes marcadas por rupturas familiares, estigmas e ausência de redes de apoio, impactam diretamente no acesso, permanência e na qualidade do cuidado.
No cotidiano do serviço, observa-se que tais demandas nem sempre se sustentam apenas em modelos centrados no atendimento individual, evidenciando a necessidade de ampliar as estratégias de cuidado para além do espaço clínico ambulatorial. Tornando-se fundamental a construção de estratégias diversas de cuidado.
A partir dessa realidade, foi construído um grupo de arteterapia em um ambulatório municipal especializado em saúde da população LGBTQIA+, no município de Petrópolis (RJ). O grupo se configura como uma estratégia de cuidado continuado, que busca ampliar as possibilidades de escuta, expressão e produção de sentidos, criando um espaço coletivo de acolhimento, troca e construção de vínculos.
Apresentar a experiência de um grupo de arteterapia como estratégia de cuidado continuado em saúde mental para a população LGBTQIA+ acompanhada em um ambulatório municipal especializado no SUS.
Este trabalho apresenta a experiência de um grupo de arteterapia desenvolvido em um ambulatório municipal especializado em saúde da população LGBTQIA+, no município de Petrópolis (RJ). O grupo é realizado quinzenalmente, com duração de duas horas, sendo destinado aos usuários LGBTQIA+ acompanhados pelo serviço.
A condução é realizada por equipe multidisciplinar, composta por profissionais de psicologia, enfermagem, serviço social e nutrição, possibilitando um olhar ampliado sobre as dimensões do cuidado em saúde.
Os encontros partem de propostas temáticas previamente organizadas pela equipe, mas se constroem a partir das demandas, vivências e questões que emergem no próprio grupo, garantindo flexibilidade, escuta qualificada e participação ativa dos usuários. São utilizadas atividades de expressão artística, como desenho, pintura, recorte e colagem, com materiais disponibilizados pelo serviço.
O grupo se configura como um dispositivo de cuidado coletivo e continuado, articulado aos atendimentos individuais e às demais ações do ambulatório, favorecendo a ampliação das possibilidades de expressão, a troca entre pares, o fortalecimento de vínculos e a permanência dos usuários no cuidado em saúde mental.

No cotidiano do serviço, observa-se que tais demandas nem sempre se sustentam apenas em modelos centrados no atendimento individual, evidenciando a necessidade de ampliar as estratégias de cuidado para além do espaço clínico ambulatorial. Tornando-se fundamental a construção de estratégias diversas de cuidado.

Ao longo dos encontros, o grupo foi se constituindo como um espaço de acolhimento,confiança e reconhecimento entre os participantes, favorecendo a construção de vínculos que se fortalecem com a continuidade dos encontros.
A utilização da arte possibilitou que experiências marcadas por violência, rejeição familiar, discriminação e sofrimento psíquico encontrassem formas de expressão que não se limitam
à linguagem verbal. Em diversos momentos, foi possível observar que a produção artística funcionou como mediadora do cuidado, permitindo acessar conteúdos que dificilmente emergiriam em contextos exclusivamente centrados na fala.
O grupo também passou a operar como espaço de suporte entre pares, onde os participantes compartilham vivências, estratégias de enfrentamento e formas de cuidado no cotidiano. Esse aspecto se mostrou especialmente relevante diante da ausência ou
fragilidade de redes de apoio na vida de muitos usuários, fazendo com que o grupo assumisse também a função de espaço de convivência e sustentação coletiva.
Observou-se ainda que a continuidade dos encontros favoreceu maior vinculação com o serviço, com participantes retornando regularmente e ampliando sua participação em outras ofertas do ambulatório. O grupo, nesse sentido, contribui não apenas para a expressão do sofrimento, mas para a construção de trajetórias mais sustentadas no cuidado em saúde mental no SUS.

A experiência aponta para a potência da arteterapia como estratégia de cuidado continuado em saúde mental no SUS, especialmente quando construída como espaço coletivo e não apenas como recurso complementar ao atendimento individual.
Ao ampliar o cuidado para além do modelo ambulatorial, o grupo contribui para práticas mais integrais, sensíveis às vivências da população LGBTQIA+ e comprometidas com a realidade dos usuários.
Destaca-se a importância de dispositivos grupais que promovam suporte entre pares, fortaleçam vínculos e possibilitem a construção de redes de apoio, especialmente em contextos marcados por exclusão social.
A experiência reforça a necessidade de práticas que considerem as dimensões sociais do sofrimento psíquico, contribuindo para um cuidado mais ampliado, contínuo e alinhado aos princípios do SUS.

autor Principal

Ramirez Fonseca De Matos

ramirezfonsecapsi@gmail.com

Psicólogo

Coautores

Ramirez Fonseca de Matos, Wesley Ximenes Cardoso, Luana Moreira Ferreira, Henrique Siqueira de Souza

A prática foi aplicada em

Petrópolis

Rio de Janeiro

Sudeste

Esta prática está vinculada a

Ambulatório Municipal Especializado em saúde LGBTQIA+

Avenida 7 de Abril, 374 - Centro, Petrópolis - RJ, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Ramirez Fonseca de Matos

Conta vinculada

26 mar 2026

CADASTRO

26 mar 2026

ATUALIZAÇÃO

06 fev 2025

inicio

fim

Condição da prática

Andamento

Situação da Prática

Arquivos