CAPS ITINERANTE NA RAPS: DESAFIOS E POTENCIALIDADES DA IMPLANTAÇÃO E NO CUIDADO EM SAÚDE MENTAL

Você já pode imprimir seu certificado

DANIELLE MARGARIDA RAMOS DE OLIVEIRA

Danielle Margarida Ramos de Oliveira

DANIELLE MARGARIDA RAMOS DE OLIVEIRA

favor seguir os ajustes necessários abaixo:

Nenhuma recomendação da moderação

A Atenção Primária à Saúde (APS) é reconhecida como a principal porta de entrada e coordenadora do cuidado no SUS. Promovendo atenção integral que impacte positivamente nas condições de saúde da população. Além de ser reputada como o centro de comunicação da Rede de Atenção da saúde (Brasil, 2011).
No interior dessa rede, está o cuidado em saúde mental, um dos maiores desafios comtemporâneos da APS. Essa política foi fortalecida pela instituição da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), regulamentada pela portaria n° 3.088/2011.
A RAPS é formada por diferentes serviços, dentre eles o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) e APS, que devem ser articulados e capazes de cuidar das pessoas em sofrimento mental e de seus familiares (Penze et al., 2023).
A principal ação executada nos territórios ainda é o encaminhamento para especialistas, direcionados ao CAPS. Que não deve ser entendido como o único serviço apto ao cuidado em saúde mental (Gazignato; Silva, 2014).
O CAPS e seu modelo Itinerante devem oferecer o suporte técnico-pedagógico, educação permanente, apoio matricial e compartilhamento de casos às equipes da APS, além de atuar diretamente em territórios desassistidos.
A itinerância do CAPS se dá com o deslocamento dos profissionais do CAPS levando seus serviços aos territórios de maior vulnerabilidade de acesso, realizando suas ações dentro das Unidades Básicas de Saúde. Viabilizando atividades que, dada a distância geográfica das comunidades assistidas, ficam na maioria das vezes negligenciadas pelos serviços da RAPS. Tal realidade expõe a persistente lacuna entre as diretrizes propostas pelas políticas de saúde mental e as práticas efetivamente realizadas no cotidiano dos serviços.
Umbuzeiro teve o CAPS itinerante implantado, na UBSF Alecrim (zona rural) em 2022 e atualmente tem suas ações em três Unidades rurais. O serviço teve sua implantação sem método de implantação para direcioná-lo ou avaliar sua funcionalidade.
Objetivos:
Relatar o funcionamento do CAPS Itinerante na Cidade de Umbuzeiro-PB.
Identificar os desafios e potencialidades na implantação do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Itinerante, no Município de Umbuzeiro, a partir da perspectiva dos profissionais da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).

Trata-se de uma pesquisa de aspecto qualitativo. De natureza aplicada, seu objetivo está inserido no cenário das pesquisas exploratório-explicativas, como uma pesquisa de campo. Com delimitação temporal de estudo transversal.
Desenvolvida com profissionais da Rede de atenção psicossocial (RAPS), do município de Umbuzeiro-Paraíba. Que segundo IBGE 2022, tem uma população de 9.124 habitantes e área territorial de 185.578 km², com maior extenção geográfica rural (Brasil, 2022).
A escolha desse município justifica-se pela implementação do CAPS Itinerante e pela necessidade de avaliar sua efetividade dentro da RAPS municipal.
A população para este estudo, segundo o CNES, são 67 profissionais de nível superior, técnico e médio, os quais compõem as equipes do CAPS, Estratégia de saúde da família (ESF), e-Multi e saúde bucal. Foram realizadas treze entrevistas individuais no peíodo de outubro de 2025 a abril de 2026, por meio de formulário sócio demográfico e questionário semi estruturado, remotamente por gravação no Google Meet, após a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. O número final de entrevistados foi determinado pela saturação.
Foram adotados como critérios de exclusão: atuar há menos de seis meses na RAPS deste município, ser profissional das equipes de APS que não recebem o CAPS Itinerante. Assim como, os profissinais do CAPS que não realizam as ações itinerantes. Além daqueles que estivam afastados por atestado no periodo da coleta de dados.
A análise dos dados foi conduzida com base nos princípios do Método do Discurso do Sujeito Coletivo (DSC), este método foi adotado por sua capacidade de revelar, a partir de falas individuais, representações sociais coletivas estruturadas. Expondo um discurso coletivo, que expresse os sentidos compartilhados pelo grupo pesquisado (Lefèvre; Lefèvre, 2017).
O DSC seguiu as seguintes etapas metodológicas: identificação de expressões-chave, ideias centrais e âncoras, que forão extraídas das entrevistas transcritas. As expressões forão agrupadas por similaridade de conteúdo, originando discursos representativos de cada categoria temática previamente definida a partir dos objetivos específicos do estudo.
A pesquisa seguiu as diretrizes da Resolução nº 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde (CNS) e da Lei nº 14.874/2024 que regulamenta pesquisas envolvendo seres humanos. Aprovada no Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), do Centro de Ciências da Saúde/UFPB, sob número de CAAE 92983525.3.0000.5188.

