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A organização da atenção à saúde mental infantojuvenil em municípios de pequeno porte ainda é marcada por fragmentação assistencial, baixa integração entre setores e forte dependência de serviços especializados externos, comprometendo a integralidade do cuidado. No município de Natércia-MG, esse cenário se expressava por ausência de fluxos estruturados, descontinuidade do acompanhamento e baixa resolutividade da rede, frente a uma demanda crescente de crianças e adolescentes com necessidades em saúde mental e desenvolvimento. Em resposta, foi implementado, a partir de 2023, o Projeto Envolve, estruturando progressivamente uma rede intersetorial. Entre 2023 e 2024, foram organizados fluxos, instituído o matriciamento e implantados instrumentos de gestão do cuidado. Em 2025, esse processo culminou na criação do Núcleo de Desenvolvimento Infantil (NDI), consolidando uma política pública municipal. A experiência representa uma mudança estruturante do modelo assistencial, com fortalecimento da APS como coordenadora do cuidado e ampliação da capacidade de resposta do sistema local. Os objetivos são: Implantar e consolidar um modelo intersetorial de atenção ao desenvolvimento infantil, integrado à Atenção Primária à Saúde, com ampliação da resolutividade e organização do cuidado no território. Especificamente: • Estruturar fluxos assistenciais e protocolos de cuidado • Instituir o matriciamento como dispositivo permanente • Ampliar o acesso a atendimento multiprofissional • Fortalecer o cuidado centrado na família • Reduzir a fragmentação e a dependência de serviços externos • Qualificar a coordenação do cuidado pela APS
A atenção à saúde mental e ao desenvolvimento infantil em municípios de pequeno porte apresenta fragilidades estruturais importantes, caracterizadas pela fragmentação da rede de cuidados, ausência de fluxos assistenciais definidos e baixa integração intersetorial. No contexto de Natércia-MG, observava-se descontinuidade do acompanhamento, centralização das demandas em serviços especializados externos e limitada capacidade resolutiva da Atenção Primária à Saúde (APS), especialmente frente ao aumento de crianças e adolescentes com necessidades complexas em saúde mental e desenvolvimento. Esse cenário evidenciou a necessidade de reorganização do modelo assistencial, com fortalecimento da APS como coordenadora do cuidado, estruturação de dispositivos de matriciamento e implementação de estratégias intersetoriais que ampliassem o acesso, qualificassem o cuidado e garantissem maior integralidade e longitudinalidade na atenção.
A experiência sobre a implantação do Núcleo de Desenvolvimento Infantil, foi desenvolvido entre 2023 e 2026, em município de pequeno porte. A estratégia foi estruturada em três fases integradas: 1. Organização da rede (2023): Articulação intersetorial com criação da Rede Envolve, realização de encontros ampliados com especialistas e diagnóstico participativo das fragilidades do território. 2. Consolidação dos processos (2023–2024): Implantação de fluxos assistenciais, institucionalização do Projeto Terapêutico Singular (PTS), criação de protocolos de atendimento e implementação do matriciamento infantil com reuniões sistemáticas da rede. 3. Implantação do serviço (2025–2026): Criação do Núcleo de Desenvolvimento Infantil, com equipe multiprofissional, estrutura física própria, agenda protegida para matriciamento e organização da oferta assistencial individual e coletiva. A intervenção combinou ações assistenciais, educativas e de gestão, com foco na integração entre serviços, corresponsabilização e cuidado longitudinal. A experiência promoveu reorganização estrutural do modelo de atenção à saúde da criança no município, com impacto direto na ampliação do acesso, qualificação do cuidado e aumento da resolutividade da APS. Principais resultados: • Implantação de serviço multiprofissional no território • Institucionalização do matriciamento intersetorial como prática permanente • Organização de fluxos assistenciais e protocolos de acesso • Redução da dependência de serviços especializados externos Produção assistencial: • 526 atendimentos em psicologia (2025) • 94 atendimentos em psicopedagogia (2025) • 287 atendimentos em psicopedagogia (2026) • 109 atendimentos em fonoaudiologia (2026) • 99 atendimentos em fisioterapia (2026) Inovação na abordagem do cuidado: • Implantação de grupos terapêuticos para crianças e mães • 18 encontros coletivos com crianças em 2026 • Ampliação da participação familiar no cuidado Observou-se maior integração entre os setores, melhoria na coordenação do cuidado e fortalecimento do acompanhamento longitudinal.
A experiência demonstra que a organização da rede intersetorial, associada à institucionalização de fluxos, protocolos e práticas de matriciamento, é capaz de transformar o modelo assistencial em municípios de pequeno porte. A implantação do Núcleo de Desenvolvimento Infantil consolidou uma política pública local orientada pela integralidade, ampliando a capacidade resolutiva da APS e reduzindo a fragmentação do cuidado. O modelo adotado evidencia inovação organizacional, sustentabilidade e forte potencial de replicabilidade no SUS, especialmente em contextos com limitação de acesso a serviços especializados.
R. Manoel José Enéas, 48-112, Natércia - MG, 37524-000, Brasil
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