Olá,

Visitante

Articulação Intersetorial e Interinstitucional para a Capacitação de Agentes de Saúde e Defesa Civil em Desastres

Diante dos problemas centrais apontados, vislumbrou-se na realização conjunta de um curso de capacitação a importante motivação para melhorar as condições da gestão compartilhada (relacional) e participativa (territorial) do risco e de desastres. Os profissionais da área de Vigilância Ambiental iniciaram em 2017 trabalho de estreitamento das relações interinstitucionais, mais especificamente sua relação com a Defesa Civil Municipal, a Fundação Oswaldo Cruz e a Universidade Federal Fluminense (UFF) de Angra dos Reis, estimulando o trabalho conjunto dessas instituições para aprimorar a capacitação dos profissionais de saúde e defesa civil da rede municipal.Fruto do estreitamento dessas parcerias foi proposta a realização de capacitação de agentes comunitários de saúde, agentes de endemias e agentes de defesa civil seguindo modelo de curso desenvolvido pelo CEPEDES/a FIOCRUZ e já aplicado em outros municípios do Estado do Rio de Janeiro. Durante o desenvolvimento de reuniões para a implementação do curso de capacitação vislumbrou-se a necessidade de adequação do conteúdo do curso as necessidades especificas do município de Angra dos Reis. O curso foi criado apenas para discussão dos desastres naturais, mas, havia necessidade de criação de outros dos módulos, ampliando o curso para que pudesse abranger os desastres tecnológicos, mais especificamente os relacionados a emergência nuclear e aos riscos com produtos químicos. Criou-se então novos módulos e novos conteúdos teóricos transformando o curso de Agentes Locais em Desastres Naturais em curso de Agentes Locais em Desastres (ALD).Esse é um curso de Extensão certificado pela UFF com 108 horas, com carga horária não presencial e presencial, que exige dos cursistas a apresentação de um trabalho de conclusão de curso que analisa um determinado território, habitualmente onde atuam os cursistas, sobre a ótica das ameaças e vulnerabilidades propondo plano de ação factível para aquela comunidade estudada, objetivando a redução de riscos.Profissionais das áreas de defesa civil, geografia e saúde fazem parte do grupo de instrutores e tutores desse curso ampliando consideravelmente o olhar sobre a problemática dos desastres e suas consequências imediatas e tardias. Além da discussão sobre ampliação de conteúdo e obviamente de novos atores para contribuírem nessas novas frentes, foi desenvolvida uma estratégia de seleção dos profissionais que se candidatassem a participar do curso visto que, o interesse só em adquirir conhecimento não era suficiente para seleção, sendo priorizado o perfil para a formação de multiplicadores.

A Vigilância em Saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde pressupõe práticas de atenção e promoção da saúde dos cidadãos, desenvolvendo a observação e análise permanente da situação de saúde da população, os riscos e danos à saúde de populações que vivem em determinados territórios e garantindo a integralidade da atenção, individual e coletiva. A Vigilância em Saúde, portanto, devido a sua abrangência, divide-se nas seguintes áreas: Epidemiológica, Ambiental, Sanitária e Saúde do Trabalhador.A Vigilância em Saúde Ambiental dedica-se ao controle e estudo dos fatores biológicos e não biológicos do meio ambiente que possam promover riscos à saúde humana: água para consumo humano, ar, solo, acidentes com produtos perigosos, desastres e o ambiente e fatores físicos relacionados ao trabalho. Nas atividades relacionadas aos desastres existem estratégias para a atuação nos desastres de origem natural (inundações, seca e estiagem, deslizamentos, dentre outros), nos acidentes com produtos químicos, nas emergências radiológica e nuclear. Para desenvolver tais atividades foi criado, pelo Ministério da Saúde, no âmbito da Vigilância em Saúde Ambiental, o programa Vigidesastre que tem como objetivo o desenvolvimento de um conjunto de ações, de forma continua, pelas autoridades de saúde pública, para reduzir o risco da exposição da população e dos profissionais de saúde, reduzir doenças e agravos secundários à exposição e reduzir os danos à infraestrutura de saúde.São atribuições do programa Vigidesastre a articulação intra- e interinstitucional, ações de Educação em Saúde específicas para desastres, capacitação de pessoal, normatização, apoio ao desenvolvimento de estudos e pesquisas, identificação dos fatores de risco e das populações vulneráveis, construção de mapa de ameaças, vulnerabilidades e riscos, comunicação do risco ambiental com impacto na saúde humana e assistência humanitária.Considerando as premissas acima apresentadas, principalmente, neste caso a articulação interinstitucional e a capacitação de pessoal, a área de Vigilância Ambiental da Secretaria Municipal de Angra dos Reis desenvolve desde 2014 atividades de capacitação de pessoal da rede municipal de saúde. Contudo foi avaliada a necessidade de ampliação e aprofundamento desta capacitação.A presente experiência trata de dois principais problemas relacionados com a atuação do Vigidesastres, sendo a primeira em âmbito relacional e o segundo sob aspecto territorial. Pelo aspecto relacional, o desenvolvimento de projetos de capacitação dos agentes de saúde deve contar com a expertise de outros setores da própria prefeitura municipal relacionados à temática dos desastres, como a Secretaria de Defesa Civil, assim como outras instituições de pesquisa que desenvolvam conhecimentos em saúde e desastres. Observa-se sobre este aspecto que se faz necessário intensificar as relações intra- e inter-institucionais sob a perspectiva de uma gestão compartilhada e horizontal dos riscos e desastres, algo que já existia em Angra dos Reis, mas que deve e vem sendo aperfeiçoando. Sob o segundo aspecto, diversos estudos demonstram que a gestão participativa com os principais atores locais das chamadas áreas de risco é condição imprescindível para resultar em experiências eficazes e eficientes. Sendo assim, existe a necessidade de territorializar estas ações do Estado nestas áreas de risco, e neste sentido os agentes comunitários e de vigilância em saúde se caracterizam como alguns dos principais agentes públicos neste contato direto com as populações mais vulneráveis. No entanto, apesar destes agentes locais se identificarem como potenciais educadores e conscientizadores desta população vulnerável, os mesmos demandam uma formação mais específica nesta temática dos desastres a fim de atuarem nestes territórios com maior conhecimento.

