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Crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) frequentemente apresentam seletividade alimentar importante, associada a alterações sensoriais, rigidez comportamental e sintomas gastrointestinais, impactando o estado nutricional, o desenvolvimento infantil e a dinâmica familiar.
No município de Araçuaí, localizado no Vale do Jequitinhonha, observa-se um contexto de vulnerabilidade social e limitações no acesso a serviços especializados. Essa realidade dificulta o acesso contínuo a cuidados especializados, especialmente para crianças com TEA, que demandam acompanhamento multiprofissional.
Nesse cenário, a seletividade alimentar tende a ser subvalorizada como condição clínica, contribuindo para desfechos como obesidade, carências nutricionais e agravamento de sintomas gastrointestinais, com impacto direto na evolução clínica e na resposta às terapias.
Diante dessa lacuna assistencial e das especificidades territoriais, foi identificada a necessidade de implementar uma estratégia de cuidado nutricional voltada para crianças com TEA e seletividade alimentar, envolvendo organização do fluxo assistencial, capacitação das equipes da APS e acompanhamento longitudinal das famílias.
O objetivo geral é implementar uma estratégia de cuidado nutricional para crianças com TEA na APS, com foco no manejo da seletividade alimentar.
Os objetivos específicos são: manejar a seletividade alimentar em crianças com TEA, reduzir sintomas gastrointestinais associados, ampliar a variedade alimentar, fortalecer a autonomia dos familiares no manejo alimentar e organizar o fluxo de atendimento dentro da APS.
Identificou-se na APS ausência de fluxo para manejo nutricional dos casos de seletividade alimentar no autismo.
Foram acompanhadas 9 crianças com TEA, apresentando seletividade alimentar importante, associada à obesidade, baixa diversidade alimentar e queixas gastrointestinais.
Observou-se elevada adesão ao acompanhamento, com taxa de faltas mínima, evidenciando forte engajamento das famílias. Relatos dos responsáveis indicam maior segurança e compreensão no manejo alimentar, favorecendo a aplicação das orientações no ambiente domiciliar.
Além disso, foram relatadas melhoras em sintomas gastrointestinais, como redução de desconfortos intestinais, aspecto relevante considerando a associação frequente entre alterações intestinais e comportamento alimentar no TEA.
A implantação do fluxo estruturado na APS possibilitou melhor organização da demanda, qualificação dos encaminhamentos e ampliação do olhar das equipes sobre a seletividade alimentar como condição de impacto clínico.
Os resultados iniciais indicam fortalecimento do vínculo entre famílias e serviço de saúde, com potencial de evolução do comportamento alimentar ao longo do acompanhamento.
Organize o fluxo de atendimento na APS, capacite as equipes e estabeleça critérios de encaminhamento. Priorize o envolvimento familiar, utilize estratégias de baixo custo e garanta acompanhamento longitudinal, respeitando o tempo e as necessidades de cada criança. Foque em construir conforto sensorial primeiro e não em medidas coercitivas ou estimulação com suplementos isolados para que a criança coma.
Secretaria Municipal de Saúde - Rua Dom Serafim - Centro, Araçuaí - MG, Brasil
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