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A partir da Reforma Psiquiátrica Brasileira, com a expansão dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) como estratégia de cuidado em liberdade, esses dispositivos passaram a desempenhar papel fundamental na atenção psicossocial de pessoas em sofrimento mental, contribuindo para o fortalecimento dos vínculos com o território e para a ampliação do acesso aos direitos sociais (Nabarrete, Bastos, 2024).
No Centro de Atenção Psicossocial I de Taperoá-PB, identificou-se a necessidade de desenvolver estratégias que fortalecessem o protagonismo e a emancipação dos usuários, a partir de uma perspectiva ampliada de saúde mental, que considera os determinantes sociais no processo de adoecimento (Saraceno, 1999).
Nesse contexto, as oficinas terapêuticas de artesanato foram estruturadas como ferramentas de cuidado, possibilitando não apenas a produção de peças, mas também a inserção dos usuários em espaços comunitários. Destaca-se a participação na feira local TaperoARTE, realizada durante as comemorações do aniversário do município em 2025, como estratégia de visibilidade, inclusão social e fortalecimento da cidadania (Amarante, 2007).
A experiência evidenciou que, embora os CAPS sejam centrais no cuidado em liberdade, ainda persistem desafios na consolidação de práticas que promovam efetivamente o protagonismo dos usuários. As oficinas de artesanato mostraram-se uma estratégia potente de cuidado e inserção territorial, porém ainda dependem de maior articulação intersetorial e sustentabilidade (Nabarrete, Bastos, 2024).
A participação na TaperoARTE demonstrou que tais iniciativas tornam-se mais efetivas quando vinculadas a estratégias contínuas de geração de renda, ampliando a inserção produtiva e a autonomia dos usuários no território (Saraceno, 1999).
OBJETIVOS
Objetivo geral:
• Relatar a experiência de oficinas terapêuticas de artesanato desenvolvidas no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) de Taperoá-PB, articuladas à participação na feira TaperoARTE, como estratégia de cuidado em saúde mental, geração de renda e ampliação de direitos.
Objetivos específicos:
• Descrever as contribuições das atividades para a autonomia e o protagonismo dos usuários;
• Relatar a participação dos usuários na feira TaperoARTE como espaço de visibilidade e exercício de cidadania;
• Expor o potencial das oficinas como estratégia de ampliação de direitos, inclusão social e geração de renda no território.
METODOLOGIA
Trata-se de um estudo descritivo, do tipo relato de experiência, desenvolvido no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) do município de Taperoá, Paraíba, no ano de 2025. A proposta insere-se no campo da atenção psicossocial, fundamentada nos princípios da Reforma Psiquiátrica Brasileira, que propõe o cuidado em liberdade, a valorização do território (Amarante, 2007).
A iniciativa envolveu cerca de 15 (quinze) usuários frequentes do serviço, participantes de forma voluntária, acompanhados pela equipe multiprofissional. As atividades foram realizadas por meio de oficinas terapêuticas, compreendidas como dispositivos fundamentais no cuidado em saúde mental, por possibilitarem expressão subjetiva, fortalecimento de vínculos e ampliação da autonomia (Saraceno, 1999).
As oficinas foram conduzidas por artesãos vinculados ao serviço, com frequência de três vezes por semana, tendo como foco o desenvolvimento de habilidades manuais, criatividade e interação social. Foram confeccionadas peças artesanais com materiais diversos, como feltro, EVA, tecidos e insumos para bijuterias, a partir de planejamento coletivo, alinhado à perspectiva de atenção psicossocial que considera os determinantes sociais e os interesses dos sujeitos no processo de cuidado (Santos et al., 2024).
Os produtos confeccionados foram organizados para exposição e comercialização em estande montado durante evento público alusivo aos 139 anos do município, realizado entre 01 e 06 de outubro de 2025. A inserção dos usuários em espaços comunitários dialoga com a proposta de inclusão social e reconstrução de laços sociais preconizada pela Reforma Psiquiátrica.
Os usuários participaram ativamente de todas as etapas do processo, incluindo produção, organização, exposição e comercialização das peças, com apoio da equipe do serviço. Essa participação reforça o entendimento do trabalho como estratégia de autonomia e geração de renda no campo da atenção psicossocial (Saraceno, 1999; Nabarrete, Bastos, 2024).
A experiência foi acompanhada de forma contínua pela equipe, considerando aspectos como adesão, engajamento, desenvolvimento da autonomia e possibilidades de geração de renda, em consonância com as práticas contemporâneas de cuidado em saúde mental territorializada.
RESULTADOS
A experiência evidenciou impactos relevantes na qualificação do cuidado em saúde mental, com fortalecimento do vínculo dos usuários com o serviço e com o território, refletido no aumento da adesão às atividades grupais e no engajamento nas oficinas terapêuticas. Observou-se que o processo de produção artesanal favoreceu o desenvolvimento de habilidades manuais, criatividade e cooperação, contribuindo para a ampliação de espaços coletivos de convivência e sociabilidade.