Recomenda-se esta experiência a outros municípios do Brasil, por ser um catalizador de relações entre atores chaves fundamentais na gestão dos riscos e dos desastres socioambientais. Para os gestores, destaca-se que uma de suas vantagens está no baixo custo financeiro, muito embora tenha sido observada dificuldades de custeio pelos municípios mesmo nestas iniciativas de baixo custo. O principal recurso a ser empregado é a existência de profissionais qualificados e estimulados a compartilharem seus conhecimentos e experiências com outros servidores públicos, de modo a priorizar as ações preventivas. A parceria com outras instituições facilita a realização deste tipo de iniciativa, pois vão sendo somadas outras competências e recursos humanos e financeiros no processo. Para que esta sinergia ocorra é fundamental que exista alinhamento entre as linhas de atuação entre as diversas secretarias e instituições, que deve ser costurada por lideranças políticas e institucionais (modelo top-down) e/ou a partir do quadro técnico destacando os ganhos que este tipo de articulação pode proporcionar no atendimento das atribuições e missões de cada uma das secretarias e instituições envolvidas (modelo bottom-up). A própria execução do Curso ALD em Angra demonstra a importância de se basear em uma experiência bem-sucedida, mas com o cuidado de buscar ajustar sua metodologia e conteúdos às realidades locais dos municípios, o que facilita bastante a reaplicação deste tipo de experiência.

Principal

Romário Gabriel Aquino

romariogabriel@hotmail.com

A prática foi aplicada em

Angra dos Reis

Rio de Janeiro

Sudeste

Instituição

Rua Almirante Machado Portela,85

Uma organização do tipo

Instituição pública

Foi cadastrada por

Romário Gabriel Aquino

Conta vinculada

romariogabriel@hotmail.com

04 out 2022

e atualizada em

14 set 2023

Seu Período de Execução foi de

até

Condição da prática

Concluída

Situação da Prática

Arquivos

Palavras-chave

nenhuma

Você pode se interessar também

Práticas
Projeto Samu nas escolas – lei Lucas nas escolas da rede municipal de educação de São Luís
Maranhão
Práticas
Programa Saúde na Escola em Meio a Pandemia Covid-19: Experiência Exitosa em Benedito Novo – Sc
Santa Catarina
Práticas
Literacia para a Saúde na Puericultura odontológica: Experiência de Tele orientações na Aps.
Santa Catarina
Práticas
Impacto da Pandemia da Covid-19 na Educação Básica
Práticas
Monitoramento Como Estratégia de Enfrentamento À Covid 19
Paraíba
Práticas
Comissão de Integração Ensino e Serviço: Potencializando a Educação Permanente em Saúde
Paraíba
Práticas
Comissão de Integração Ensino e Serviço: Potencializando a Educação Permanente, a Formação em Saúde na Ii Macrorregião de Saúde
Paraíba
Práticas
Sistematização da Rotina das Salas de Vacina no Município de Quissamã/Rj
Rio de Janeiro
Práticas
Capacitação dos Profissionais de Saúde para a Melhora da Qualidade de Vida do Paciente.
Rio de Janeiro
Práticas
Uso de Plantas Medicinais em Práticas Culinárias: uma Estratégia de Educação em Saúde
São Paulo