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A seletividade alimentar é uma questão prevalente nas crianças atípicas, trazendo consigo importantes condições que impactam o crescimento e o desenvolvimento físico, cognitivo e emocional destas crianças, com prejuízos ainda no âmbito escolar e familiar, gerando preocupações e dificuldades legítimas para as crianças e suas famílias. Clinicamente, inúmeras crianças apresentam problemas intestinais, hepáticos, físicos e até psicológicos pelo fato de possuírem uma dieta restrita e padronizada. É imprescindível, desta forma, uma intervenção nutricional que seja aplicável, considerando as limitações sensoriais destas crianças, e ao mesmo tempo eficiente, entregando o que é necessário para a melhora destes quadros. O CAPSi localizado no município de Cuité, atende crianças dos 3 aos 18 anos, sendo um serviço regional com 700 usuários ativos, dos quais a maior parcela tem diagnóstico de TEA e TDAH. A partir do atendimento clínico nutricional, observou-se grande frequência de referência, pelas famílias, da seletividade alimentar como causa principal de prejuízos nutricionais e até clínicos. Diante disto, foi planejada e desenvolvida uma Terapia Nutricional que considerasse os dados clínicos das crianças, mas que trabalhasse os aspectos neurocognitivos, emocionais, sensoriais e nutricionais que estão além do alcance de uma consulta. Nomeada de “Nutridinhos”, a oficina nasce da necessidade de um tratamento com arcabouço clínico, mas de efeito terapêutico, propiciando a experimentação e tratando a neofobia. Desde sua implantação somaram-se muitos resultados relatados pelas mães e pelas próprias crianças, que celebram e relatam nas oficinas o novo alimento inserido na alimentação. A melhora na seletividade, por sua vez, gera ganhos que vão desde a socialização para a criança que agora aceita a refeição da escola ou da família, até aos aspectos clínicos que respondem positivamente ao melhor padrão alimentar.
Objetivo geral: Tratamento da seletividade alimentar considerando seus aspectos não apenas clínicos, mas emocionais, sensoriais, sociais e nutricionais de forma eficiente e participativa. Objetivos específicos: Atenuação da sensibilidade sensorial à texturas dificilmente aceitas por este público, como pastosas e fibrosas através de sua exposição controlada. Atuação de forma orgânica no enrijecimento cognitivo e sensorial, provocando independência e exploração de acordo com os limites individuais. Provocação de curiosidade pelo novo, combatendo a neofobia e estimulando sentidos que estão ligados ao paladar, como tato e olfato como caminho até a possibilidade da experimentação. Exposição contínua para estabelecer relação de intimidade e familiaridade com os alimentos. Implementação da boa relação com a alimentação, considerando seu aspecto emocional, o que pode prevenir quadros de compulsão alimentar e outros transtornos alimentares a que este público possa estar mais vulnerável. Melhoria do padrão alimentar e por fim adequação à uma alimentação condizente com as necessidades nutricionais individuais. Promoção de confiança e segurança sensorial suficiente para estimulá-los aos desafios sensoriais em outros aspectos da vida.
Os resultados iniciaram pela aceitação de frutas, a exemplo do melão e da manga, que são de difícil adesão por este público, a primeira, pelo fato de possuir uma textura e sabor considerados medianos, a segunda pela textura fibrosa. Este dado tem importância clínica, uma vez que uma é uma rica em nutrientes e pobre em calorias, que pode ajudar bastante no processo de emagrecimento e a outra é um grande passo na questão sensorial e clínica, pois alimentos fibrosos são excelentes para o intestino, principalmente deste público que tende a consumir menos fibras em geral. Houve também aceitação de alimentos produzidos de frutas, como doces e bolos produzidos a partir de banana, uma fruta rica nutricionalmente, mas que geralmente é polarizada na aceitação deste grupo, já que tem textura pastosa, uma das mais rejeitadas pelo público atípico. Observou-se ainda melhora na aceitação de cores e ingredientes “não convencionais” como é o caso do suco de cenoura, o que é de grande relevância, considerando que muitas mães precisam ocultar este alimento nas refeições para que seja consumido, pela sua cor e textura marcantes. É imprescindível destacar que, estes resultados sugerem não apenas a aceitação do alimento em si, mas de uma nova textura, aspecto e aparência, sendo estes representantes de categorias inteiras outrora rejeitadas e que agora passam a ser consumidas. Isto proporciona uma melhor aplicabilidade de intervenções clínicas e melhora no perfil nutricional e de saúde como um todo. É também uma quebra de padrão de enrijecimento e sensibilidade sensorial que impacta não apenas nos aspectos nutricionais, mas de vida destas crianças. Há ainda o fato de ser desenvolvida por todo o grupo, o que gerou resultados na socialização de crianças com dificuldades de interações e a degustação da receita junto aos pais e colegas, que fortaleceu os vínculos emocionais da alimentação promovendo seu aspecto social.
A necessidade de um tratamento com arcabouço clínico, mas de efeito terapêutico, propiciando a experimentação e tratando a neofobia. Desde sua implantação somaram-se muitos resultados relatados pelas mães e pelas próprias crianças, que celebram e relatam nas oficinas o novo alimento inserido na alimentação. A melhora na seletividade, por sua vez, gera ganhos que vão desde a socialização para a criança que agora aceita a refeição da escola ou da família, até aos aspectos clínicos que respondem positivamente ao melhor padrão alimentar.
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