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Os transtornos do neurodesenvolvimento são um grupo de condições que inicia-se no período do desenvolvimento de um indivíduo.
Manifesta-se em geral antes da criança ingressar na escola, caracterizados por déficits nos estágios do desenvolvimento ou diferenças nos processos cerebrais. Dessa forma, acarreta prejuízos no funcionamento pessoal, social, acadêmico ou profissional no decorrer da vida.
Com o aumento de diagnósticos destas condições, como: o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade.
As características do TEA incluem prejuízo persistente na comunicação e interação social, além de padrões restritos e repetitivos de comportamento, presentes desde a infância e que afetam o funcionamento diário. Já o TDAH é marcado por desatenção (como dificuldade de foco, desorganização e falta de persistência), hiperatividade (atividade motora excessiva) e impulsividade (ações precipitadas sem premeditação). Ambos são transtornos do neurodesenvolvimento, sendo altamente prevalentes e frequentemente comórbidos.
Na atualidade, faz-se presente uma alto demanda das necessidade de cuidados com crianças que enquadram-se nessas condições diagnósticas, demandando do Sistema Único de Saúde (SUS) e dos profissionais de psicologia que atuam na Policlínica Municipal de Pocinhos- PB. Nesse sentido, observa-se a necessidade do cuidado continuado e compartilhado com os cuidadores, especialmente familiares de crianças atípicas que vivenciam sobrecarga emocional, isolamento social e dificuldades no manejo cotidiano, sem dispor de espaços sistemáticos de acolhimento e orientação, que muitas vezes enfrentam esse processo sem suporte e grande impacto na saúde mental do núcleo familiar. Dessa maneira, percebe-se uma lacuna no cuidado, considerando que a assistência a saúde concentrava-se na criança, enquanto o cuidador permanecia invisibilizado, surge a necessidade de implementação do projeto de orientação parental ” Mãos que se entrelaçam”
OBJETIVOS:
– Fortalecer competências parentais visando orientação e manejo de suporte técnico com o objetivo de auxiliar o núcleo familiar no cotidiano de suporte às crianças neurodivergentes.
– Promover saúde mental de cuidadores de crianças atípicas, por meio de escuta ativa individual e grupal, com a finalidade trabalho da regulação emocional, psicoeducação e estratégias de manejo comportamental com base nas evidências científicas da Terapia Cognitivo Comportamental -TCC.
METODOLOGIA
Trata-se de uma ação de extensão em saúde, configurada como um projeto de intervenção grupal, de caráter psicoeducativo, desenvolvido na Policlínica Municipal de Pocinhos – PB, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), por meio do projeto de orientação parental “Mãos que se entrelaçam”.
O projeto é destinado a pais e responsáveis por crianças com condições do neurodesenvolvimento, especialmente Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), atendidos pela instituição. A participação ocorre de forma voluntária, mediante convite e/ou encaminhamento dos profissionais do serviço.
As ações são realizadas por meio de encontros grupais mensais, com duração média de 60 a 90 minutos, conduzidos por profissionais de psicologia em espaço disponibilizado pela policlínica. Os encontros têm como foco a promoção da saúde mental dos cuidadores e o fortalecimento das competências parentais, a partir de práticas fundamentadas na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC).
A condução dos encontros baseia-se na escuta qualificada, acolhimento das demandas emocionais, psicoeducação sobre os transtornos do neurodesenvolvimento, orientação quanto ao manejo comportamental e desenvolvimento de estratégias de regulação emocional. São utilizadas técnicas da TCC, atividades práticas e recursos facilitadores que favorecem a compreensão e aplicação no cotidiano familiar.
Além disso, promove-se o estímulo à troca de experiências entre os participantes, reconhecendo e valorizando o saber oriundo da vivência familiar como parte fundamental do processo de cuidado. Os encontros também visam a construção de uma rede de apoio entre os cuidadores, contribuindo para a redução da sobrecarga emocional e do isolamento frequentemente vivenciado.
As ações possuem caráter contínuo e flexível, sendo organizadas conforme as demandas emergentes do grupo, priorizando a criação de um espaço seguro de escuta, orientação e compartilhamento, ampliando o cuidado para além da criança, contemplando também o cuidador.
No que se refere aos aspectos éticos, são respeitados os princípios de acolhimento, escuta sensível, respeito à individualidade, voluntariedade e sigilo das informações compartilhadas durante os encontros.
RESULTADOS:
O projeto “Mãos que se entrelaçam” apresentou boa adesão dos cuidadores participantes, consolidando-se como um espaço de acolhimento, escuta e construção coletiva no contexto da Policlínica Municipal de Pocinhos – PB. Observou-se participação ativa nos encontros, com envolvimento nas atividades propostas e troca significativa de experiências entre os integrantes do grupo.
Entre os principais resultados, destacam-se a redução do sentimento de isolamento, frequentemente relatado no início das atividades, bem como a maior compreensão acerca dos comportamentos das crianças com transtornos do neurodesenvolvimento, favorecida pelas ações de psicoeducação. Além disso, evidenciou-se a ampliação do repertório de estratégias parentais, especialmente no que se refere ao manejo comportamental e à organização da rotina.
