Autismo no Brasil: experiências da IdeiaSUS mostram como o SUS é forte aliado no cuidado de pessoas com TEA

Com 2,4 milhões de pessoas autistas no país, práticas compartilhadas na plataforma revelam caminhos possíveis para um cuidado mais inclusivo e humanizado

Ana Karolina

Em abril, mês marcado pelo Dia Mundial de Conscientização do Autismo, a sociedade é convidada a ir além dos números e a olhar com mais atenção para as vivências, singularidades e direitos das pessoas com transtorno do espectro autista (TEA). Mais do que uma data simbólica — representada pela cor azul —, o período reforça a importância de promover uma inclusão efetiva, baseada no respeito à diversidade e no cuidado integral.

O autismo não é uma doença, mas uma condição do neurodesenvolvimento que acompanha a pessoa ao longo da vida, com diferentes níveis de suporte necessários. Pessoas autistas podem perceber o mundo, se comunicar e se relacionar de maneiras diversas, apresentando variações na linguagem, na interação social e na sensibilidade a estímulos. Reconhecer essas diferenças é fundamental para a construção de políticas públicas e práticas de cuidado mais humanizadas.

De acordo com a Organização das Nações Unidas, cerca de 70 milhões de pessoas são autistas no mundo. No Brasil, dados do Censo Demográfico de 2022, do IBGE, indicam a existência de aproximadamente 2,4 milhões de pessoas com TEA. A maior prevalência está entre crianças e adolescentes, especialmente na faixa etária de 5 a 9 anos, o que ajuda a explicar por que a taxa de escolarização entre pessoas autistas (36,9%) é superior à da população geral.

Avanços e desafios

Apesar dos avanços observados, sobretudo no campo da educação, o acesso ao diagnóstico e às terapias ainda é marcado por desigualdades. Dados do Mapa Autismo Brasil mostram que a maioria dos diagnósticos ocorre na rede privada (55,2%) ou por meio de planos de saúde (23%). Apenas 20,4% são realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com variações regionais significativas — a dependência do SUS é maior nas regiões Norte e Nordeste.

Entre as terapias mais ofertadas estão a psicoterapia, a terapia ocupacional e a fonoaudiologia. Outras abordagens, como a Análise do Comportamento Aplicada (ABA) e as intervenções naturalísticas integradas ao cotidiano, ainda permanecem menos acessíveis, evidenciando a necessidade de ampliação e diversificação do cuidado na rede pública.

É nesse contexto que o banco de práticas da Plataforma IdeiaSUS Fiocruz se destaca como espaço de valorização e compartilhamento de experiências exitosas do SUS  de atenção a pessoas com TEA, desenvolvidas em diferentes regiões do país. As iniciativas reunidas na plataforma demonstram, na prática, como é possível fortalecer o acolhimento, garantir o cuidado contínuo e oferecer suporte não apenas às pessoas com autismo, mas também às suas famílias.

As experiências mostram que, quando há compromisso com o SUS, atuação multidisciplinar e sensibilidade às singularidades, o cuidado se reinventa e ganha potência — contribuindo para trajetórias mais inclusivas, dignas e humanas para pessoas com TEA ao longo da vida. Confira abaixo:

Equipe multidisciplinar transforma atendimento a crianças neurodivergentes na Atenção Primária de Areia de Baraúnas (PB) 

Espaço terapêutico fortalece o desenvolvimento de crianças neurodivergentes na Paraíba

Mães e Filhos: Programa une saúde, educação e assistência para fortalecer famílias em Poção (PE)

Vozes da Saúde: serviço Reabilitar atende mais de 200 crianças com autismo e deficiência intelectual

Projeto ‘Sonhos Felizes’: promovendo comunicação e inclusão para crianças com autismo

Você pode conhecer essas e muitas outras iniciativas no banco de práticas da Plataforma IdeiaSUS Fiocruz.

 

Por: Katia Machado (IdeiaSUS Fiocruz) e Ana Karolina Carvalho (IdeiaSUS Fiocruz)