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A experiência se desenvolve no território de Madureira, na cidade do Rio de Janeiro, marcado pela presença expressiva de pessoas LGBTI+ em situação de vulnerabilidade, especialmente em situação de rua, além de profissionais do sexo, mulheres trans e travestis. Trata-se de um contexto atravessado por múltiplas violências, como LGBTfobia, transfobia, racismo e exclusão social, que impactam diretamente as condições de saúde mental e o acesso aos serviços públicos.
O grupo, realizado no âmbito do CAPS AD III Paulo da Portela, surge não apenas como espaço de discussão sobre gênero e sexualidade, mas como um dispositivo de cuidado voltado à redução de danos relacionados ao uso de substâncias e às violências vivenciadas por essa população. Seu objetivo é fortalecer estratégias coletivas de resistência, promover o cuidado integral e potencializar a autonomia e a cidadania dos usuáries.
A proposta também reconhece que muitas demandas apresentadas extrapolam o campo da saúde, exigindo articulação com a rede intersetorial. Nesse sentido, o grupo conta com parcerias importantes, como o Projeto Garupa e o Centro de Cidadania LGBTI+ Capital 3, que contribuem para o acesso a direitos, serviços e políticas públicas.
As atividades são realizadas majoritariamente no território, como no Parque Madureira, promovendo a circulação dos corpos LGBTI+ em espaços públicos de forma positiva e ampliando as possibilidades de cuidado para além dos muros institucionais. A experiência também inclui ações de formação e sensibilização para profissionais e usuáries, buscando reduzir práticas discriminatórias e qualificar o cuidado ofertado.
A implementação do grupo surge diante da recorrência de situações de LGBTfobia, transfobia e racismo vivenciadas por usuáries LGBTI+ no CAPS e no território, além da ausência de estratégias estruturadas de cuidado que considerem as especificidades dessa população. Observa-se também a fragilidade na articulação com a rede intersetorial e a inexistência de fluxos que integrem a Política Nacional de Saúde Integral LGBT. Soma-se a isso a alta vulnerabilidade social, o uso prejudicial de substâncias e as barreiras de acesso aos serviços de saúde e assistência social, evidenciando a necessidade de um dispositivo de cuidado mais inclusivo, territorializado e comprometido com a redução de danos e a garantia de direitos.
A implementação do grupo possibilitou a criação de um espaço seguro de acolhimento e escuta qualificada para a população LGBTI+, promovendo o fortalecimento de vínculos, a construção de estratégias coletivas de cuidado e a ampliação do acesso a direitos. Observou-se maior engajamento dos usuáries, além da ampliação do diálogo sobre redução de danos, prevenção de ISTs e enfrentamento das violências. A articulação com a rede intersetorial foi fortalecida, especialmente com a participação de parceiros no grupo e em ações formativas. Destacam-se ainda mudanças no próprio serviço, com maior sensibilização de profissionais e usuáries em relação às questões de gênero e sexualidade, contribuindo para a redução de práticas discriminatórias e para a qualificação do cuidado ofertado.
Recomenda-se que iniciativas semelhantes considerem a centralidade do território e das vivências da população LGBTI+ na construção das ações, priorizando práticas de cuidado pautadas na redução de danos, no acolhimento e na escuta qualificada. É fundamental investir na formação continuada das equipes, com foco em diversidade de gênero e sexualidade, bem como no enfrentamento de estigmas institucionais. A articulação com a rede intersetorial deve ser fortalecida desde o início, garantindo encaminhamentos efetivos e ampliando o acesso a direitos. Além disso, é importante criar estratégias que promovam a participação ativa dos usuáries e a ocupação de espaços públicos, contribuindo para a visibilidade e o fortalecimento dessa população.
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