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A experiência “Café com Gestor: experiência de escuta, cogestão e valorização dos trabalhadores na RAPS de Mantena/MG” foi desenvolvida no último quadrimestre de 2025, no âmbito da Secretaria Municipal de Saúde e da Rede de Atenção Psicossocial do município. Surgiu da percepção de sofrimento, insegurança e sobrecarga entre os trabalhadores, cenário intensificado pela oscilação da gestão e por seus efeitos no cotidiano dos serviços. Teve como objetivo fortalecer o coletivo da RAPS, ampliar a escuta institucional e criar espaços de cogestão entre trabalhadores e gestão, favorecendo a identificação de nós críticos, a validação de sentimentos e a construção de respostas mais compartilhadas e resolutivas. A implementação ocorreu por meio de rodas de conversa, espaços protegidos de fala e devolutivas verbais, com participação de aproximadamente 30 profissionais da Atenção Primária à Saúde, Atenção Especializada, CAPS II, CAPSi e Secretaria Municipal de Saúde. Foram realizadas rodas com gerentes, coordenadores e profissionais da rede, com presença da gestão na maior parte dos encontros, o que favoreceu escuta direta, pactuações e aproximação entre quem vivencia os problemas e quem participa das decisões. A experiência vem sendo estruturada para continuidade como espaço permanente de diálogo, por meio da proposta “Café com Gestor”.
A experiência foi motivada pelo sofrimento, pela insegurança e pela sobrecarga vivenciados pelos trabalhadores da RAPS de Mantena/MG, agravados pela oscilação da gestão e por seus impactos sobre os processos de trabalho. Observava-se fragilidade na comunicação entre serviços, tensão nas relações institucionais e ausência de espaço protegido para escuta, troca de experiências e construção coletiva de soluções. Identificou-se, assim, a oportunidade de transformar queixas fragmentadas em análise compartilhada do cotidiano, fortalecendo vínculos entre equipes e gestão e valorizando o cuidado ao cuidador como estratégia concreta de qualificação do trabalho no SUS.
Entre os principais resultados observados, destacam-se a melhora na convivência entre os profissionais, o amadurecimento das discussões institucionais e o fortalecimento de construções mais resolutivas no cotidiano da rede. A experiência ampliou a circulação da palavra entre diferentes pontos da RAPS, favoreceu a validação de sentimentos e percepções dos trabalhadores e aproximou gestão e equipes por meio de devolutivas mais imediatas. Como inovação, mostrou que um dispositivo simples, de baixo custo e alta aplicabilidade pode produzir efeitos relevantes na valorização do trabalho, na humanização das relações institucionais e na qualificação da atenção. Como desdobramento, a proposta lançou bases concretas para continuidade por meio do “Café com Gestor” como espaço permanente de diálogo e cogestão.
Para implementação de prática semelhante, recomenda-se iniciar com uma escuta simples, organizada e comprometida com a realidade dos trabalhadores, sem transformar o espaço em reunião burocrática ou apenas em espaço de queixa sem encaminhamento. É importante garantir horário protegido, participação de diferentes pontos da rede e presença da gestão em parte dos encontros, para favorecer devolutivas, pactuações e corresponsabilização. Também é fundamental criar ambiente seguro, respeitoso e não punitivo, no qual os profissionais possam falar sobre dificuldades, sentimentos e ideias. A regularidade dos encontros, mesmo que com formato simples, ajuda a consolidar vínculos e fortalecer o coletivo. O mais importante é reconhecer que cuidar de quem cuida não é ação acessória, mas condição necessária para sustentar o trabalho vivo e qualificar o cuidado no SUS.
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