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O Projeto Viva Melhor é uma iniciativa de base comunitária desenvolvida em Campinas (SP) pela Oscip Terra das Andorinhas, focada na promoção da saúde e na prevenção combinada ao vírus da imunodeficiência humana (HIV). A intervenção articula ações extramuros em territórios periféricos, praças, escolas, unidades básicas de saúde e no sistema prisional. O público prioritário abrange gays e homens que fazem sexo com homens (HSH), pessoas em situação de rua (PSR), pessoas privadas de liberdade (PPL) e juventudes. A metodologia integra testagem rápida, distribuição de insumos, aconselhamento e atividades socioculturais, fortalecendo o vínculo entre populações vulnerabilizadas e o Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa contou com o apoio do Programa Municipal de IST/HIV/Aids e Hepatites Virais de Campinas.
Objetivo Geral:
– Promover ações de prevenção combinada ao HIV, ampliando o acesso à testagem, reduzindo vulnerabilidades sociais e fortalecendo o cuidado integral em saúde.
Objetivos Específicos
– Realizar ações comunitárias de aconselhamento, distribuição de insumos de prevenção, testagem rápida para HIV, encaminhamento, vinculação aos serviços e busca ativa;
– Oferecer apoio psicossocial e estratégias que favoreçam a adesão ao tratamento;
– Atuar no enfrentamento à discriminação e ao estigma, na defesa dos direitos humanos, no controle social das políticas públicas, na capacitação de grupos e lideranças, fortalecendo o ativismo e a promoção do advocacy.
A experiência trouxe benefícios relevantes ao Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente no campo da prevenção combinada ao HIV e da articulação comunitária em saúde. A principal contribuição foi a ampliação do acesso à informação, à testagem e à prevenção em territórios periféricos e populações prioritárias — gays e HSH, jovens, pessoas em situação de rua e pessoas privadas de liberdade — grupos historicamente afastados dos serviços de saúde por barreiras sociais, culturais e institucionais.
A epidemia de HIV/Aids em Campinas (SP) apresenta concentração desproporcional em populações-chave e prioritárias, evidenciando profundas iniquidades em saúde. Observa-se alta prevalência entre gays e homens que fazem sexo com homens (HSH), pessoas em situação de rua (PSR), pessoas privadas de liberdade (PPL) e juventudes., agravada por determinantes sociais como estigma, discriminação e vulnerabilidade extrema. Já no sistema prisional, as taxas de prevalência são ainda mais altas, refletindo a ausência de preservativos, o estigma relacionado às práticas sexuais entre homens e o acesso precário à saúde, prevenção e tratamento. Tais fatores erguem barreiras estruturais que dificultam o acesso à informação qualificada, à testagem precoce e à adesão aos métodos preventivos. Adicionalmente, a desinformação e o preconceito institucionalizado limitam a efetividade das políticas públicas tradicionais. Diante desse cenário, emergiu a necessidade imperativa de descentralizar o cuidado, implementando estratégias inovadoras de busca ativa e acolhimento extramuros para mitigar a transmissão e promover a equidade no acesso à saúde.
A execução de 120 ações comunitárias extramuros resultou no impacto direto sobre 378 HSH, 61 PSR, 3.500 PPL e aproximadamente 5.000 jovens. A estratégia viabilizou a distribuição em larga escala de insumos de prevenção (preservativos, gel lubrificante e autotestes), além da realização de testagens rápidas com encaminhamento imediato de casos reagentes para a rede especializada. Paralelamente, as intervenções socioculturais alcançaram indiretamente cerca de 170 mil pessoas, promovendo a desconstrução do estigma por meio da arte. Qualitativamente, a iniciativa consolidou a capacitação de lideranças comunitárias, fomentou o controle social das políticas públicas.
As ações extramuros aproximaram o SUS das comunidades, fortalecendo o vínculo da Atenção Primária em Saúde (APS) com a população. Ao realizar aconselhamento, distribuição de insumos, orientação sobre PrEP e PEP, testagem rápida e encaminhamentos, o projeto ampliou a cobertura de serviços e facilitou a vinculação de casos reagentes às unidades de saúde de referência e reduziu significativamente o tempo entre o diagnóstico e o início do tratamento antirretroviral. Assim, o projeto consolidou-se como uma experiência inovadora, articulando saúde, cultura e direitos humanos, com impacto direto na prevenção do HIV, na promoção do cuidado integral e na mobilização comunitária para o enfrentamento das vulnerabilidades sociais.
Recomenda-se o fortalecimento contínuo das parcerias entre o Sistema Único de Saúde (SUS) e as organizações da sociedade civil (OSCs) como estratégia central para a ampliação e o sucesso das ações extramuros. A experiência evidencia que as respostas de base comunitária são indispensáveis para acessar populações em situação de alta vulnerabilidade, dada a capilaridade, o vínculo de confiança e a capacidade de escuta qualificada que as organizações sociais possuem nos territórios. Para a efetividade dessas intervenções, é fundamental promover uma atuação conjunta e integrada entre diferentes frentes: o aconselhamento humanizado, a testagem rápida in loco e a promoção de atividades socioculturais. Essa união de esforços é o que permite transpor as barreiras históricas de acesso. Sugere-se, por fim, a expansão de processos formativos conjuntos que integrem profissionais de saúde da rede pública e educadores sociais atuantes na ponta. Essa capacitação mútua garante um acolhimento livre de estigmas, consolidando a sustentabilidade das ações de prevenção combinada e reafirmando o papel vital da sociedade civil organizada na defesa do direito à saúde.
Av. Dr. Alberto Sarmento, 12 - Bonfim, Campinas - SP, Brasil
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