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A experiência foi desenvolvida em um Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSi) e refere-se ao acompanhamento de uma usuária admitida aos 10 anos de idade, com agravamento importante entre 11 e 12 anos, quando passou a apresentar crises frequentes caracterizadas por heteroagressividade, autoagressividade, múltiplas tentativas de autoextermínio, evasão escolar e baixa adesão ao tratamento, além de intenso sofrimento familiar.
Diante da complexidade, foi necessária a atuação recorrente dos serviços de emergência, como SAMU, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros, além de internações em leito de saúde mental, com uso de contenções em situações de risco iminente. Esse cenário evidenciou a necessidade de organização de uma resposta mais estruturada, rápida e integrada no território.
Como estratégia, o CAPSi assumiu o papel de articulador da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), promovendo integração entre Atenção Primária à Saúde, assistência social (CRAS/CREAS), Conselho Tutelar, escola, hospital geral e projeto social do território (Projeto Ser Criança). Foi instituído um plano terapêutico singular, com cuidado intensivo e acompanhamento multiprofissional.
Destaca-se como inovação a implementação de cuidado compartilhado, com permanência em leito de saúde mental no período noturno por 12 dias associada à permanência diurna no CAPSi, possibilitando monitoramento contínuo, manejo precoce das crises e evitando institucionalização prolongada.
Além disso, foi incluído o acompanhamento da genitora na Atenção Primária, considerando sua sobrecarga emocional e dificuldade no manejo da situação.
A experiência demonstra a importância da atuação intersetorial, da resposta rápida em situações de crise e da organização do cuidado em rede, com foco na integralidade, no território e no cuidado em liberdade, conforme os princípios do SUS.
O caso evidenciou fragilidades na resposta às crises em saúde mental infantojuvenil, com acionamentos frequentes de serviços de emergência, internações recorrentes e risco elevado à integridade da usuária e de terceiros. Havia baixa articulação entre os serviços e dificuldade de manejo contínuo no território, além de sobrecarga familiar significativa. Essa realidade apontou a necessidade de estruturar um modelo de cuidado mais integrado, ágil e resolutivo, capaz de reduzir riscos, qualificar a resposta em crise e fortalecer o cuidado em rede.
A implementação do cuidado intensivo e articulado em rede resultou em redução significativa das crises e dos acionamentos dos serviços de emergência em aproximadamente seis meses. Houve diminuição das internações, melhora da estabilidade clínica e adesão ao tratamento.
Em cerca de um ano, foi possível retirar a medicação injetável, mantendo apenas tratamento oral. A usuária retornou à escola, passou a frequentar regularmente atividades do Projeto Ser Criança e apresentou melhora importante no convívio familiar.
Observou-se também fortalecimento da capacidade de cuidado da genitora, que anteriormente apresentava elevado sofrimento emocional. Atualmente, a usuária encontra-se estável, sem intercorrências graves recentes, em acompanhamento pela Atenção Primária.
A experiência evidenciou como a articulação entre serviços e o cuidado territorial podem produzir resultados sustentáveis e reduzir a necessidade de intervenções de urgência.
Recomenda-se fortalecer o papel do CAPSi como articulador da rede e investir na construção de planos terapêuticos singulares com corresponsabilização entre os serviços. É fundamental garantir comunicação efetiva entre saúde, assistência social, educação e segurança pública, especialmente em situações de crise.
A adoção de estratégias de cuidado intensivo no território, mesmo com recursos já existentes, pode evitar internações prolongadas e melhorar os desfechos clínicos e sociais. Também é essencial incluir a família no cuidado, oferecendo suporte contínuo.
Por fim, destaca-se a importância de organizar fluxos de resposta rápida às crises, com definição clara de papéis entre os serviços, favorecendo intervenções mais seguras, resolutivas e humanizadas.
R. Benjamin Constant, 222 - Esplanada, Araçuaí - MG, 39600-000, Brasil
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