favor seguir os ajustes necessários abaixo:
A experiência aborda a organização do cuidado em saúde mental na Atenção Primária à Saúde (APS), articulada com o CRAS e ao Centro de Convivência, em Canaã, Minas Gerais, no período recente, tendo como público-alvo usuários do SUS com demandas em saúde mental.
O cenário inicial caracterizava-se por alta demanda reprimida, excesso de encaminhamentos para serviços especializados, medicalização excessiva e dificuldade de acesso oportuno ao cuidado psicológico. Da mesma forma a exigência de encaminhamento médico tornava o acesso burocrático e pouco resolutivo, sobretudo para casos leves.
Diante disso, a experiência foi motivada pela necessidade de ampliar o acesso, qualificar o cuidado e fortalecer o trabalho em rede. Implementou-se a classificação de risco (leve, moderado e grave), com priorização de casos graves, como aqueles com ideação suicida e transtornos psicológicos que interferem no cotidiano do individuo. Casos de transtornos do neurodesenvolvimento foram majoritariamente classificados como moderados ou graves. Demais demandas como casos leves.
Foi criada a triagem psicológica no acolhimento inicial e instituído o plantão psicológico de livre demanda, permitindo acesso direto ao serviço. Também foram articuladas ações com o CRAS e o Centro de Convivência, ampliando as possibilidades terapêuticas. Além de palestras e treinamentos voltados para a melhoria da saúde mental e qualidade de vida dos usuários e seus familiares.
________________________________________
OBJETIVOS
Objetivo Geral:
Fortalecer a integração da APS com outros equipamentos públicos, ampliando o acesso e qualificando o cuidado em saúde mental.
Objetivos Específicos:
• Organizar o fluxo de atendimento por classificação de risco em saúde mental;
• Reduzir encaminhamentos desnecessários para serviços especializados;
• Promover desmedicalização por meio de práticas coletivas;
• Ampliar o acesso ao cuidado psicológico por demanda espontânea;
• Fortalecer o trabalho em rede entre saúde e assistência social;
• Promover a conscientização sobre a realidade psicológica através de palestras, treinamentos e atendimentos em grupo.
• Qualificar a atuação multiprofissional por discussão de casos e matriciamento.
________________________________________
JUSTIFICATIVA
O cuidado em saúde mental no âmbito da Atenção Primária à Saúde (APS) ainda enfrenta importantes desafios relacionados ao acesso, à resolutividade e à integralidade das ações ofertadas. No cenário apresentado, observava-se uma elevada demanda reprimida, associada a fluxos assistenciais pouco organizados, excesso de encaminhamentos para serviços especializados e uso predominante de abordagens medicalizantes, muitas vezes em detrimento de estratégias psicossociais mais amplas e efetivas.
Além disso, a exigência de encaminhamento médico como principal via de acesso ao atendimento psicológico contribuía para a burocratização do cuidado, dificultando o acesso oportuno, especialmente para usuários com demandas leves e moderadas. Tal contexto evidencia fragilidades na organização da rede de atenção psicossocial e na articulação entre os diferentes pontos de cuidado, impactando negativamente a qualidade da assistência prestada.
Diante dessa realidade, torna-se fundamental a implementação de estratégias que promovam a ampliação do acesso, a qualificação do cuidado e o fortalecimento do trabalho em rede, conforme os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), como a integralidade, a equidade e a universalidade. A reorganização do fluxo assistencial com base na classificação de risco em saúde mental surge como uma ferramenta potente para garantir maior equidade no atendimento, priorizando os casos de maior gravidade sem negligenciar as demais demandas.
Adicionalmente, a inserção de dispositivos como a triagem psicológica no acolhimento e o plantão psicológico de livre demanda possibilita maior agilidade no acesso e resposta às necessidades dos usuários, reduzindo barreiras institucionais e promovendo um cuidado mais humanizado. A articulação com o CRAS e o Centro de Convivência amplia as possibilidades terapêuticas no território, favorecendo abordagens coletivas, o fortalecimento de vínculos sociais e a redução da medicalização.
Nesse sentido, o projeto justifica-se pela necessidade de reestruturar o cuidado em saúde mental na APS, promovendo práticas mais acessíveis, resolutivas e integradas, capazes de responder de forma mais adequada às demandas da população. Ao fortalecer a atuação intersetorial e valorizar estratégias psicossociais, a proposta contribui para a consolidação de um modelo de atenção centrado no sujeito, no território e na promoção da saúde mental de forma ampla e contínua.
