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1. APRESENTAÇÃO
O acesso à atenção especializada no Sistema Único de Saúde (SUS) constitui um desafio persistente, especialmente em municípios de pequeno porte, caracterizados por oferta limitada de serviços e elevada demanda reprimida, com repercussões diretas sobre a resolutividade da Atenção Primária à Saúde (APS) e a coordenação do cuidado.
No município de Carandaí (MG), a análise situacional evidenciou a existência de aproximadamente 7.970 encaminhamentos em fila para consultas especializadas. Observou-se predominância de casos classificados como média e baixa prioridade, correspondendo a cerca de 84% dos encaminhamentos com classificação definida, indicando elevado potencial de manejo na APS, com apoio à decisão clínica.
As maiores demandas concentravam-se em especialidades como Dermatologia, Neurologia, Otorrinolaringologia, Endocrinologia e Oftalmologia, com forte interface clínica com a APS e elevada frequência de condições sensíveis à atuação nesse nível de atenção. Também foram identificadas inconsistências relacionadas à ausência de reavaliação clínica periódica, registros desatualizados e fragilidades no processo de regulação assistencial.
Esse cenário evidenciou que a problemática não se restringia à insuficiência de oferta de consultas especializadas, mas também à ausência de mecanismos estruturados de qualificação da demanda, apoio à decisão clínica e gestão ativa da fila, comprometendo a racionalidade do acesso.
Diante disso, foi desenvolvido um Plano Estratégico de Teleconsultoria na Atenção Primária, utilizando ferramenta de saúde digital como estratégia estruturante para qualificação da demanda, apoio à decisão clínica e reorganização do acesso à atenção especializada, com atuação simultânea sobre a geração de novos encaminhamentos e a demanda reprimida existente.
2. OBJETIVOS
Objetivo Geral:
Implementar a teleconsultoria na Atenção Primária à Saúde como ferramenta de saúde digital para qualificar a demanda assistencial, apoiar a tomada de decisão clínica e promover a gestão ativa da demanda reprimida, visando reorganizar o acesso à atenção especializada e fortalecer a coordenação do cuidado no SUS.
Objetivos Específicos:
• Qualificar a tomada de decisão clínica na APS por meio do uso sistemático da teleconsultoria como suporte técnico-assistencial;
• Reduzir encaminhamentos desnecessários para a atenção especializada, promovendo maior resolutividade na APS;
• Reavaliar sistematicamente os encaminhamentos em fila, com base em critérios clínicos atualizados;
• Promover a resolução de casos na APS com apoio da teleconsultoria, ampliando a capacidade assistencial local;
• Identificar, analisar e corrigir inconsistências na demanda reprimida, incluindo registros desatualizados e inadequações de encaminhamento;
• Estruturar fluxos de regulação assistencial baseados na qualificação da demanda e no uso de ferramentas digitais;
• Fortalecer a APS como coordenadora do cuidado, promovendo uso mais racional e equânime da atenção especializada.
3. METODOLOGIA
O Plano Estratégico de Teleconsultoria para Qualificação da Demanda e Gestão da Demanda Reprimida na Atenção Primária à Saúde (PET-APS) foi estruturado como uma intervenção sistêmica baseada no uso de ferramenta de saúde digital, organizada em dois eixos complementares, com atuação simultânea sobre a qualificação da entrada de novas solicitações e a gestão ativa da demanda reprimida.
O Eixo 1, de caráter pedagógico e assistencial, foi voltado à qualificação da demanda por meio da incorporação da teleconsultoria como ferramenta estruturante de apoio à decisão clínica na APS. Foram desenvolvidos materiais técnicos orientadores, incluindo matrizes de apoio à decisão construídas a partir do cruzamento entre especialidades, Protocolo de Acesso Municipal e principais motivos de encaminhamento, com ênfase na identificação de casos de baixa e média prioridade. Esses materiais orientaram a análise clínica, definição de condutas e critérios de encaminhamento. Foram realizadas ações de sensibilização e orientação com as equipes, com foco na utilização da teleconsultoria como etapa prévia ao encaminhamento, promovendo sua incorporação progressiva ao processo de trabalho e ampliando a resolutividade da APS.
O Eixo 2, de caráter regulatório e assistencial, foi voltado à gestão da demanda reprimida por meio da reavaliação sistemática dos encaminhamentos em fila. Os registros foram organizados por especialidade e prioridade e enviados às Unidades Básicas de Saúde de origem para reavaliação clínica pelos profissionais solicitantes. A teleconsultoria foi utilizada como suporte à decisão para revisão de condutas, confirmação da necessidade de encaminhamento ou definição de manejo na APS. Os casos foram devolvidos com registro estruturado de desfecho, incluindo cancelamento, manutenção do encaminhamento, resolução na APS ou outras situações administrativas, permitindo qualificação dos dados e atualização da fila.
A estratégia foi operacionalizada em ciclos progressivos de reavaliação, priorizando encaminhamentos de média e baixa prioridade das especialidades disponíveis na plataforma de teleconsultoria. Esse processo permitiu atuação simultânea sobre o estoque de demanda reprimida e a qualificação das novas solicitações, promovendo integração entre prática clínica, regulação assistencial e uso de tecnologia digital, com monitoramento contínuo dos desfechos e retroalimentação das equipes.
Filas extensas e desatualizadas e encaminhamentos evitáveis evidenciaram a necessidade de qualificar a demanda e reorganizar o acesso com teleconsultoria na APS.
No Eixo 1, observou-se rápida incorporação da teleconsultoria à prática clínica da APS, evidenciada pelo crescimento expressivo do número de solicitações ao longo dos meses: 25 em janeiro de 2026, 146 em fevereiro, 135 em março e 33 em abril (parcial). O desempenho posicionou o município como o que mais utilizou a ferramenta na macrorregião Centro-Sul em fevereiro e março, sendo também o primeiro colocado no Estado de Minas Gerais em março, considerando a plataforma de teleconsultorias de referência. Esses resultados indicam elevada adesão das equipes e efetiva integração da ferramenta ao processo de trabalho, consolidando seu uso como apoio à decisão clínica.
No Eixo 2, foram reavaliados 678 encaminhamentos até o momento. Destes, 314 (46,3%) foram cancelados, sendo 220 decorrentes exclusivamente da reavaliação clínica pelos profissionais solicitantes e 94 com apoio da teleconsultoria. Foram mantidos 83 encaminhamentos (12,2%), confirmando necessidade de atenção especializada. Outros 81 casos (11,9%) foram excluídos da fila por motivos administrativos ou resolutivos, incluindo atendimento prévio, mudança de município ou óbito. Adicionalmente, 200 encaminhamentos (29,5%) apresentaram desfechos operacionais diversos, como faltas às reavaliações, recusas, inconsistências cadastrais e necessidade de redirecionamento.
Considerando o conjunto dos desfechos, 395 encaminhamentos (58,3%) foram efetivamente retirados da fila, evidenciando elevado potencial de qualificação da demanda e correção de distorções acumuladas. A baixa proporção de manutenção indica que a maior parte da demanda reprimida não correspondia à necessidade assistencial atual de atendimento na atenção especializada.
Os resultados demonstram impacto simultâneo sobre a qualificação da entrada e a redução do estoque de encaminhamentos, com fortalecimento da resolutividade da APS, maior racionalidade no uso da atenção especializada e melhoria na qualidade das informações da fila.
Estruture a teleconsultoria como etapa prévia ao encaminhamento, capacite continuamente as equipes, integre APS e regulação, monitore indicadores e padronize fluxos.
Rua Coletor Clovís Teixeira de Carvalho, 326, Carandaí - MG, Brasil
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