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A Atenção Primária à Saúde (APS) tem papel central na organização do cuidado, orientada pelos princípios da universalidade, equidade e integralidade. No entanto, em territórios rurais, persistem importantes barreiras geográficas que dificultam o acesso da população aos serviços de saúde, especialmente de crianças, comprometendo a continuidade do cuidado e a efetividade das ações. Na área adscrita da Unidade Básica de Saúde de Mata Virgem, essas dificuldades se evidenciam pela distância entre as residências e a unidade de referência, com deslocamentos que podem chegar a aproximadamente uma hora de caminhada em condições adversas.
Diante desse contexto, emergiu a necessidade de reorganizar o processo de trabalho da equipe de saúde, a partir das especificidades do território, com vistas à ampliação do acesso e à redução das iniquidades. Assim, a experiência teve como objetivo implementar uma unidade âncora em território rural, como estratégia de descentralização das ações de saúde e qualificação do cuidado à saúde da criança.
A justificativa da intervenção fundamenta-se na necessidade de aproximar os serviços de saúde da população, fortalecendo o vínculo entre equipe e comunidade e promovendo maior resolutividade das ações desenvolvidas. Para isso, foi estruturado um ponto de atenção à saúde em espaço anexo a uma escola da comunidade, utilizando salas disponíveis para a realização de atendimentos, atividades educativas e acompanhamento contínuo das necessidades de saúde.
O desenvolvimento da experiência ocorre por meio da oferta mensal de ações voltadas a cerca de seis crianças e seus responsáveis, incluindo oficinas para o desenvolvimento de habilidades socioemocionais, ações de educação em saúde, acompanhamento das demandas identificadas e atualização do calendário vacinal no próprio território. A organização do cuidado se dá de forma contínua, territorializada e centrada nas necessidades da população, favorecendo a aproximação dos serviços de saúde com a realidade local.
A dificuldade de acesso aos serviços de saúde em território rural, marcada por longas distâncias e deslocamento de até uma hora a pé até a unidade básica, comprometia a adesão das crianças ao acompanhamento e à vacinação. Esse cenário evidenciou a necessidade de reorganizar o processo de trabalho da equipe, a partir de estratégias territorializadas que ampliassem o acesso, reduzissem iniquidades e garantissem a continuidade do cuidado.
A implementação da unidade âncora resultou na ampliação significativa do acesso aos serviços de saúde em território rural, reduzindo barreiras geográficas associadas a longos deslocamentos. Observou-se adesão de 100% das crianças residentes em área mais distante, além da atualização completa do calendário vacinal, sem atrasos. Houve fortalecimento do vínculo entre equipe, crianças e famílias, maior continuidade do cuidado e melhoria no acompanhamento das necessidades de saúde. Como inovação, destaca-se a descentralização das ações para um espaço comunitário, aproximando o serviço da realidade local. A experiência evidenciou que estratégias territorializadas e flexíveis são fundamentais para reduzir iniquidades e qualificar o cuidado na Atenção Primária.
Recomenda-se iniciar a implementação a partir do reconhecimento das especificidades do território, considerando barreiras de acesso e necessidades da população. É fundamental envolver a equipe de saúde e a comunidade no planejamento das ações, fortalecendo o vínculo e a corresponsabilização. A utilização de espaços comunitários, como escolas, pode facilitar a descentralização do cuidado. Além disso, é importante organizar fluxos de acompanhamento contínuo e garantir ações integradas, como educação em saúde e vacinação, para assegurar a continuidade e a resolutividade do cuidado. A experiência demonstra que estratégias simples, porém territorializadas, podem gerar grande impacto na ampliação do acesso e na redução de iniquidades.
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