Cateterismo Vesical de Demora na Atenção Básica: uma década de humanização, cuidados e boas práticas Campina Grande PB

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FRANCILÚCIA LINHARES DE MOURA

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Cateterismo Vesical de Demora na Atenção Básica: Uma Década de Humanização, Cuidados e Boas Práticas

O cateterismo vesical de demora (CVD), antes de 2010, era considerado uma prática restrita ao ambiente hospitalar. Somente na última década, entre os anos de 2015 e 2025, foram formalmente estabelecidos protocolos e fluxos para sua execução na Atenção Básica, sob responsabilidade da enfermagem, dentro das equipes multiprofissionais do Programa Saúde da Família (PSF). A incorporação desse procedimento às Unidades Básicas de Saúde representou um marco histórico, ampliando o acesso e fortalecendo a autonomia dos profissionais.
O CVD passou a ser reconhecido como essencial para garantir o bem-estar e a qualidade de vida de pacientes que necessitam desse cuidado, seja em consultas programadas ou em atendimentos domiciliares. Sua realização tornou-se prática indispensável para o alívio da retenção urinária, configurando-se como intervenção segura e necessária em unidades de porta aberta.
Com protocolos locais, capacitação das equipes e compromisso com a humanização, o município passou a oferecer uma resposta qualificada às demandas de pacientes com condições crônicas, reduzindo barreiras de acesso, filas hospitalares e riscos de infecção, promovendo maior equidade na assistência.
Objetivo Geral:
Descrever experiências que demonstram a atuação da enfermagem e das equipes de saúde da família na construção de confiança e vínculo com pacientes submetidos ao cateterismo vesical de demora, realizado com trocas mensais ao longo de dez anos. Busca-se evidenciar o cuidado integral, emocional e social, inspirando novas práticas e reforçando a segurança e a satisfação dos usuários.
Objetivos Específicos:
1. Descentralização: garantir o acesso ao procedimento no território de moradia, com equipes preparadas.
2. Acessibilidade: reduzir deslocamentos, filas e lotação em serviços hospitalares.
3. Controle Sanitário: minimizar riscos de infecção cruzada em ambientes hospitalares.
4. Fortalecimento do Vínculo: assegurar assistência de qualidade, comunicação efetiva e respeito à autonomia do paciente e sua família.
Há pouco mais de dez anos, dois pacientes iniciaram acompanhamento contínuo com trocas mensais de cateter vesical de demora.
O primeiro, Sr. Francisco (nome fictício), hoje com 53 anos, chegou ao serviço aos 43 anos, utilizando duas sondas — sub púbica e urogenital — devido a estenose uretral, prostatite e histórico de infecções recorrentes. Inicialmente, enfrentou dificuldades de adaptação e receios diante da complexidade do procedimento. Com o tempo, sua trajetória revelou resistência e força emocional, especialmente por ser jovem. As trocas mensais, antes realizadas no hospital a cada três meses, passaram a ser feitas na Atenção Básica, resultando na cessação das infecções e na preservação da qualidade de vida.
O segundo paciente, Sr. José (nome fictício), iniciou o uso aos 74 anos, portador de incontinência urinária crônica. Hoje, acamado, sequelado de AVC e com deficiência visual por glaucoma, reconhece os profissionais pela voz e sorri a cada visita, demonstrando confiança e alívio. Sua história evidencia o papel do vínculo e da humanização no enfrentamento das fragilidades.
Essas narrativas ilustram práticas consolidadas na APS, revelando que, além do aspecto clínico, o CVD carrega uma dimensão humana marcada pela perseverança e pelo cuidado compartilhado.
Resultados
Após mais de uma década de incorporação no processo de trabalho da Atenção Primária, sabemos que em mais de 150 equipes de Saúde da Família, a prática da troca mensal da sonda vesical de demora consolidou-se como marco de sucesso e transformação de vidas. O procedimento, antes restrito ao hospital, tornou-se símbolo de cuidado contínuo, segurança e acolhimento para usuários do SUS.
Pacientes relatam satisfação, segurança e conforto, especialmente os que vivenciaram a transição da prática. Para muitos, cada troca deixou de ser apenas técnica e passou a significar dignidade e confiança.
Os profissionais, protagonistas nesse processo, atuam com dedicação e competência, transmitindo segurança e fortalecendo vínculos. As famílias expressam gratidão e reconhecimento, pois percebem que o cuidado se estende ao núcleo familiar, trazendo esperança e tranquilidade.
Assim, o que começou como rotina clínica transformou-se em experiência coletiva de cuidado, marcada pela humanização e pelo impacto positivo na vida de centenas de pessoas.
Conclusões
Os resultados demonstram que a prática da troca mensal da sonda vesical de demora transcende o aspecto técnico e consolida-se como instrumento de transformação de vidas. O procedimento tornou-se símbolo de cuidado contínuo, confiança e dignidade para os usuários do SUS.
No caso de Francisco, a superação das infecções recorrentes e a adaptação ao uso prolongado da sonda revelam a eficácia clínica e a força emocional de um paciente jovem que encontrou, na constância das trocas, um caminho para preservar sua qualidade de vida. Já a história de José mostra como o vínculo com a equipe de saúde é essencial diante da fragilidade imposta pela idade e pelas sequelas, traduzindo o valor da presença e da continuidade do cuidado.
Essas narrativas reforçam que o cateterismo vesical de demora, quando realizado com dedicação e acompanhamento próximo, transforma-se em experiência de acolhimento e dignidade, reafirmando o papel da Atenção Primária em Saúde como espaço de cuidado integral e humano.
Palavras-chave
Cateterismo vesical; Humanização; Atenção básica;

1. Garantia do acesso ao procedimento no território de moradia, com equipes preparadas.
2. Acessibilidade: reduzir deslocamentos, filas e lotação em serviços hospitalares.
3. Controle Sanitário: minimizar riscos de infecção cruzada em ambientes hospitalares.
4. Fortalecimento do Vínculo: assegurar assistência de qualidade, comunicação efetiva e respeito à autonomia do paciente e sua família.

A implantação do cateterismo vesical de demora (CVD) na atenção básica ampliou o acesso, fortaleceu a humanização e melhorou a rotina dos usuários.
O CVD passou a ser reconhecido como essencial para garantir o bem-estar e a qualidade de vida de pacientes que necessitam desse cuidado, seja em consultas programadas ou em atendimentos domiciliares. Sua realização tornou-se prática indispensável para o alívio da retenção urinária, configurando-se como intervenção segura e necessária em unidades de porta aberta.

Recomenda-se ampliar capacitação e padronizar fluxos, garantindo qualidade, equidade e humanização no cuidado aos usuários.

autor Principal

FRANCILÚCIA LINHARES DE MOURA

dsiv2024.cg@gmail.com

Gerente de Unidade de Saúde

Coautores

AUTOR:FRANCILÚCIA LINHARES DE MOURA; COAUTORES: SAMIRA EMANUELE DE AZEVÊDO LUNA; CEZAR MOREIRA GOMES; NARA VILAR CARDOSO ALVES;

A prática foi aplicada em

Campina Grande

Paraíba

Nordeste

Esta prática está vinculada a

SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE DE CAMPINA GRANDE PB

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

FRANCILÚCIA LINHARES DE MOURA

Conta vinculada

07 maio 2026

CADASTRO

07 maio 2026

ATUALIZAÇÃO

03 maio 2026

inicio

03 maio 2026

fim

Condição da prática

Concluída

Situação da Prática

Arquivos