favor seguir os ajustes necessários abaixo:
O aumento do número de crianças e adolescentes diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem evidenciado a necessidade de estratégias de cuidado integral na Atenção Primária à Saúde (APS). Nesse contexto, complementando as terapias convencionais individuais, a arte terapia apresenta-se como aliada, favorecendo o desenvolvimento de habilidades sociais, a redução da ansiedade e dos desequilíbrios sensoriais e motores, bem como a ampliação da comunicação verbal e não verbal e da autoconfiança. Com esse olhar ampliado, as profissionais da equipe e-Multi do município de Arceburgo-MG, Tatiana Paterlini (fonoaudióloga),Thauanne Vencigueri (neuropsicopedagoga) e Queila Marques (psicóloga) todas com cursos formação complementar na área – implantaram, em 2024, um grupo de arte terapia voltado a crianças com TEA atendidas na APS, configurando uma ação inovadora no âmbito municipal.
O objetivo geral da ação é garantir um trabalho complementar, estimulante e efetivo para o desenvolvimento das crianças com TEA na APS, propiciando um espaço de socialização e aprendizagem, por meio de atividades artísticas e favorecendo o desenvolvimento integral das crianças com TEA, com ênfase na comunicação, socialização e cognição.
Para atender todas as crianças, sem prejuízo do horário escolar, foram organizados dois grupos semanais de arte terapia: um às terças-feiras, no período da manhã, com cinco participantes e outro às quartas-feiras no período da tarde, com seis participantes, ambos com duração de 50 minutos. As atividades são realizadas na Unidade Básica de Saúde (UBS) “São Sebastião”, localizada na região central do município de Arceburgo – MG, facilitando o acesso dos usuários. Anualmente as terapeutas elaboram, de forma conjunta, um cronograma de atividades promovendo organização e intencionalidade nas ações. As práticas incluem pintura, modelagem, recorte, colagem e materiais sensoriais, com foco na interação social e no estímulo cognitivo e motor. Os encontros iniciam-se com um momento de acolhimento e interação entre as crianças, seguido da apresentação das atividades do dia e do acompanhamento pelas terapeutas durante sua execução. Ao final, os participantes levam suas produções para casa, incentivando o compartilhamento da experiência com as famílias e fortalecendo o vínculo terapêutico e ambiente familiar.
Trata-se de um trabalho intensivo e persistente, que exigiu, tanto dos profissionais, quanto das crianças, adaptações de espaço fisico, de rotinas, de trocas de experiências, de valorização da singularidade e a organização dos grupos de trabalho.
Por ser um trabalho pioneiro no município, houve a necessidade de estudos intensos, de reagrupação das crianças, de organização das atividades, saindo do senso comum da terapia individual. Esta ação foi muito bem aceita pela gestão e pelos pais.
Os resultados observados incluem maior participação e assiduidade das crianças, com 100% de frequência, além da melhora significativa nos processos de socialização (aumento de 50%), concentração (45%), cognição (35%) e comunicação (50%), com reflexos positivos relatados no ambiente familiar e escolar. Relato das famílias reforçam esses achados. Segundo Fernanda, mãe de uma criança TEA não verbal (nível 3 de suporte), a arte terapia “ampliou a concentração do meu filho e diminuiu as crises de choro e as estereotipias corporais. Quando ele sai da sala, percebo que está leve e feliz com o que produziu”. Para Tânia, mãe de uma criança autista, verbal (nível 1 de suporte), “as atividades desenvolvidas de forma diferenciada, favorecem a ampliação do vocabulário, além de mudanças comportamentais, como maior aceitação de contato físico, algo que não era observado anteriormente”. De acordo com a psicóloga educacional, o grupo de arte terapia “contribuiu para a organização corporal das crianças durante as atividades, favorecendo a atenção e a concentração, com impactos positivos no desempenho em sala de aula”. A iniciativa foi bem aceita pela gestão municipal e pelas famílias, favorecendo o cuidado integral e humanizado na APS.
Trabalhar com o transtorno do espectro autista, induz os terapeutas a ter um olhar integral aos pacientes e familiares, saindo do senso comum e oferecendo atividades diferenciadas , que favorecerão o desenvolvimento pleno das crianças. Para isso, é fundamental a parceria da equipe com a gestão, bem como, com a equipe educacional e com a família.
R. Cel. Cândido de Souza Dias, no 106 - Chico Alcino, Arceburgo - MG, Brasil
CADASTRO
ATUALIZAÇÃO