Também foi observado o fortalecimento dos vínculos familiares e da rede de apoio entre os cuidadores, contribuindo para maior sensação de pertencimento e suporte social. Relatos dos participantes indicaram impactos positivos na saúde emocional, com melhora na regulação das emoções, maior segurança no exercício da parentalidade e mudanças na forma de lidar com as demandas do cotidiano.
De modo geral, o projeto demonstrou-se uma estratégia relevante de promoção em saúde, contribuindo para o cuidado integral ao incluir o cuidador como parte essencial no processo de atenção às crianças com TEA e TDAH.
CONCLUSÃO:
A iniciativa do projeto “Mãos que se entrelaçam” demonstra significativa relevância ao ampliar o cuidado em saúde para além do usuário direto, reconhecendo o cuidador como sujeito ativo no processo terapêutico e elemento fundamental na rede de atenção. Ao deslocar o foco exclusivo da criança para incluir o núcleo familiar, o projeto contribui para uma abordagem mais integral e efetiva no manejo dos transtornos do neurodesenvolvimento.
Destaca-se, ainda, seu caráter inovador, ao estruturar um espaço contínuo de escuta, acolhimento e orientação no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), favorecendo o acesso a práticas psicoeducativas e suporte emocional que, muitas vezes, não estão sistematizados nos serviços de saúde. Trata-se de uma estratégia com alta aplicabilidade e potencial de replicação, podendo ser adaptada a diferentes contextos da rede pública, conforme as demandas locais.
Além disso, o projeto contribui de forma consistente para a promoção da saúde mental dos cuidadores, fortalecimento das competências parentais e consolidação de uma rede de apoio, aspectos essenciais para o enfrentamento das demandas cotidianas relacionadas ao cuidado de crianças com TEA e TDAH.
Dessa forma, a experiência reafirma os princípios da integralidade e humanização do cuidado no SUS, evidenciando a importância de práticas que considerem a complexidade das relações familiares e promovam intervenções que ultrapassem o modelo centrado exclusivamente no indivíduo, alcançando o contexto em que ele está inserido.
Necessidade de elaboração de uma estratégia relevante de promoção em saúde, contribuindo para o cuidado integral ao incluir o cuidador como parte essencial no processo de atenção às crianças com TEA e TDAH.
O projeto “Mãos que se entrelaçam” apresentou boa adesão dos cuidadores participantes, consolidando-se como um espaço de acolhimento, escuta e construção coletiva no contexto da Policlínica Municipal de Pocinhos – PB. Observou-se participação ativa nos encontros, com envolvimento nas atividades propostas e troca significativa de experiências entre os integrantes do grupo.
Entre os principais resultados, destacam-se a redução do sentimento de isolamento, frequentemente relatado no início das atividades, bem como a maior compreensão acerca dos comportamentos das crianças com transtornos do neurodesenvolvimento, favorecida pelas ações de psicoeducação. Além disso, evidenciou-se a ampliação do repertório de estratégias parentais, especialmente no que se refere ao manejo comportamental e à organização da rotina.
Também foi observado o fortalecimento dos vínculos familiares e da rede de apoio entre os cuidadores, contribuindo para maior sensação de pertencimento e suporte social. Relatos dos participantes indicaram impactos positivos na saúde emocional, com melhora na regulação das emoções, maior segurança no exercício da parentalidade e mudanças na forma de lidar com as demandas do cotidiano.
De modo geral, o projeto demonstrou-se uma estratégia relevante de promoção em saúde, contribuindo para o cuidado integral ao incluir o cuidador como parte essencial no processo de atenção às crianças com TEA e TDAH.
O projeto “Mãos que se entrelaçam” apresenta alta aplicabilidade no contexto da saúde pública, especialmente no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), por se tratar de uma intervenção de baixo custo, fácil implementação e grande impacto social.
Pode ser desenvolvido em diferentes pontos da rede de atenção, como Unidades Básicas de Saúde (UBS), policlínicas, Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e serviços especializados, sendo adaptável conforme a realidade local e o perfil da população atendida.
Sua estrutura grupal e psicoeducativa permite a ampliação do alcance das ações em saúde mental, beneficiando um maior número de cuidadores simultaneamente, além de favorecer a construção de redes de apoio entre os participantes.
O projeto pode ser conduzido por profissionais de psicologia e também por equipes multiprofissionais, desde que capacitadas, o que facilita sua replicação em diferentes contextos da rede pública.
Além disso, contribui diretamente para:
– Promoção da saúde mental dos cuidadores
– Fortalecimento das competências parentais
– Melhoria no manejo comportamental das crianças
– Redução da sobrecarga emocional e do isolamento social
Por fim, sua aplicabilidade está alinhada aos princípios do SUS, especialmente à integralidade, humanização e cuidado centrado na família, configurando-se como uma estratégia relevante e sustentável para qualificação da atenção em saúde voltada aos transtornos do neurodesenvolvimento.
Secretaria Municipal de Pocinhos PB
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