Participaram deste estudo 13 profissionais da RAPS de Umbuzeiro, dos serviços do CAPS I e APS. A maioria dos profissionais está com idade de 20 a 30 anos (41,7%); é do sexo feminino (75%), e se autodeclararam brancos e pardos (50%) em ambos. Os dados das características do trabalho dos profissionais estão presentes na tabela 1.

Tabela 1. Características do trabalho dos profissionais participantes, em valores absolutos e relativos, do CAPS I e APS de Umbuzeiro- PB, 2026
Variáveis Total (n=13) %

Categorias profissionais

Psicólogo 3 23,8
Enfermeiro 3 23,8
Assistente Social 2 15,38
Agente Comunitário de Saúde 2 15,38
Cirurgião Dentista 1 7,69
Educador Físico 1 7,69
Artesã 1 7,69

Tempo de Trabalho na RAPS
Menos de 1 ano 2 15,38
1 a 3 anos 5 38,46
4 a 6 anos 3 23,08
Mais de 6 anos 2 15,38
Fonte: Própria (2026)

O funcionamento do CAPS Itinerante é organizado por cronograma mensal, com atendimentos quinzenais em comunidades rurais. As ações ocorrem por meio de oficinas terapêuticas, realizadas em UBSF, utilizando seus espaços físicos e articulando-se com suas equipes. A equipe é multiprofissional e atua de forma rotativa, garantindo a continuidade do serviço na sede. Também são realizados acolhimentos para inserção no serviço, visitas e acompanhamento contínuo dos usuários, inclusive por meio de tecnologias leves (grupos de WhatsApp). O objetivo central é fortalecer o vínculo com usuários e famílias, ampliar o acesso e evitar a descontinuidade do cuidado na rede.
“Tem o telefone aqui, montamos um grupo de WhatsApp, e a gente dá esse suporte…sobre medicação e suas reações.” (P2)
As idéias centrais identificados quanto às potencialidades do CAPS Itinerante foram: ampliação do acesso dos usuáios aos serviços de saúde mental; redução de barreiras geográficas e econômicas; melhora da comunicação interprofissional; assistências por busca ativa; fortalecimento do vínculo; promoção da reinserção social; desconstrução do estigma em saúde mental.
“É difícil acessar a sede do CAPS, o custo é alto para eles virem de condução.” (P2)
Quanto aos desafios as idéias centrais identificadas foram: limitações logísticas e na cobertura territorial; limitação de recursos humanos e sobrecarga; baixa adesão de alguns grupos (usuários de álcool e drogas); necessidade de educação permanente; limitações estruturais; ausência de disponibilidade do atendimento psiquiatra e individual Itinerante.
“O desafio, eu acho que é mais em recurso e espaço na unidade.” (P3)

A análise dos resultados evidencia que o CAPS Itinerante se configura como estratégia relevante para a reorganização do cuidado em saúde mental no território. A organização por cronograma mensal e atendimentos descentralizados em áreas rurais demonstra potencial para ampliar o acesso, reduzir barreiras geográficas e econômicas e promover maior equidade no cuidado (Brasil, 2011; Lancetti & Amarante, 2016).
As potencialidades, como fortalecimento do vínculo, ampliação da comunicação interprofissional e uso de tecnologias leves, reforçam a centralidade das práticas relacionais e do cuidado longitudinal na efetividade das ações. Convergindo sobre a importância do trabalho em equipe na qualificação da atenção psicossocial (Merhy, 2002; Silva et al., 2020).
Entretanto, persistem desafios, como limitações logísticas, subfinanciamento, fragilidade da rede especializada, limitações de recursos humanos e sobrecarga. Tais fatores comprometem a consolidação e sustentabilidade da estratégia, evidenciando a necessidade de ampliação do cuidado especializado e de mais investimentos (Campos & Domitti, 2007; Delgado, 2019).
Conclui-se que o CAPS Itinerante é potente para ampliar o acesso e qualificar o cuidado em saúde mental. Contudo, sua efetividade depende do enfrentamento das fragilidades estruturais, do fortalecimento da RAPS e de investimentos contínuos em financiamento, recursos humanos. Sugere-se outros estudos sejam realização, com abrangências e diferentes delineamentos metodológicos.

autor Principal

DANIELLE MARGARIDA RAMOS DE OLIVEIRA

daniellemargarida49@gmail.com

SECRETÁRIA MUNICIPAL DE SAÚDE

Coautores

Danielle Margarida Ramos de Oliveira, João Euclides Fernandes Braga, Fabiana Mendes Moreira

A prática foi aplicada em

Umbuzeiro

Paraíba

Nordeste

Esta prática está vinculada a

Avenida Doutor Carlos Pessoa - Umbuzeiro, PB, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

DANIELLE MARGARIDA RAMOS DE OLIVEIRA

Conta vinculada

08 maio 2026

CADASTRO

08 maio 2026

ATUALIZAÇÃO

inicio

fim

Condição da prática

Andamento

Situação da Prática

Arquivos