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A crescente utilização de plantas medicinais pela população reforça a necessidade de orientar seu uso de forma segura e baseada em evidências. Na Atenção Primária à Saúde (APS), a fitoterapia se apresenta como estratégia potente de promoção da saúde, porém frequentemente utilizada de maneira empírica e sem acompanhamento profissional. Nesse contexto, a fitoterapia integra as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS), conforme diretrizes da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), sendo reconhecida como estratégia de cuidado no Sistema Único de Saúde. Diante dessa realidade, a equipe da UBS Vila Nova identificou a necessidade de qualificar o uso de plantas medicinais na comunidade, promovendo educação em saúde e integrando saberes populares ao conhecimento científico. Foi então desenvolvido um projeto comunitário estruturado em formato de mini curso, com foco na promoção do uso seguro, fortalecimento do vínculo com a equipe e incentivo ao autocuidado. Promover o uso seguro e racional de plantas medicinais na comunidade, por meio de ações educativas na APS. Como objetivos específicos: ampliar o conhecimento da população sobre fitoterapia, orientar quanto às formas seguras de preparo e uso, reduzir riscos relacionados ao uso inadequado, valorizar saberes populares integrados à prática científica, fortalecer o vínculo entre equipe e comunidade, estimular o autocuidado, promover práticas integrativas em saúde e qualificar a atuação da APS na promoção da saúde.
Trata-se de um relato de experiência desenvolvido em uma Unidade Básica de Saúde, no período de novembro a dezembro de 2025, estruturado em formato de mini curso comunitário composto por quatro encontros presenciais. As atividades foram conduzidas por profissional com formação em fitoterapia, com participação ativa da equipe da UBS, incluindo ACS/TACS, o que favoreceu a mobilização comunitária e a adesão dos usuários. Os encontros foram organizados utilizando metodologias ativas, com rodas de conversa, demonstrações práticas e troca de saberes, abordando conceitos introdutórios de fitoterapia, uso seguro de plantas medicinais, métodos de preparo como infusão, decocção e maceração, além das principais espécies utilizadas no território. Foram discutidas plantas amplamente conhecidas pela comunidade, como camomila, hortelã, erva-doce, gengibre, capim-limão, arnica, alecrim, boldo chileno e eucalipto, com ênfase em indicações, formas corretas de preparo e possíveis riscos. Também foram abordadas boas práticas de uso, incluindo interações medicamentosas, dosagem e limites do uso empírico. No último encontro, foram apresentados conceitos práticos para implantação de hortas medicinais, com orientações sobre cultivo doméstico, preparo do solo e escolha de espécies, culminando na proposta de criação da horta comunitária “Raízes do Cuidado: horta medicinal comunitária”, como estratégia de continuidade das ações no território. A abordagem priorizou linguagem acessível, valorização dos saberes populares e participação ativa dos usuários ao longo de todo o processo educativo.
A realização do mini curso contou com participação ativa da comunidade ao longo dos quatro encontros, com média de 15 participantes, predominantemente do público feminino, com faixa etária entre 40 e 80 anos, fortalecendo o vínculo entre usuários e equipe de saúde. Observou-se aumento significativo do conhecimento dos participantes sobre uso seguro de plantas medicinais, especialmente quanto às formas corretas de preparo, indicações e riscos associados. A discussão de plantas comumente utilizadas no território favoreceu maior identificação com o conteúdo e aplicação prática no cotidiano. Houve maior conscientização sobre interações medicamentosas e limites do uso empírico, contribuindo para redução de práticas potencialmente inseguras. A inclusão da proposta da horta comunitária “Raízes do Cuidado” despertou grande interesse dos participantes, reforçando o protagonismo comunitário e abrindo possibilidade de continuidade das ações de promoção da saúde no território. A iniciativa promoveu o autocuidado e ampliou o escopo das ações da APS, com potencial impacto na redução da medicalização e fortalecimento de práticas preventivas e integrativas.
A experiência demonstrou que a fitoterapia, quando incorporada de forma orientada à Atenção Primária à Saúde, constitui estratégia efetiva de promoção da saúde, fortalecimento do autocuidado e ampliação do acesso a práticas integrativas. As ações educativas possibilitaram maior autonomia dos usuários, uso mais seguro das plantas medicinais e fortalecimento do vínculo com a equipe, impactando diretamente na qualidade do cuidado ofertado. A iniciativa reforça atributos essenciais da APS, como integralidade, vínculo e abordagem centrada no território, além de contribuir para redução da medicalização e valorização de práticas culturais. Alinha-se às diretrizes da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), fortalecendo a inserção da fitoterapia como estratégia institucional no SUS. Destaca-se como intervenção de baixo custo, alta aceitação e elevado potencial de replicação, com possibilidade de expansão por meio da horta comunitária “Raízes do Cuidado”, consolidando-se como estratégia sustentável de promoção da saúde no território.
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