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Segundo Picoli e Garcia (2025) o público infantil cada vez mais tem ganhado a atenção dos profissionais das mais diversas áreas do saber, inclusive dos profissionais da saúde mental. É um público que tem apresentadodemandas psicoemocionais frequentes necessitando de suporte profissional cada vez mais cedo, dentre elas: ansiedade, medo, dificuldade de socialização, agressividade e baixo limiar de frustração. As crianças estão em uma fase extremamente crucial para o seu desenvolvimento. A validação, o acolhimento e a atitude diante suas emoções e sentimentos são de grande relevância e merecem total atenção dos adultos, tanto cuidadores e responsáveis, quanto profissionais que trabalham com esse público (SOUZA, FERREIRA & SOUZA, 2021). À medida que a criança cresce, ela amadurece e adquire ferramentas e capacidades psicológicas, cognitivas e emocionais para gerenciar e lidar com suas demandas sociais, e para isso é imprescindível que ela aprenda o porquê sente determinada emoção em dado contexto, qual sentimento está de acordo com o que está vivenciando, verificando e buscando o modo mais adequado e saudável para agir (SOUZA, FERREIRA & SOUZA, 2021).
OBJETIVO GERAL: Desenvolver nas crianças a capacidade de identificar suas emoções, compreendendo o porquê ocorrem e de que forma elas mesmas podem acolhê-las, diminuindo o sofrimento psicoemocional que pode gerar diante tal dificuldade.
No tocando as demandas mencionadas, foi identificado um alto índice na população infantil do município de Brejo do Cruz, na paraíba, principalmente a ansiedade infantil. Diante desse cenário, o presente trabalho possui um valor social de extrema relevância, visto que está baseado na criação de um grupo terapêutico infantil, com crianças em idade escolar de 6 a 12 anos, sendo mediado por três profissionais da psicologia com experiência em desenvolvimento infantil. Para melhor adaptação, as crianças foram divididas em dois subgrupos, Grupo I: 6 a 8 anos e Grupo II: 9 a 12 anos. Os encontros ocorrem em uma sala adaptada na Policlínica Francisca Roque Braga do referido município com um total de treze encontros.
Como apontado por Souza, Ferreira e Souza (2021) o período relacionado a infância corresponde a uma etapa do desenvolvimento marcada pelo novo, por aquilo que a criança ainda não conhece por completo ou que é totalmente desconhecido por ela, por exemplo: emoções em determinados contextos, relações interpessoais no âmbito social, educacional e também familiar. A maneira como ela irá reagir acarretará consequências em seu desenvolvimento. Ao trabalhar inicialmente a partilha de experiências entre os pequenos para que fossem se familiarizando com suas emoções se sentimentos gerou vínculo e simpatia entre eles. No filme Divertidamente, de forma lúdica e interativa, as crianças puderam conhecer as emoções, como elas se manifestam e alguns motivos que as desencadeiam. As técnicas de relaxamento, respiração e meditação se mostrando extremamente benéficas trazendo a criança para o aqui e agora Mindfulness (ALMEIDA, 2025). A musicalização foi outra intervenção que gerou nascrianças a capacidade de expressar seus sentimentos de forma corporal, auditiva e gesticular. Um dado relevante que corrobora com os resultados obtidos pode ser analisado em um discurso de uma mãe de uma das crianças. Relato da mãe: “Notei que ele, após inserção no grupo terapêutico, apresentou maior segurança, autonomia e abertura as novas experiências”. A criança está desbravando o mundo de forma única e subjetiva, sendo que a segurança, a autonomia e a abertura ao novo nem sempre são fáceis e isso se torna bem mais fácil quando é possível para ela compreender melhor seus sentimentos e adapta-los aos seus diversos contextos vivenciais, levando em consideração que o processo de desenvolvimento é algo contínuo e não meramente fases estáticas separadas (PAPALIA & FELDMAN, 2013).
Em suma, nota-se incialmente a relevância social e psicoemocional que o grupo terapêutico possui na vida das crianças, onde pode se perceber que ao longo das semanas em que as crianças participaram do grupo elas amadureceram dentro das suas realidades e se tornaram mais conscientes do que sente e pensam, tomando novas atitudes mais saudáveis e coerentes com suas realidades, sendo mais protagonistas em suas vidas. O grupo possibilitou também perceber que determinadas demandas também podem ser acolhidas e trabalhadas de forma grupal, sem necessariamente ter o acompanhamento psicológico tradicional (psicoterapia), isso revela um ponto extremamente importante diante desse cenário atual em que demandas e queixas infantis estão sendo rotulados cada vez mais como psicopatologias, inserindo as crianças em consultórios médicos e psicológicos quase que de forma compulsório, algo que precisar ser explorado, estudado e analisado para compreender melhor esse cenário de psicopatologizaçãoinfantil.
Secretária de saúde - R. Sem Denominacao - Brejo Do Cruz, Brejo do Cruz - PB, Brasil
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