METODOLOGIA
A experiência consiste na reorganização do cuidado em saúde mental na Atenção Primária à Saúde (APS), em articulação com a rede intersetorial, especialmente o CRAS e o Centro de Convivência. O cenário inicial caracterizava-se por alta demanda. A principal estratégia adotada foi a CLASSIFICAÇÃO DE risco em saúde mental, utilizada como critério organizador do cuidado, priorizando casos de maior gravidade e vulnerabilidade. Essa classificação é dinâmica e reavaliada conforme a evolução clínica.
Como porta de entrada, instituiu-se a TRIAGEM PSICOLÓGICA no acolhimento inicial, associada à criação do PLANTÃO PSICOLÓGICO de livre demanda, possibilitando acesso direto ao serviço sem necessidade de encaminhamento prévio. Foram organizados atendimentos clínicos regulares na APS, com frequência variável, além da reserva diária de vagas para urgências.
Usuários moderados e graves são ENCAMINHADOS PARA OFICINAS terapêuticas ofertadas pelo CRAS e Centro de Convivência, promovendo cuidado coletivo, fortalecimento de vínculos e redução da medicalização. A metodologia inclui articulação intersetorial, com encaminhamentos compartilhados e acompanhamento integrado.
Outro ponto é O AGENDAMENTO, CONTROLE DA AGENDA E BUSCA ATIVA serem feitos pelos próprios profissionais da psicologia.
As equipes multiprofissionais compostas pelos profissionais da psicologia, realizam REUNIÕES SISTEMÁTICAS PARA DISCUSSÃO DE CASOS, supervisão institucional e planejamento das intervenções. Utilizam-se prontuários, escuta qualificada, classificação clínica e reuniões de equipe, consolidando uma abordagem integral, humanizada e resolutiva no território.
Por fim, são promovidas PALESTRAS, TREINAMENTOS E CONSCIENTIZAÇÃO em grupo, sobre os sofrimentos percebidos nos atendimentos, buscado ampliar o suporte aos familiares.
Diante da extensa fila de espera para atendimento psicológico, observa-se que a atual organização do processo assistencial contribui para a ampliação do tempo de espera, que pode chegar a aproximadamente dois anos. Esse cenário ocorre apesar de o serviço público dispor de quantitativo de profissionais suficiente para atender à demanda, evidenciando a necessidade de reestruturação dos fluxos, da gestão dos atendimentos, dos recursos humanos e estruturas .
A experiência resultou em ampliação do acesso aos serviços de saúde mental na Atenção Primária à Saúde, especialmente após a implantação do plantão psicológico de livre demanda, reduzindo o tempo de espera anteriormente elevado. Esse dispositivo, aliado à classificação de risco, trouxe maior agilidade e equidade no atendimento, sobretudo nos casos de maior vulnerabilidade.
Observou-se diminuição de encaminhamentos desnecessários e aumento da resolutividade na própria APS. A inserção dos usuários em oficinas terapêuticas, em articulação com o CRAS e o Centro de Convivência, favoreceu a desmedicalização do cuidado, além de fortalecer vínculos sociais e melhorar o bem-estar dos usuários.
O acompanhamento possibilitou reavaliações contínuas e ajustes na classificação de risco, tornando o cuidado mais sensível às mudanças clínicas. A atuação multiprofissional, com discussão sistemática de casos e trabalho integrado entre equipes, qualificou as intervenções e fortaleceu a rede de cuidado.
A articulação intersetorial ampliou possibilidades terapêuticas no território e consolidou uma rede de apoio mais estruturada. A criação de vagas para urgência em saúde mental garantiu resposta mais rápida em situações de crise. Em números, em fevereiro havia 90 pessoas na fila de espera; em abril houve redução de 20 casos, com previsão de zerar até julho. Paralelamente, a implantação do plantão psicológico ampliou o acesso: em sete plantões, 30 pessoas foram atendidas em demandas pontuais e emergenciais, incluindo ideação suicida, com acolhimento adequado.
O projeto é indicado para aproveitamento de serviços e espaços intersetoriais. Exemplo de nossa realidade: O PSF não tem uma estrutura adequada para atendimentos infantis e para pessoas com questões mentais que precisam de atenção adequada. Logo o Centro de Convivência e CRAS ofertam oficinas que além dos oficineiros tem a presença do psicólogo, que atua no ambiente com observação da interatividade. Esse olhar colabora de forma positiva nos atendimentos clínicos realizados no espaço do PSF, além de ser uma atividade de socialização e ocupação para muitos. Quanto as crianças tem o mesmo sentido do adulto, acrescido do espaço da brinquedoteca do CRAS, que apropriado para uma atendimento psicológico infantil adequado, devido aos recursos que este setor possui.
Av. Pedro Lopes Dias, Canaã - MG, Brasil
CADASTRO
ATUALIZAÇÃO