O leite materno é o alimento mais completo para o bebê até os seis meses de idade. Rico em anticorpos e nutrientes, ele fortalece o sistema imunológico, previne doenças e promove o desenvolvimento físico e emocional saudável. Além dos benefícios para o bebê, a amamentação ajuda a mãe a se recuperar do parto e reduz o risco de doenças como câncer de mama e ovário.
Mesmo com tantas vantagens, a taxa de amamentação exclusiva até os seis meses no Brasil ainda está abaixo do ideal. Segundo dados do Ministério da Saúde, apenas 45,8% das crianças recebem exclusivamente leite materno nesse período — número inferior à meta de 70% recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Fatores como falta de apoio familiar, pressões sociais e retorno precoce ao trabalho dificultam a continuidade da amamentação.
O que o Brasil tem feito?
O país é reconhecido internacionalmente por suas ações para promover o aleitamento materno, a exemplo da Iniciativa Hospital Amigo da Criança (Ihac), que certifica maternidades que incentivam a amamentação desde o nascimento. A iniciativa é fruto da parceria entre o Ministério da Saúde, a OMS e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Além da Ihac, o país conta com a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (rBLH-BR), ação estratégica da Política Nacional de Aleitamento Materno, reconhecida mundialmente pelo desenvolvimento tecnológico inédito que alia baixo custo à alta qualidade, além de distribuir o leite humano conforme as necessidades específicas de cada bebê, aumentando a eficácia da iniciativa para a redução da mortalidade neonatal.
Composta por unidades em todos os estados, sob a coordenação da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e suporte técnico do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF) e do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict), a rBHL é responsável por coletar, processar e distribuir leite materno para bebês prematuros internados. A Rede brasileira realiza, também, atendimento de orientação e apoio à amamentação. Confira o Manual Banco de Leite Humano: Funcionamento, Prevenção e Controle de Riscos e as normas técnicas da rBLH.

Outras iniciativas brasileiras são: a Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil, programa voltado para a Atenção Primária à Saúde, por meio do qual os profissionais são capacitados para orientar famílias sobre amamentação e alimentação saudável para crianças de até dois anos; a Política Nacional de Alimentação e Nutrição (Pnan), que inclui o aleitamento materno como ação prioritária; o Programa Empresa Cidadã, que garante até 180 dias de licença maternidade em empresas participantes, o que contribui para o aleitamento prolongado; e as salas de apoio à amamentação, espaços adequados para amamentar ou extrair leite durante o expediente, implementadas por diversas empresas e órgãos públicos. Conta, ainda, com a Semana Mundial da Amamentação, comemorada de 1 a 7 de agosto, e a campanha mundial Agosto Dourado, proposta pela OMS em 1990 e adotada pelo governo brasileiro, dedicando o mês à promoção do aleitamento materno.
O que ainda precisa melhorar?
Apesar dos avanços, ainda existem desigualdades regionais no acesso à informação e aos serviços de apoio à amamentação, especialmente em comunidades indígenas, áreas rurais e periferias urbanas. Outro desafio é o marketing agressivo de fórmulas infantis, que muitas vezes desestimula o aleitamento natural. Para garantir que mais mães consigam amamentar, especialistas apontam a necessidade de reforçar campanhas educativas e de conscientização, capacitar profissionais da saúde em todos os níveis, apoiar as mães em seus ambientes de trabalho e na comunidade e fiscalizar a publicidade de produtos que substituem o leite materno. Afinal, promover e proteger o aleitamento materno não é apenas uma questão de saúde individual, mas sim de responsabilidade coletiva. A amamentação salva vidas, fortalece famílias e contribui para uma sociedade mais saudável.
As boas práticas do SUS
O Sistema Único de Saúde (SUS) tem uma série de iniciativas — previstas em políticas públicas, programas e ações — para incentivar, proteger e apoiar o aleitamento materno no Brasil. Na Plataforma IdeiaSUS Fiocruz, você encontra algumas dessas experiências inspiradoras de incentivo e apoio ao aleitamento materno, como as iniciativas de implementação de salas de apoio à amamentação Brasil afora, de promoção de boas práticas que fortalecem o vínculo mãe-bebê, de incentivo à amamentação em creches, de criação de mídias para divulgação científica como recurso de apoio à amamentação e de campanhas locais, a exemplo da Caminhada Laranja e do Mamaço Imperial, realizados na cidade imperial de Petrópolis, no Rio de Janeiro.
Aleitamento materno: Busca – IdeiaSUS Fiocruz
Amamentação: Busca – IdeiaSUS Fiocruz
Por Katia Machado (IdeiaSUS Fiocruz)
Fotos: Fernando Frazão/Agência Brasil/Arquivo