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O projeto “FloreSer Livre” é uma iniciativa de horta comunitária desenvolvida no Centro de Convivência e Cultura (CECO) de São Francisco do Glória/MG, no âmbito da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). Surgiu em 2025, a partir de um curso de horta caseira, quando participantes manifestaram o desejo de continuidade das práticas como estratégia de cuidado, convivência e geração de renda.
A proposta fundamenta-se na reabilitação psicossocial como cidadania, articulando saúde mental, economia popular solidária e agroecologia. Atende, principalmente pessoas em sofrimento psíquico acompanhadas pelo CAPS e pessoas em vulnerabilidade social e comunidade em geral.
Organizado de forma autogestionária, o coletivo desenvolve atividades de cultivo agroecológico de hortaliças, ervas e flores, associadas a espaços de escuta, oficinas formativas e ações de comercialização solidária, promovendo inclusão produtiva, autonomia e pertencimento.
O projeto conta com apoio intersetorial das políticas públicas de saúde, assistência social e agricultura, configurando-se como prática territorial inovadora de cuidado em liberdade, com potencial de replicabilidade em municípios de pequeno porte.
Foi contemplado em chamada pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz Brasília), em parceria com o Ministério da Saúde, com financiamento de R$ 20.000,00 e concessão de 5 bolsas de reabilitação psicossocial.
OBJETIVOS
Geral:
Promover a inclusão social, produtiva e econômica de pessoas em sofrimento psíquico por meio de uma horta comunitária baseada nos princípios da economia popular solidária.
Específicos:
• Constituir um coletivo autogerido de produção agroecológica;
• Fortalecer vínculos sociais, comunitários e redes de apoio;
• Oferecer formação em agroecologia, saúde mental e economia solidária;
• Estimular o protagonismo, autonomia e participação social;
• Desenvolver estratégias de geração de renda por meio da comercialização solidária;
• Criar espaços de cuidado, convivência e expressão no cotidiano produtivo;
• Articular o projeto às políticas públicas de saúde, assistência social e segurança alimentar.
METODOLOGIA
O projeto é desenvolvido a partir de uma metodologia participativa, territorial e intersetorial, estruturada nos princípios da autogestão, cuidado em liberdade e trabalho solidário.
Inicialmente, foram realizados encontros de mobilização, escuta e planejamento coletivo com os participantes, visando a construção compartilhada das regras, objetivos e organização do grupo. O coletivo é estruturado em assembleias periódicas e grupos de trabalho (cultivo, comercialização, cuidado e manutenção), com divisão de tarefas baseada nas habilidades e disponibilidade dos integrantes.
A implantação da horta inclui escolha e preparo do terreno, construção de canteiros, compostagem e plantio de culturas de ciclo curto, utilizando técnicas agroecológicas. A manutenção ocorre de forma contínua, com escalas de trabalho e acompanhamento coletivo.
Paralelamente, são realizadas oficinas formativas em agroecologia, saúde mental, economia solidária e cidadania, além de rodas de conversa e atividades culturais, promovendo cuidado integral.
A comercialização ocorre por meio de feiras locais, cestas solidárias e trocas comunitárias, com reinvestimento coletivo dos recursos. O projeto conta com apoio técnico do CECO, CAPS, CRAS e Secretaria de Agricultura, garantindo suporte institucional sem comprometer a autonomia do grupo.
O projeto surgiu diante da ausência de estratégias contínuas de inclusão social e produtiva para pessoas em sofrimento psíquico no território, especialmente após o encerramento de atividades pontuais. Observou-se a necessidade de criar dispositivos de cuidado que ultrapassassem o modelo exclusivamente clínico, promovendo convivência, autonomia e geração de renda. A partir dessa lacuna, identificou-se a horta comunitária como uma oportunidade de integrar saúde mental, trabalho e pertencimento, fortalecendo práticas territoriais mais sustentáveis e inclusivas.
O projeto tem promovido impactos significativos no território, especialmente na vida dos participantes. Observa-se fortalecimento de vínculos sociais, ampliação da participação comunitária e construção de espaços de pertencimento.
Os participantes relatam melhora no bem-estar, redução do isolamento social e maior engajamento em atividades coletivas. A horta vem se consolidando como espaço terapêutico e produtivo, contribuindo para a reabilitação psicossocial.
Foram iniciadas práticas de cultivo agroecológico e organização coletiva do trabalho, com produção de hortaliças destinadas ao autoconsumo, trocas e comercialização piloto. O projeto também fortaleceu a articulação intersetorial entre saúde, assistência social e agricultura.
Destaca-se o resgate de saberes tradicionais ligados ao cultivo da terra e o desenvolvimento de habilidades como cooperação, responsabilidade e autonomia.
A iniciativa apresenta potencial de expansão e consolidação como empreendimento solidário, contribuindo para geração de renda e inclusão social no município.
Ressalta-se ainda a aprovação em chamada nacional da Fiocruz, com financiamento e concessão de bolsas, fortalecendo sua sustentabilidade e perspectivas de ampliação.
É importante começar pela escuta do território. Antes de qualquer plantio, é fundamental ouvir por meio de rodas de conversa com usuários, trabalhadores e comunidade para identificar desejos, necessidades e expectativas.
Aposte na autogestão desde o início, construindo regras, combinados e divisão de tarefas com o grupo. O protagonismo dos participantes é o que sustenta o projeto no longo prazo. Não espere ter todos os recursos ideais. Inicie com canteiros simples, mudas locais e materiais reaproveitados. O mais importante é começar e aprender fazendo.
Integre cuidado e produção no cotidiano. A horta não é só produção: é espaço de cuidado. Inclua momentos de conversa, momentos de escuta e atividades culturais no dia a dia. Isso fortalece vínculos e amplia os efeitos terapêuticos.
Promova oficinas sobre agroecologia, economia solidária e cidadania. O aprendizado coletivo fortalece a autonomia e qualifica o projeto.
Busque apoio de serviços como CAPS, CRAS, secretarias de agricultura e cultura. A intersetorialidade amplia recursos e sustenta a iniciativa, sem tirar a autonomia do grupo.
Valorize o processo, não só o resultado. Nem tudo será produtivo no início e tudo bem. O mais importante são os vínculos, a participação e o sentimento de pertencimento que vão sendo construídos.
Registre e compartilhe a experiência documentando as etapas, desafios e aprendizados. Isso fortalece o grupo, facilita captação de recursos e permite que outras iniciativas se inspirem.
Rua Raimundo Pereira Baía, 360, São Francisco do Glória - MG, Brasil
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