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A experiência intitulada “Ação de Promoção da Saúde do Trabalhador Rural na Atenção Primária à Saúde”, desenvolvida no município de Silvianópolis–MG, surgiu a partir da necessidade de ampliar o acesso aos serviços de saúde para trabalhadores rurais, especialmente homens, historicamente menos assistidos pela Atenção Primária à Saúde (APS). Considerando as diretrizes da Política Nacional de Equidade em Saúde, a iniciativa foi planejada pelo Comitê Técnico de Equidade, com foco na redução de barreiras geográficas, culturais e organizacionais que dificultam o cuidado integral dessa população.
O objetivo geral foi promover o acesso aos serviços de saúde por meio de uma ação territorializada, voltada à prevenção, promoção e cuidado integral. Entre os objetivos específicos destacam-se: facilitar o acesso aos serviços da APS, realizar rastreamento de doenças crônicas (hipertensão e diabetes), ofertar exames preventivos (PSA), além de promover educação em saúde e fortalecimento do autocuidado.
A metodologia envolveu planejamento prévio, mobilização ativa da comunidade por meio dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS), execução das atividades na UBS do Bairro dos Fernandes e registro sistemático das ações. Foram realizadas aferições de pressão arterial, glicemia capilar, coleta de PSA, avaliação antropométrica, orientações em saúde bucal e educação em saúde individual e coletiva, promovendo cuidado integral e equitativo no território.
Os trabalhadores rurais, sobretudo do sexo masculino, apresentam baixa adesão aos serviços de saúde da Atenção Primária, em razão de fatores como incompatibilidade de horários, distância geográfica das unidades, aspectos culturais e menor busca por cuidado preventivo. Essa realidade contribui para o diagnóstico tardio de doenças crônicas e agravos evitáveis. Diante desse cenário, identificou-se a necessidade de estratégias diferenciadas e territorializadas que aproximassem essa população dos serviços de saúde, garantindo acesso oportuno, equitativo e resolutivo, além de fortalecer o vínculo entre equipe de saúde e comunidade rural.
A ação contou com a participação de 22 trabalhadores rurais, evidenciando boa adesão da população-alvo. Foram identificadas alterações nos níveis pressóricos e glicêmicos, possibilitando encaminhamento precoce e acompanhamento contínuo pela equipe da APS. Além disso, houve ampliação do acesso aos serviços de saúde, fortalecimento do vínculo entre a comunidade e a equipe de saúde da família e maior conscientização sobre prevenção e autocuidado.
Como inovação, destaca-se a atuação integrada do Comitê Técnico de Equidade, a mobilização ativa pelos ACS e a realização de ações direcionadas a um público específico, respeitando suas particularidades socioculturais. Entre as principais lições aprendidas estão a importância do planejamento territorializado, da abordagem humanizada e da busca ativa como estratégias eficazes para reduzir desigualdades no acesso à saúde.
Para implementação de práticas semelhantes, recomenda-se a realização de diagnóstico prévio do território para identificação de populações vulneráveis e barreiras de acesso. É fundamental o envolvimento de equipes multiprofissionais, especialmente dos Agentes Comunitários de Saúde, na mobilização ativa da comunidade. O planejamento deve considerar horários e locais acessíveis ao público-alvo, além de ofertar ações integradas de promoção, prevenção e cuidado.
Também é essencial registrar e monitorar as ações para avaliação de impacto e continuidade das estratégias. A articulação com comitês ou instâncias de equidade fortalece a organização das ações e amplia sua efetividade. Por fim, recomenda-se manter a periodicidade dessas iniciativas, garantindo continuidade do cuidado e consolidação do vínculo entre serviços de saúde e população.
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