As oficinas de artesanato mostraram-se dispositivo estratégico no fortalecimento da autonomia e do protagonismo dos usuários, na medida em que possibilitaram sua participação ativa nos processos de planejamento, produção e organização das atividades. Nesse sentido, a participação na feira TaperoARTE configurou-se como um dispositivo de inserção social e visibilidade pública do trabalho produzido, rompendo com a lógica de invisibilização historicamente associada ao sofrimento psíquico.
Além disso, a experiência evidenciou potencial concreto de geração de renda, ainda que incipiente, com arrecadação de R$ 620,00 (seiscentos e vinte) reais, durante a comercialização dos produtos na feira, indicando a necessidade de sua consolidação como estratégia estruturante e não apenas complementar no cuidado em saúde mental. Tal dimensão reforça o trabalho como eixo de produção de autonomia material e simbólica, articulado à inclusão social e à ampliação de direitos no território.
De modo crítico, os achados indicam que iniciativas dessa natureza têm potência transformadora no campo da atenção psicossocial, porém sua efetividade depende de sustentação institucional, articulação intersetorial e continuidade das ações, sob risco de se restringirem a experiências pontuais. Assim, a proposta reafirma a centralidade de estratégias territorializadas que articulem cuidado, cidadania e produção de vida no contexto da Reforma Psiquiátrica Brasileira.
CONCLUSÕES
A experiência evidenciou que as oficinas terapêuticas de artesanato, articuladas à participação em espaços comunitários como a TaperoARTE, configuram-se como uma estratégia potente no campo da atenção psicossocial, ao promoverem inclusão social, ampliação da autonomia e efetivação de direitos no território. Tais resultados indicam o potencial dessas práticas na produção de novas formas de cuidado, que ultrapassam a dimensão clínica e se articulam à vida social e comunitária dos usuários.
Entretanto, reconhece-se que, apesar dos avanços observados no âmbito dos Centros de Atenção Psicossocial, ainda persistem desafios estruturais para a consolidação de práticas contínuas e sustentáveis, especialmente no que se refere à articulação intersetorial e à incorporação efetiva da geração de renda como eixo estruturante do cuidado. Esses limites evidenciam a necessidade de fortalecimento de políticas públicas que assegurem a continuidade e a expansão de iniciativas dessa natureza.
Assim, compreende-se que experiências que articulam cuidado em saúde mental, território e trabalho produtivo tensionam e reafirmam os princípios da Reforma Psiquiátrica Brasileira, ao ampliar possibilidades concretas de cidadania, pertencimento social e produção de vida no cotidiano dos usuários.
A partir da Reforma Psiquiátrica Brasileira, com a expansão dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) como estratégia de cuidado em liberdade, esses serviços passaram a desempenhar papel fundamental na atenção psicossocial. No entanto, no CAPS I de Taperoá-PB, identificou-se a necessidade de fortalecer práticas que promovam o protagonismo e a emancipação dos usuários, considerando os determinantes sociais do adoecimento. Embora existam iniciativas como oficinas terapêuticas de artesanato, ainda persistem desafios na consolidação de ações contínuas que favoreçam a inserção social e produtiva. A participação em eventos comunitários, como a feira TaperoARTE, evidenciou o potencial dessas estratégias, mas também revelou a necessidade de maior articulação intersetorial e de sustentabilidade das ações para ampliação da autonomia e inclusão social dos usuários.
A prática resultou em impactos positivos na qualificação do cuidado em saúde mental, evidenciados pelo fortalecimento do vínculo dos usuários com o serviço e com o território, além do aumento da adesão às atividades coletivas e do engajamento nas oficinas terapêuticas. O processo de produção artesanal contribuiu para o desenvolvimento de habilidades manuais, criatividade e cooperação, ampliando espaços de convivência e sociabilidade.
Como inovação, as oficinas de artesanato consolidaram-se como estratégia de cuidado que articula saúde, cultura e geração de renda, promovendo o protagonismo dos usuários por meio de sua participação ativa no planejamento e execução das atividades. A inserção na feira TaperoARTE ampliou a visibilidade social dos participantes, favorecendo a inclusão e rompendo estigmas associados ao sofrimento psíquico.
Entre os resultados concretos, destaca-se a geração de renda, ainda inicial, com arrecadação de R$ 620,00, evidenciando o potencial das ações para a autonomia material e simbólica dos usuários. Como lição, a experiência demonstra que iniciativas dessa natureza possuem forte capacidade transformadora, porém demandam continuidade, apoio institucional e articulação intersetorial para sua consolidação como estratégia permanente no cuidado em saúde mental.
Para a implementação de práticas semelhantes, recomenda-se investir na escuta qualificada dos usuários, garantindo sua participação ativa desde o planejamento até a execução das atividades. É fundamental valorizar o território como espaço de cuidado, buscando parcerias intersetoriais com cultura, assistência social e economia solidária. A continuidade das ações deve ser priorizada, evitando iniciativas pontuais e fortalecendo vínculos. Também é importante apoiar a formação das equipes para atuação em uma perspectiva psicossocial e promover estratégias que articulem cuidado e geração de renda, assegurando sustentabilidade e ampliação da autonomia dos usuários.
CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) - Rua 15 de Novembro, Taperoá - PB, Brasil
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