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A experiência foi desenvolvida no município de São Sebastião do Paraíso-MG, com o objetivo de ampliar o acesso ao planejamento reprodutivo por meio da oferta de métodos contraceptivos reversíveis de longa duração (LARCs) na Atenção Primária à Saúde. A iniciativa emergiu a partir da identificação de demanda reprimida e da limitação do acesso decorrente da centralização dos procedimentos em nível especializado.
Como resposta, o município implementou um modelo inovador baseado na ampliação do escopo de atuação da enfermagem, por meio da construção e implantação de protocolo assistencial que viabilizou a inserção de dispositivo intrauterino (DIU) e, posteriormente, do implante subdérmico (Implanon) por enfermeiras capacitadas. A estratégia incluiu reorganização dos fluxos assistenciais, definição de critérios clínicos, garantia de segurança e qualificação do cuidado.
A prática integra aconselhamento reprodutivo, realização de testes rápidos, inserção do método e confirmação por ultrassonografia, associando tecnologia leve e cuidado humanizado. A iniciativa promoveu transformação do modelo assistencial, ampliando o acesso, fortalecendo a autonomia das usuárias, qualificando a resolutividade da Atenção Primária e demonstrando o potencial do SUS em produzir soluções inovadoras, eficientes e sustentáveis.
O município apresentava importante demanda reprimida para acesso aos métodos contraceptivos reversíveis de longa duração, com oferta restrita e dependente exclusivamente de especialista médico. Essa realidade gerava demora no atendimento, barreiras de acesso, iniquidades no cuidado e sobrecarga da atenção especializada, comprometendo a integralidade da assistência. A situação evidenciou a necessidade de reorganizar o processo de trabalho na Atenção Primária à Saúde, ampliando sua capacidade resolutiva e garantindo acesso oportuno, equânime e qualificado ao planejamento reprodutivo.
A experiência ampliou significativamente o acesso ao planejamento reprodutivo, com realização de 138 inserções e 76 retiradas de DIU desde julho de 2024, além da incorporação do implante subdérmico em 2026, com 14 inserções direcionadas prioritariamente a mulheres em situação de vulnerabilidade social, em parceria com os CAPS (AD, infantojuvenil e CAPS II).
Observou-se redução da demanda reprimida, ampliação do acesso oportuno, maior equidade na oferta e fortalecimento da resolutividade da Atenção Primária. A estratégia também gerou impacto econômico relevante, com economia estimada e retorno do investimento em curto prazo, evidenciando sustentabilidade financeira e uso racional de recursos públicos.
Destacam-se ainda a humanização do cuidado, o fortalecimento do vínculo, a reorganização da rede assistencial e a valorização da enfermagem como protagonista do cuidado. A experiência evidencia transformação do modelo de atenção e apresenta elevado potencial de replicabilidade em outros contextos do SUS.
Recomenda-se que a implementação de iniciativas semelhantes seja orientada pela construção de protocolos assistenciais claros, investimento na capacitação da equipe de enfermagem e reorganização dos fluxos na Atenção Primária à Saúde, assegurando segurança clínica e qualidade do cuidado.
É fundamental o apoio da gestão, a institucionalização das práticas e a integração entre os pontos da rede, incluindo articulação com serviços como os CAPS, ampliando o cuidado integral e a equidade no acesso. A incorporação de tecnologias leves, práticas de humanização e monitoramento contínuo dos resultados fortalece a sustentabilidade da estratégia.
A experiência demonstra que soluções simples, baseadas na realidade local e no fortalecimento da Atenção Primária, são capazes de produzir impacto significativo, sendo altamente replicáveis e adaptáveis a diferentes realidades municipais, contribuindo para o fortalecimento do SUS.
Praça dos Imigrantes, 100 - Lagoinha, São Sebastião do Paraíso - MG, Brasil
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